a dignidade da diferença
29 de Dezembro de 2012

 

Tendo em conta a dimensão estratosférica de obras que foram publicadas durante o ano e a impossibilidade física de aceder a um número mínimo exigível que permitisse ficar com uma perceção razoável daquilo que foi acontecendo de relevante no domínio da criação literária, apresentar uma lista dos melhores livros do ano será uma tarefa perfeitamente estúpida, ingrata e inútil. Na melhor das hipóteses, sem cair no ridículo, apenas poderei destacar daquilo que li os poucos livros que me agradaram (doze no total, uma média de um livro por cada mês do ano, incluindo novas edições, reedições ou primeiras edições de livros antigos). É o que farei.

 

A Economia dos Pobres, Abhijit V. Banerjee/Esther Duflo

 

O Legado de Humboldt, Saul Bellow

 

Obra Poética Vol.1, Jorge Luis Borges

 

Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoievski

 

Poeira da Alma, Nicholas Humphrey

 

Os Manuscritos de Aspern, Henry James

 

Sobre a Balsa da Medusa, Anselm Jappe

 

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman

 

Mel, Ian McEwan

 

A Noite dos Proletários, Jacques Rancière

 

Do Natural, W. G. Sebald

 

Steve Sem-Sandberg, O Imperador das Mentiras

 

26 de Maio de 2012

 

 

Após ter colocado o conceito de inteligência emocional na ordem do dia, revelando a sua importância e o seu sentido no magnífico O Erro de Descartes, António Damásio, distinto e premiado neurologista, regressa, com O Sentimento de Si, ao estudo da emoção e do sentimento, amplia o seu conhecimento, caracteriza as suas funções, os mecanismos, e estabelece um novo paradigma para a sua representação. Mas o livro vai muito mais longe pois Damásio não se fica por aqui; à luz de uma perspetiva neurobiológica, investiga e aprofunda a consciência humana como fenómeno absolutamente pessoal e distinto da mente, e combina-o com a construção cerebral de padrões mentais para um determinado objeto relacionada com o sentido do si no ato do seu conhecimento. Reflete, em suma, sobre a finalidade da consciência, busca-lhe o significado, esclarece as consequências que traz para o relacionamento humano e avalia os seus méritos e limites. Se os temas que o autor traz à colação já merecem, por si só, ser destacados, mais assinalável é conseguir fazê-lo numa linguagem tecnicamente precisa e intuitivamente poética. Uma obra admirável, de partilha e responsabilidade mútua entre o autor e o seu leitor - nesse sentido, um livro de Damásio tem sempre uma natureza sinalagmática -,  que pode ser lida, agora, em paralelo com o mais recente e igualmente notável Poeira da Alma, de Nicholas Humphrey.

31 de Março de 2012

 

«O resultado é que Poeira da Alma, que se inicia com as questões mais básicas acerca da natureza da perceção e da sensação conscientes, torna-se uma obra sobre a evolução da espiritualidade e sobre o modo como os humanos se instalaram naquilo a que chamo o nicho da alma. Embora eu não tenha qualquer crença no sobrenatural, não apresento desculpas para repor na alma onde estou certo de que é o seu lugar: no centro dos estudos da consciência. Mesmo assim, embora a obra termine debruçando-se sobre muitas preocupações humanas familiares, não se deve esperar que seja de leitura fácil. Houve trabalho que tive de desenvolver, e também será necessário que o leitor faça o mesmo. As respostas a que chego são por certo distintas das que a ciência tem apresentado. Tenho de admitir que, por si só, isto não é uma recomendação. Por certo que a ciência pretende ser mais cumulativa do que revolucionária. Porém, quando a investigação anterior sobre a consciência não produziu quase nada como resposta às grandes interrogações das pessoas sobre o mistério da sua experiência, talvez já não possamos continuar a confiar na ciência como estamos acostumados a fazer. O mundo material dotou os seres humanos de almas mágicas. As almas humanas retribuíram o favor, lançando um sortilégio sobre o mundo. Para compreender esses factos assombrosos, convido-vos a dar início à leitura.»

«Poeira da Alma», de Nicholas Humphrey, tradução de Ana Falcão Bastos

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