a dignidade da diferença
27 de Novembro de 2011

 

 

Após a edição portuguesa dos notáveis Fome e Pan, de cuja relevância literária já aqui falámos, a obra de Knut Hamsun - Victoria, no caso presente - teve direito a mais uma publicação nacional cuja responsabilidade esteve mais uma vez a cargo da editora Cavalo de Ferro. As preocupações narrativas do genial escritor norueguês estão, neste livro, bem distantes do universo angustiante, alucinado, solitário e de obsessiva vagabundagem atravessado pelo protagonista de Fome, mas, em contrapartida, apesar de nem sempre serem convergentes as coordenadas estéticas, aproximam-se onsideravelmente do denso retrato psicológico das personagens de Victoria e das suas trágicas paixões. Knut Hamsun, numa linguagem que nos desarma pela simplicidade assumida configurando imagens de grande beleza narrativa, aprofunda, numa história banal e de contornos facilmente reconhecíveis, a tragédia e a obsessão do amor impossível que consome Johannes e Victoria, transformando milagrosamente um aparentemente banal conto de fadas numa divagação assombrosa por retratos subjectivos de grande rigor e intensidade psicológica numa relação fremente com a natureza que os envolve. Uma obra admirável que fará em absoluto parte do balanço final de 2011.

publicado por adignidadedadiferenca às 00:58 link do post
28 de Setembro de 2011

 

Elias Canetti, prémio Nobel da literatura, romancista e ensaísta, nascido em 1905, numa pequena cidade portuária da Bulgária (Ruse) - autor cuja importância foi comparada à de alguns dos maiores escritores do século XX como, por exemplo, o genial Robert Musil (autor desse espantoso e incompleto O Homem Sem Qualidades), Hermann Broch, ou Karl Kraus -, escreveu um único romance intitulado Auto-de-Fé, objecto literário singularíssimo, assente no original percurso linguístico do seu autor, que, a crer no que sobre ele se escreveu, reflecte uma visão avassaladora do mundo, centrando-se nesse verdadeiro auto-de-fé como é a destruição de livros, e narrando a trágica história do protagonista, o filólogo Peter Kien, mais a sua imparável descida ao inferno. Desconhecíamos até à data a sua obra, mas ficámos com imensa vontade de ler esta obra, sobretudo pelo que revela a contracapa do livro:

 

 

Auto-de-fé narra a história do professor Peter Kien, erudito especializado em sinologia, proprietário da maior biblioteca privada da cidade. É no seu apartamento, rodeado de livros, que Kien se refugia, evitando todo e qualquer contacto físico e social. Misantropo, solidário, excêntrico, Kien é um ser «composto de livros», interpretando o mundo através da sua vasta biblioteca, que transporta zelosamente consigo, armazenada no interior da sua cabeça. O ponto de viragem da sua vida é o casamento com Teresa, a sua ignorante e ávida governanta. Expulso da sua própria casa, Kien é obrigado a percorrer o mundo exterior, travando conhecimento com inúmeros dos seus personagens, que o acompanharão neste seu longo exílio. Figuras sombrias, medíocres, grotescas e memoráveis, como o anão Fischerle e a prostituta, sua mulher, ou o porteiro Pfaff. Pela mão destes, Kien, julgando controlar a situação, descerá pouco a pouco ao inferno, apressando o passo para um final sublime e trágico: um verdadeiro auto-de-fé.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:27 link do post
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