a dignidade da diferença
25 de Dezembro de 2011

 

A nossa lista dos filmes mais marcantes que foram exibidos ao longo do ano não é, para manter a tradição, muito extensa (bem pelo contrário). Não só porque a qualidade média daqueles esteve longe de nos surpreender, mas ainda por força do escasso tempo disponível para assistir às diversas estreias cinematográficas. Dois factores que, em conjunto, contribuíram decisivamente para esta escolha francamente reduzida. Como forma de ultrapassar esta pequena insuficiência achámos por bem juntar à nossa lista um conjunto de obras-primas que mereceram a sua primeira edição nacional em DVD, cuja excelência da mise-en-scène merece obviamente figurar nesta e em quaisquer outras listas que se venham a elaborar sobre os melhores filmes do ano, da década ou do século. Razão pois então para aqui deixarmos, no total, dez filmes e mais um, Faust, cuja estreia nacional aguardamos ansiosamente dado o carácter singular e o talento genial do seu autor, Alexander Sokurov. E não vamos embora sem referir que, contra a opinião quase generalizada, não ficámos deslumbrados com a mais recente obra de João Canijo, o hipervalorizado Sangue do Meu Sangue, cujas mise-en-scène (forçada em demasia) e visão estética do realizador perdem ingloriamente quando comparados com o excelso trabalho dos admiráveis actores.

 

Woody Allen, Meia-Noite em Paris

 

David Cronenberg, Um Método Perigoso

 

 Monte Hellman, Road to Nowhere

 

Charles Laughton, A Sombra do Caçador (DVD)

 

Kenji Mizoguchi, Os Amantes Crucificados (DVD)

 

 Kenji Mizoguchi, Os Contos da Lua Vaga (DVD)

 

Nanni Moretti, Habemus Papam

 

 Alexander Sokurov, Faust

 

Andrei Ujică, Autobiografia de Nicolae Ceauşescu 

 

Luchino Visconti, Senso (DVD)

 

Frederick Wiseman, Crazy Horse 

14 de Setembro de 2011

 

 

É verdade que o período de grande fulgor criativo de Woody Allen já nos parece muito distante. Como acontece com quase todos os grandes cineastas – e este, sendo grande, não é, ainda assim, autor cujos filmes levássemos para uma ilha deserta – o percurso criativo de Allen, quando se aproxima do seu ponto final, mergulha irremediavelmente na mediania e no conformismo estético. Dele já não esperamos as chispas de génio do camaleão-Zelig, o romantismo irónico de Annie Hall ou de Manhattan, a profundidade emocional do magnificamente crepuscular Another Woman, a nostalgia deliciosa de A Rosa Púrpura do Cairo, o humor negro de Crimes e Escapadelas, ou, entre outros filmes admiráveis, o literário e mordaz Balas Sobre a Broadway. Os últimos trabalhos caíram na monotonia criativa e, tirando a acuidade crítica do notável Match Point, entre a apatia e a indigência, nenhum dos mais recentes filmes do realizador nova-iorquino escapou verdadeiramente aos seus lugares comuns. E foi assim até chegar o novíssimo Midnight in Paris, a mais recente comédia romântica de Woody Allen. Sem provocar uma ruptura temática ou mexer com a gramática cinematográfica, Midnight in Paris volta a colocar o seu autor num parâmetro estético bem acima da média. É um filme mágico, impressionista, uma belíssima e colorida fantasia visual, uma demonstração muito conseguida da capacidade de Woody Allen reinventar a sua fórmula narrativa. Uma história repartida por épocas diferentes, um delicioso regresso ao passado desfeito pelo vasto reportório do seu autor, capaz de, resumidamente, apimentar e pincelar em singulares polaroids os mais inesperados tipos de relações humanas, que compõe engenhosamente um filme com nervo, sentido estético, e simultaneamente cómico, trágico e apaixonado.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:28 link do post
04 de Maio de 2008

A queda de um anjo (quando se põe a brincar com coisas sérias)

 

 

Por causa da versão-rebuçado (que já começa, para mim, a ser um bocadinho irritante) que a menina-bonita do cinema e musa de Woddy Allen, Scarlett Johansson, fez para «Falling down» do genial Tom Waits e, acima de tudo, pelo que se tem comentado aqui:

 


 

 

 

 

 

apetece-me perguntar:

Quantos prestaram, na altura em que foi editado (1995), a devida atenção ao álbum «Temptation», inteiramente preenchido com versões que Holly Cole fez de canções do artista norte-americano, acompanhada por Aaron Davis e David Piltch, esse sim, indiscutivelmente, um disco merecedor dos maiores elogios, e que, segundo me parece, já foi lançado para o esquecimento. 

 

 

 

 

 

 

E, já agora, quem ouviu «Christmas card from a hooker in Minneapolis» na voz de Neko Case?

publicado por adignidadedadiferenca às 23:04 link do post
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