a dignidade da diferença
22 de Março de 2012

Out of Tuva (1993), Sainkho

 


Equilíbrio quase sobrenatural entre tecnologia e tradição, Out of Tuva é o assombroso resultado do inesperado encontro ocorrido entre Hector Zazou e a sul-siberiana Sainkho Namtchylak, cuja voz vibrante e expressiva, que tanto sobrevive nas grutas como vagueia no deserto, sobressai do quadro musical pictoricamente enriquecido por elementos do folclore religioso e xamânico da república de Tuva – um chamamento politicamente indesejável, cujo efeito é semelhante ao produzido pelo cinema culturalmente pré-soviético do georgiano Sergei Paradjanov -, superiormente filtrado, explorado e orientado pela visão estética arrojada, global e futurista de Zazou, sem prejuízo (bem pelo contrário) da colaboração assaz relevante de Vincent Kenis e de Gilles Martin, do inesgotável compêndio instrumental do Trio-O ou da natureza popular sublinhada pelas contribuições orquestrais avulsas. Uma música admirável, estilizada e transgressora, numa época em que a world music se chegou à frente no domínio das conquistas estéticas, sujeita a um ritual musical contagiante e desafiante eternizado numa gravação única e irrepetível.

 

 

24 de Agosto de 2010

 

 

Recomenda-se, desde já, e sem hesitações, o recente livro de António Pires, notável divulgador entre nós das músicas do mundo, intitulado «Raízes e Antenas, Mistérios e Maravilhas da World Music», o qual, como não podia deixar de ser, reúne 200 textos sobre «world music», que nos ajudam a alargar os nossos horizontes musicais, assim como a compreender a sua imensa riqueza e actualidade estética e musical.

O jornalista (e autor do excelente blogue «Raízes e Antenas») apresentou a obra na mais recente edição do Festival de Músicas do Mundo de Sines (ver mais aqui).

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:25 link do post
09 de Maio de 2008

 

Varttina (discografia de 1992 a 1994), os anos em que a Escandinávia tomou conta, musicalmente, do resto da Europa

 

 

Por esta altura, existia na Europa e dentro do género «world music», ou música tradicional, muitas e óptimas possibilidades de escolha. Desde os Lo Jai, passando por La Ciapa Rusa, Gabriel Yacoub (dos excelentes Malicorne), Riccardo Tesi, Taraf de Haidouks, Quintet Clarinettes, até aos Perlinpinpin Folc, Múzsikas e tantos, tantos outros. Uns com uma visão mais purista da tradição, outros mais arrojados e arriscando pisar o futuro, mas todos com uma intuição e atitude perante a música, consideravelmente inventiva.

 

Contudo, foi preciso esperar pela chegada das (ou dos) Varttina e, principalmente, dos Hedningarna (de quem falaremos a seguir), para que a bússola musical apontasse definitivamente a norte e fizesse chegar da Finlãndia e da Suécia, o que ainda não tinha sido escutado pelos nossos ouvidos.

 

A música das Varttina, aparentemente, não parece fugir muito do registo tradicional imaculado, mas, após algumas audições mais atentas, o que se começa a revelar é uma espantosa dose de extroversão, fazendo de cada actuação uma celebração efusiva e irresistivelmente festiva.

Música exuberante e universal onde, por aqueles dias, habitava uma energia ímpar em que um belíssimo conjunto de vozes tomava as rédeas da ebulição instrumental e voavam, literalmente, sobre o mundo.

Absolutamente imprescindíveis.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:43 link do post
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