a dignidade da diferença
26 de Janeiro de 2013

 

 

Num dos seus filmes mais intrinsecamente cinematográficos, Rear Window (Janela Indiscreta, no título português), Alfred Hitchcock projeta o mundo à imagem do protagonista principal, numa das obras em que este tem uma conexão mais profunda com o espectador. Se no plano puramente cinematográfico, no qual a montagem assume um papel essencial para condicionar a reação imediata do espectador cúmplice, o filme era já um prodígio, neste espaço interessa-me sobretudo avaliar até onde poderá ir a invasão da privacidade alheia ou como localizar e estabelecer a fronteira entre o que é admissível e o que é excessivo (por violar um imperativo ético ou moral). Hitchcock coloca, como poucos, o dedo na ferida; o mundo que o protagonista nos oferece é aquilo que ele vê «ao espreitar pelas janelas dos vizinhos». Podendo optar, os personagens do filme não deixam, contudo, de olhar. Como acontece, por exemplo, nessa cena lapidar onde Lisa, após criticar o comportamento de Jeff no momento em que este espreita o quarto do vizinho - denunciando a sua baixeza moral -, desvia o olhar para fixá-lo hipnoticamente entre as persianas do apartamento em frente, dedicando uma atenção exclusiva ao que se passa dentro das suas divisões. Cada um tira as conclusões que entender, mas, no fundo, somos todos voyeurs…

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:14 link do post
25 de Março de 2012

 

O genérico para filmes atingiu, na visão original e genial de Saul Bass, um novo e exigente patamar, conquistando uma nova dimensão e dignidade enquanto meio autónomo de expressão artística. Em dois minutos, Saul Bass resumia a essência do filme que antecipava, executando um trabalho gráfico e visual conciso, temático e vigoroso, notoriamente influenciado pelo surrealismo e pelo construtivismo russo, cujo precioso design introduzia, com assinalável regularidade, uma densidade psicológica rara neste tipo de exercício - essencial, por exemplo, na sua colaboração com Alfred Hitchcock -, no qual sobressaía um apuradíssimo sentido estético e uma enorme beleza plástica. Ian Albinson recordou o seu magnífico trabalho - cujos elementos dissonantes conferem à sua obra uma novidade, uma dinânima e um ritmo muito próprios - nesta montagem (ou, melhor, compilação) que lhe faz uma mais que merecida homenagem (roubado aqui).

 

publicado por adignidadedadiferenca às 16:12 link do post
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