a dignidade da diferença
10 de Maio de 2008

Hedningarna (discografia de 1992 a 1994), os anos em que a Escandinávia tomou conta, musicalmente, do resto da Europa

 

Depois do(a)s Varttina chegou a vez de cumprirmos a promessa. Dos vizinhos do lado, veio uma ambição claramente mais futurista, acompanhada pela loucura da transgressão e da inovação.

Maquinaria electrónica, instrumentos criados no momento para dar corpo e resposta às ideias do grupo, que passavam por uma fase de constante ebulição.

E para o fim fica, talvez, o mais importante: O respeito (ainda) pela tradição, apesar do inacreditável carregamento explosivo e a certeza de termos sentido, pelo menos em «Kaksi!», o espírito de Jimi Hendrix a pairar sobre todas as músicas (e no concerto que deram em Algés, a espremer a gaita-de-foles de Anders Stake).

 

A tradição virada do avesso por uma atitude rock'n'roll - também lhe chamaram pós-punk - em comunhão perfeita com uma perspectiva de fim de milénio (que se aproximava, inevitavelmente).

 

Resta falar da extraordinária semelhança entre o conjunto de vozes femininas, verdadeiramente viciantes, e ainda a mesma celebração - quase como se se tratasse de um ritual -, que ambos os grupos sentiam pela música e pela vida.

Se foram concebidos na sua terra natal, tanto os álbuns das (ou dos) Varttina como os dos Hedningarna, atravessaram todas as fronteiras existentes na folk e deram expressão real ao conceito «música do mundo», que, a partir de então, nunca mais foi o mesmo.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:12 link do post
09 de Maio de 2008

 

Varttina (discografia de 1992 a 1994), os anos em que a Escandinávia tomou conta, musicalmente, do resto da Europa

 

 

Por esta altura, existia na Europa e dentro do género «world music», ou música tradicional, muitas e óptimas possibilidades de escolha. Desde os Lo Jai, passando por La Ciapa Rusa, Gabriel Yacoub (dos excelentes Malicorne), Riccardo Tesi, Taraf de Haidouks, Quintet Clarinettes, até aos Perlinpinpin Folc, Múzsikas e tantos, tantos outros. Uns com uma visão mais purista da tradição, outros mais arrojados e arriscando pisar o futuro, mas todos com uma intuição e atitude perante a música, consideravelmente inventiva.

 

Contudo, foi preciso esperar pela chegada das (ou dos) Varttina e, principalmente, dos Hedningarna (de quem falaremos a seguir), para que a bússola musical apontasse definitivamente a norte e fizesse chegar da Finlãndia e da Suécia, o que ainda não tinha sido escutado pelos nossos ouvidos.

 

A música das Varttina, aparentemente, não parece fugir muito do registo tradicional imaculado, mas, após algumas audições mais atentas, o que se começa a revelar é uma espantosa dose de extroversão, fazendo de cada actuação uma celebração efusiva e irresistivelmente festiva.

Música exuberante e universal onde, por aqueles dias, habitava uma energia ímpar em que um belíssimo conjunto de vozes tomava as rédeas da ebulição instrumental e voavam, literalmente, sobre o mundo.

Absolutamente imprescindíveis.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:43 link do post
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