a dignidade da diferença
27 de Outubro de 2013

 

 

Morreu, com 71 anos de idade, Lou Reed. Um músico genial, inventor, entre outras coisas, com os Velvet Underground, do conceito de música alternativa e criador de um estilo tantas vezes imitado: a poesia underground, uma visão da música simultaneamente selvagem, primitiva, lírica e erudita, o olhar cínico, sombrio e realista de cronista contemporâneo, o canto quase falado e uma maneira original, económica, rugosa, seca e, por vezes, brutal, de retocar os três acordes básicos do rock’n’roll. Para a história da música popular ficam, no mínimo, com os Velvets, The Velvet Underground & Nico, White Light/White Heat, VU ou Live MCMXCIII. A solo ficam, por sua vez, Transformer, New York, Songs For Drella (escrito a meias com John Cale, o seu irmão desavindo), Magic And Loss ou The Raven (talvez a sua obra-prima). Mas seria imperdoável esquecer álbuns do calibre do terceiro dos Velvet Underground, de Street Hassle e The Blue Mask (estes dois últimos a solo); ou ainda um punhado de grandes canções irregularmente distribuídas por cerca de três dezenas de álbuns.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 18:39 link do post
30 de Setembro de 2013

 

Embora tardia, deixo-vos aqui a minha derradeira homenagem ao poeta, ensaísta e tradutor António Ramos Rosa (1924-2013), Prémio Pessoa em 1988, e à sua magnífica e duradoura obra, enraizada numa persistente procura de um espaço livre e focada numa angústia existencial amarrada ao absurdo da vida. Um autor imenso cuja trajetória literária exibe um distanciamento e um assinalável desprezo pela vida, envoltos num mundo inesgotável de interrogações e variações estéticas, seladas pela energia, pela complexidade e pelo aperfeiçoamento da palavra. Quase Nada ou Nada, poema publicado em 1979, é um exemplo feliz do percurso estético e literário que, muito resumidamente, vos acabei de descrever.

 

 

Por quase nada ou nada

que junção de alegria corpo e terra

que mão sobrou entre as ruínas

que braço ainda respira sobre as pedras?

Isto é uma árvore ou a sombra de umas ancas?

Isto é a terra ou o suor dos ossos nus?

 

Ainda dirias aqui a sombra azul?

Que mulher te acompanha até ao muro?

Isto é um mar ou um nome sem espessura?

 

Por quase nada, uma sombra apenas,

uma sombra de quê, breve horizonte, altura

ou boca unida ainda à árvore obscura

ou só a mão que sobra entre ruínas.

 

Por nada eu te diria,

Por um espasmo de frescura nas palavras,

ó voz entre formigas,

ó forma de desejo já perdida,

ó junção da terra ao corpo em que respiras!

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:10 link do post
18 de Junho de 2010

O adeus definitivo do nosso único prémio nobel da literatura.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:30 link do post
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