a dignidade da diferença
31 de Agosto de 2011

 

 

America über alles! Sorrisos, risinhos. Momentos de silêncio, e depois… o maestro Botstein compromete-se, espontaneamente, a apoiar o «relançamento» de Enescu no mundo. Solicita uma proposta detalhada para a reestruturação e informatização do arquivo, para o relançamento das gravações, para a edição e difusão internacional da obra e para o início de uma biografia monumental sobre o compositor. Uma batuta imaginária eleva, em crescendo, o apelo do maestro. «Se conseguirmos levar toda a obra enesciana para as salas de concerto, então a história da música deste século reservará a Enescu um lugar ao lado de Bartók e Szymanovski. O século está, como sabem, sob a obsessão Schönberg-Stravinski. Bartók marginalizado, por ser húngaro, Enescu, por ser romeno, os americanos, por serem americanos. Esta visão vai mudar. Enescu não vai mais ser visto como um exótico, mas sim como o mestre das sínteses, um criador de originais ideias musicais. A Polónia comunista adoptou Chopin, a República Checa adoptou Smetana, e não Dvorak, os húngaros tiveram problemas com Bartók, até que Kodály interveio em seu favor. Enescu precisa de uma reentrada gloriosa no mundo! É um momento oportuno apressemo-nos.»

Norman Manea, «O Regresso do Hooligan», tradução de Carolina Martins Ferreira

 

 

13 de Novembro de 2010

 

 

A propósito da quarta edição do Estoril Film Festival. A decorrer entre os dias 5 e 14 deste mês, por onde passou o magnífico documentário do romeno Andrei Ujica The Autobiography of Nicolae Ceausescu - retrato cru e realista do regime político do ditador, assente na impressionante força narrativa das imagens -, não posso deixar passar a oportunidade para aconselhar o igualmente magnífico livro de Norman Manea O Regresso do Hooligan, publicado no nosso país pelas Edições ASA, do grupo LEYA, em que o regresso do autor ao seu país natal provoca uma descrição torrencial de um caderno de recordações: a infância interrompida pela deportação para um campo de concentração, o entusiasmo pelo comunismo, do qual se foi distanciando, a vida limitada pela ditadura de Ceausescu, a literatura e as dificuldades vividas no meio intelectual e, por fim, a opção final pelo exílio político. Somos então cúmplices do olhar denso e da escrita admirável do escritor sobre um pesadelo vivido num território de sombras, um retrato profundamente humano e com uma carga emocional assinalável, crítica certeira, filosófica e história, ao totalitarismo e aos imensos males que gerou. Uma obra-prima da literatura, testemunho impressionante de quem procurou ser livre num mundo de asfixia.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 12:35 link do post
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