a dignidade da diferença
02 de Julho de 2015

 

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Constituído por Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, este grupo carrega consigo o peso excessivo que a denominação PIIGS lhe confere porque se trata de um conjunto de países caracterizado pela posição extremamente precária em que se encontra dentro da Zona Euro, por força de uma deficiente estratégia no que respeita aos gastos públicos, certificada por um endividamento excessivo e progressivamente descontrolado. Embora corra o risco de generalizar, até porque as suas crises têm natureza distinta, estes países possuem presentemente um elevado rácio dívida pública/PIB (produto interno bruto), bem como um défice orçamental excessivo tendo em consideração a capacidade da sua economia. Os recursos, por sua vez, são cada vez mais limitados. Da conjugação de todos estes factores resulta um agravamento da sua situação económico-financeira, penalizada pela crescente desconfiança dos potenciais investidores financeiros. Os problemas dos países da Zona Euro são bastante profundos. São problemas estruturais os que afligem as economias destes países: os gastos são superiores ao rendimento obtido, as contas correntes sucessivamente deficitárias circunscreveram a sua população a um regime de austeridade para a qual não encontram saída, agravado, desde a crise do subprime, pela tomada de medidas precipitadas - impostas por tecnocratas de instituições europeias muito pouco democráticas - com vista à sua resolução, aumentando o défice dos Estados. Para a referida crise das dívidas soberanas contribuiu significativamente a posição dos Estados Membros excessivamente dependente das instituições da União Europeia. Dependência económica e política que começou a emergir com a perda de uma fatia considerável da sua soberania desde que estes países aderiram à união económica e monetária, abdicando de um dos símbolos mais estreitamente ligados à soberania nacional: substituir as moedas nacionais pela moeda única (o euro). Será que a curva deficitária terá colocado os PIIGS num beco sem saída? Para estes países, de facto, não se augura nada de bom no futuro. Dependem excessivamente da ajuda financeira externa e estão integrados numa organização regional constituída por países cuja maioria (como maior peso decisório) hesita em prestar o auxílio necessário. O que, infelizmente, nem surpreende: têm passados diferentes, alianças diferentes, interesses e objectivos diferentes, revelam-se incapazes de criar um espaço comum homogéneo e solidário, transformando a União Europeia num projecto artificial agravado pela precipitada construção da última fase de integração. A adesão da maioria dos Estados Membros a uma moeda única quando as respectivas economias se encontravam (e ainda encontram) em diferentes estádios de desenvolvimento haveria, mais cedo ou mais tarde, de os conduzir a uma situação de ruptura e desentendimento que se agravou com a acelerada perda de soberania, ilustrada pela transferência dos poderes nacionais para as instituições da União Europeia. Confiscada essa soberania (para o bem e para o mal), as crises mais apertadas e os problemas mais urgentes deixaram de poder ser resolvidos autonomamente, dependendo no contexto actual de vontades políticas e económicas contraditórias e exteriores. Em suma, se os países do sul da Europa (mais a Irlanda) sinalizam, em certa medida, a decadência de uma talhada significativa das democracias ocidentais – neste caso, europeias -, com uma série de debilidades estruturais que, não obstante a sua natureza distinta, colocam imensas dúvidas no plano da sua sobrevivência política, social e económica, esses sinais agravam-se por sucessivos resgates financeiros – com diferentes patamares de (in) cumprimento, é certo (a Irlanda já aparece com um pé de fora...) – que não têm dado a resposta necessária por falta de unidade e solidariedade, de uma visão política e económica amadurecida e homogénea, e pela miopia ideológica das sucessivas troikas, aplicando sucessivamente a mesma receita em doenças de natureza distinta, por mais comprovada que esteja a sua ineficácia.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:31 link do post
21 de Novembro de 2011

 

O outono quente do Dragão...
 

A crescente complexidade do funcionamento do capitalismo financeiro, agudizada pela preocupante demonstração de incapacidade humana para compreender todas as fases do seu processamento e adoptar uma estratégia para ultrapassar as suas gravíssimas consequências, levou ao completo desnorte dos mercados financeiros e abriu brechas profundas na estrutura económica e política a nível mundial. E enquanto isso acontece, a União Europeia, amarrada à sua política económica e monetária, ainda procura perceber até que ponto os efeitos da globalização - a progressão económica de países emergentes como o Brasil, a China ou a Índia (resta saber se acompanhada por uma melhoria concreta das condições de vida da sua população), a qual obriga a um reequilíbrio estrutural que tornará inevitavelmente mais pobre o futuro dos países ocidentais e mais precário o seu modelo social democrático – farão diminuir a influência, a todos os níveis, do velho continente e empobrecer a sua população. A preocupação perante o esgotamento e os abusos da democracia representativa é geral, a revolta perante as medidas de austeridade começa a dar sinais visíveis nalguns países – com a Grécia à cabeça -, mas até à data Portugal mantém-se como uma honrosa excepção. Como diria o Sr. Kröger, aqui só há gente boa. Gente boa, o caraças! Aguentamos civilizadamente o corte nos salários, o aumento do desemprego, a irresponsabilidade política e criminal, o estado calamitoso da Justiça; até o desaparecimento dos subsídios de férias e de natal. Mas perder um jogo de futebol com a Académica é que não pode ser. Aí temos que dizer basta! Suportamos o neoliberalismo do Pedro Steps Rabbit e a folha de cálculo do Sr. Gaspar. O Vítor Pereira, não! Como sempre, aí estamos nós na vanguarda da contestação social…

04 de Maio de 2011

 

 

Os economistas norte-americanos Paul Krugman e Joseph Stiglitz – ambos já receberam o Prémio Nobel da Economia – criticam asperamente os planos de austeridade preconizados pelos países da União Europeia, os quais, segundo eles, vão afectar profunda e negativamente as respectivas economias. A explicação é muito simples: para Stiglitz, as medidas tomadas são excessivas e irão provocar um esperado travão na economia europeia. Segundo Krugman, haveria, em primeiro lugar, que dar lugar à criação de emprego, e, posteriormente, então sim, tomar as medidas adequadas para reduzir o défice. Os cortes na despesa do Estado e os aumentos tributários condicionarão ainda mais as economias, aumentando o desemprego. Ora, à medida que há um decrescimento económico, a poupança conseguida com a redução da despesa é parcialmente anulada com a redução das receitas. As medidas tomadas são, na óptica daqueles senhores, muito auto-derrotistas, os cortes públicos e o aumento das taxas de juro irão afectar negativamente as economias dos Estados-Membros da União Europeia. Agora que parece haver acordo com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia, não fica mal reparar nesta perspectiva diferente e, aparentemente, mais ousada, de enfrentar os problemas. De qualquer forma, adoptando uma ou outra das perspectivas, não se sai desta crise sem uma mudança profunda de mentalidades. Pois bem, essa mudança é  não só a mais difícil de fazer, como a que está ainda por fazer. E, nessa matéria, não há Troika que nos salve…

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:08 link do post
16 de Abril de 2011

 

 

Os sinais são cada vez mais preocupantes. A nossa classe política dá mostras de uma incompreensível irresponsabilidade, arrogando-se no direito de ir sacudindo a água do capote na questão da negociação da dívida com o FMI e a União Europeia. As mentiras da nossa classe dirigente – a dos dois maiores partidos – sucedem-se em catadupa, seja na forma como foi dado conhecimento ao PSD do PEC4, seja nas circunstâncias em que ocorreu a reunião do Conselho de Estado com o nosso Presidente da República, após a convocatória deste. A Europa dos 27 revela-se perigosamente desunida e é o próprio FMI que, contra a posição da União Europeia, assume a preocupação de «proteger» os interesses de Portugal, na medida em que defende o prolongamento da ajuda externa e o pagamento do empréstimo a uma taxa de juros mais reduzida. Se a tudo isto acrescentarmos o inenarrável congresso socialista do passado fim-de-semana, as dúvidas legitimamente levantadas sobre a verdade das nossas contas públicas, ou, por exemplo, as indignas jogadas estratégicas político-partidárias com o único objectivo de se conquistar mais uns votos, à custa precisamente daquele que se intitulava como alternativa aos candidatos do sistema, só podemos tirar uma conclusão: isto vai de mal a pior, a nossa imagem é a de um país miserável e pedinte, e não se afigura fácil a caminhada que permita ao Estado satisfazer, pelo menos, os compromissos mais básicos e urgentes. Os nossos credores elegeram-nos como o alvo a abater e nós, no meio de tanta leviandade, salvo raras excepções, ainda não percebemos que os custos serão insustentáveis pois não teremos capacidade para os pagar…

publicado por adignidadedadiferenca às 23:48 link do post
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