a dignidade da diferença
11 de Setembro de 2011

 

 

A primeira série servia-se dos grandes acontecimentos históricos como muleta para o desenvolvimento ficcional. Sabemos da existência da terceira parte, mas confessamos que nunca lhe passámos os olhos por cima. Mas o quotidiano vivido pelo núcleo fundamental de personagens na Munique dos anos 60, narrado em Heimat II, dificilmente esqueceremos. A raiz popular, o destino individual dos protagonistas, os seus amores, a amizade e a música que os une, as suas esperanças e decepções, as ilusões, a separação dos caminhos inicialmente comuns, todos estes factores compõem a matriz, a estrutura ficcional, desta série fabulosa. Parece uma telenovela? Talvez. Mas a estilização e a pertinência dos planos, trabalhados por quem rejeita que a sua importância seja medida ao minuto, o sentido estético, a ambição artística, a profundidade temática – que só raríssimas das melhores séries norte-americanas conseguem alcançar -, a inteligência e o cuidado formal revelados no uso dos materiais fílmicos, escapam notavelmente ao conformismo estético e à banalidade narrativa comuns às telenovelas.

 

 

Recordamo-nos que Heimat II passou na RTP2, no início dos anos 90 (Heimat I também fora exibida no canal público), mas, agora, quem teria coragem para incluir esta série na sua programação? A terceira parte, pelo menos, porque nunca foi apresentada. Infelizmente, os canais privados estupidificam quem os procura com a mediocridade generalizada dos seus programas, onde vence a humilhação pessoal e a divulgação da vida íntima das pessoas. Resta o segundo canal da televisão pública (ou, talvez, a RTP Memória…), mas este tornou-se numa autêntica manta de retalhos. Não há uma divulgação cultural minimamente reflectida. Não assistimos a uma organização temática sobre cinema, documentários, teatro, ópera, ballet, música clássica ou popular, política ou literatura. Assim, como facilmente se percebe, dificilmente voltaremos a ter na sua programação uma série como Heimat.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:07 link do post
27 de Maio de 2009

 

Sim, nesta eu também alinho.

 

Por ordem alfabética:

 

Blackadder - A língua mais viperina da história da televisão e o único Rowan Atkinson essencial.

 

Columbo - Confirmei há pouco. Sim, ainda mantém todo o fascínio.

 

Empire Falls - Uma mini-série de 2 episódios majestosamente dramática. E foi a última vez que vi Paul Newman.

 

Fawlty Towers - O humor em absoluto estado de (des)graça.

 

Lipstick on Your Collar - O genial argumento de Dennis Potter numa série com preocupações formais e estéticas muito próximas do cinema, e em glorioso technicolor.

 

Monty Python's Flying Circus - Vale o que disse para Fawlty Towers.

 

Once and again - A dignidade de podermos refazer os passos dados em falso.

 

Six Feet Under - A perfeição absoluta. E, por uma vez, o agente funerário é a mais bela profissão do mundo.

 

The Sopranos - Taco a taco com Six Feet Under para a eleição de melhor série de sempre. Nunca os personagens foram tão inesgotáveis como nesta série prodigiosa.

 

Twin Peaks - Quando Lynch trouxe os seus magníficos pesadelos para o ecrã de televisão.

 

Passo a quem quiser continuar a corrente.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:32 link do post
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