a dignidade da diferença
19 de Outubro de 2014

os facilitadores.png

 

Sequência natural do anterior e igualmente meritório «Os Privilegiados», do jornalista Gustavo Sampaio, «Os Facilitadores», publicado no mês passado, prossegue o magnífico trabalho de investigação daquele. Se «Os Privilegiados» já nos oferecia uma notável visão panorâmica da promiscuidade entre o mundo da política e as actividades económico-financeiras, e entre as funções públicas e os interesses privados, na qual sobressai o tráfico de influências ou a rede de interesses convergentes entre a classe política, as empresas públicas e os negócios privados, o mais recente trabalho de Gustavo Sampaio investiga o sistema de correspondência entre o poder político, as sociedades de advogados e os interesses empresariais. O jornalista em regime «freelancer» mantém o seu «modus operandi»: sistematiza e revela as listas de clientes das maiores sociedades de advogados, a sua participação na produção legislativa ou na regulação, e a conexão político-empresarial – desde o recrutamento de políticos até à acumulação de cargos de administração nas grandes empresas. Colocando sucessivamente a questão sobre a causalidade ou a intenção nesta abundância de «padrões, coincidências e interligações», Gustavo Sampaio evita as ideias pré-concebidas e os juízos de valor, tratando o leitor com o respeito que este merece, permitindo-lhe tirar as suas próprias conclusões. Uma obra notável que evidencia a marca indelével de um sistema viciado e a sua viscosa realidade, onde as principais sociedades de advogados tanto representam o interesse público como o sector privado. Em ocasiões distintas ou em simultâneo, entre pontenciais e previsíveis conflitos de interesses.

02 de Maio de 2010

 

Para quem pensava que o problema da Igreja era só a pedofilia, aqui vai mais uma acha para a fogueira, retirada do semanário Expresso, de cuja notícia deixo um breve, mas significativo, resumo.

 

«Dentro das malas [com o arquivo completo das finanças do Vaticano e, em especial, do Instituto das Obras Religiosas (IOR)] estava o arquivo pessoal de monsenhor Renato Dardozzi. A sua especialidade era evitar que assuntos financeiros degenerassem em escândalos. Sob o título Vaticano, S.A., Gianluigi Nuzzi reconstitui num livro parte do que aconteceu entre 1980 e 2000. A revelação mais importante é que foi constituído um IOR paralelo que chegou a movimentar € 270 milhões. A rede paralela terá sido criada por monsenhor Donato de Bonis, já falecido, prelado do Banco. Os documentos do arquivo incluem cartas do presidente do IOR, Angelo Caloia, dirigidas ao Papa ou ao secretário de Estado, alertando para as ilegalidades que ia descobrindo. Numa delas afirma que os títulos emitidos pelo IOR reflectem pagamentos ilegais a políticos, com montantes que depois lhe foram devolvidos limpos. A partir do arquivo e de outras fontes, Nuzzi reconstitui a existência, no IOR, de contas bancárias de Vito Ciancimino, o já falecido presidente da Câmara de Palermo, condenado pelas suas ligações à Cosa Nostra. As cartas do alarmado presidente do banco do Papa referem os nomes insólitos dos titulares das contas pelas quais passava dinheiro sujo: Mamã de Bonis, Luta contra a leucemia, Missas, Meninos pobres, Manicómios».

Ler também aqui.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 02:07 link do post
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