a dignidade da diferença
23 de Maio de 2016

 

alexandre castro caldas.jpg

 

Como avisa o seu autor - o reputado neurologista Alexandre Castro Caldas -, as páginas deste livro não ambicionam dar uma resposta às perguntas que tantas vezes se colocam (quem somos, o que é o cérebro ou quais as suas funções?), pois pretendem apenas abrir as portas para a reflexão. Com efeito, o convite à reflexão proposto por Uma Visita Politicamente Incorrecta ao Cérebro Humano infere-se da sua abordagem a uma sequência de assuntos entre os quais sobressai a forma como acreditamos nas coisas, a relação das ideias com os sonhos, a interacção do cérebro com a informação adquirida, a falta de memória provocada pelas doenças do cérebro, a vontade e o livre-arbítrio, os desafios do cruzamento entre o natural e o artificial ou as interpretações transcendentes. Possuidor de uma rara aptidão para clarificar assuntos complexos sem perder a necessária capacidade analítica, Alexandre Castro Caldas, perfilhando o modelo da evolução das espécies, propõe aos seus leitores uma curiosa e por vezes fascinante expedição às origens do cérebro humano, suas características e limitações. Explica o seu funcionamento, aprecia o dinamismo dos instrumentos sensoriais ou cognitivos e divulga uma série de experiências e ideias que transmitam aos curiosos um maior conhecimento sobre a actividade mental ou, empregando as palavras do investigador científico, sobre o que temos «dentro da nossa caixa craniana».

26 de Maio de 2012

 

 

Após ter colocado o conceito de inteligência emocional na ordem do dia, revelando a sua importância e o seu sentido no magnífico O Erro de Descartes, António Damásio, distinto e premiado neurologista, regressa, com O Sentimento de Si, ao estudo da emoção e do sentimento, amplia o seu conhecimento, caracteriza as suas funções, os mecanismos, e estabelece um novo paradigma para a sua representação. Mas o livro vai muito mais longe pois Damásio não se fica por aqui; à luz de uma perspetiva neurobiológica, investiga e aprofunda a consciência humana como fenómeno absolutamente pessoal e distinto da mente, e combina-o com a construção cerebral de padrões mentais para um determinado objeto relacionada com o sentido do si no ato do seu conhecimento. Reflete, em suma, sobre a finalidade da consciência, busca-lhe o significado, esclarece as consequências que traz para o relacionamento humano e avalia os seus méritos e limites. Se os temas que o autor traz à colação já merecem, por si só, ser destacados, mais assinalável é conseguir fazê-lo numa linguagem tecnicamente precisa e intuitivamente poética. Uma obra admirável, de partilha e responsabilidade mútua entre o autor e o seu leitor - nesse sentido, um livro de Damásio tem sempre uma natureza sinalagmática -,  que pode ser lida, agora, em paralelo com o mais recente e igualmente notável Poeira da Alma, de Nicholas Humphrey.

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