a dignidade da diferença
25 de Setembro de 2011

 

 

Como consequência natural da reunião ao vivo concretizada em 2010 no Noise Pop Festival (de S. Francisco), Thao Nguyen e Mirah gravaram esta obra belíssima, simplesmente intitulada Thao & Mirah, co-produzida por Merrill Garbus, autora, nos tUnE-yArDs, do notabilíssimo e primitivo Whokill. Thao & Mirah surpreende pela convivência algo inesperada duma folk minimal, enxuta e alternativa, com a aspereza, a pulsação rítmica e o silêncio dos Young Marble Giants, a secura artesanal da novíssima e excelente Laura Marling, ou, aqui e ali, uma piscadela de olho à pop molecular dos Stereolab - não por acaso, digníssimos descendentes das admiráveis miniaturas sonoras dos Young Marble Giants. Dito de outra forma: uma magnífica tela musical superiormente organizada em tons outonais, fruto de uma pessoalíssima e singular matéria musical em forma de rascunho, constituída por desenhos melódicos oblíquos e criativos, textos telegráficos, pequenas arritmias no uso dos materiais sonoros ou cativantes sussurros vocais, do género small is beautiful e sem deixar de fora uma militante opção pela independência musical. Música rara e emotiva como poderão confirmar na excelente actuação que tiveram no Kexp Studio e que aqui mostramos.

 

 

 

 

17 de Maio de 2011

 

 

2011 vai ser, em termos estritamente musicais, o ano internacional da mulher. Já tivemos direito à revelação Anna Calvi, aos regressos esplendorosos das veteranas Marianne Faithfull e June Tabor (mais a última do que a primeira), à plena confirmação de PJ Harvey, à folk impressiva de Rachel e Becky Unthank – diluídas nos agora The Unthanks –, e ao regresso fúnebre e estupendo de Nina Nastasia (o disco é de 2010, mas já o escutámos no decorrer deste ano). E se nos estendermos ao território nacional, não nos podemos esquecer, pelo menos, de mais um óptimo capítulo na consolidada carreira de Cristina Branco. Só faltava mesmo a magnífica explosão do mais recente trabalho de Merrill Garbus (ou tUnE-yArDs), o admirável e originalíssimo “Whokill”, onde existe um indisfarçável nexo de causalidade entre a acção exercida sobre o material sonoro - assente simultaneamente na tradição africana, no primitivismo e na sofisticação, projectados num espaço de ampla experimentação electrónica, organizados mentalmente por quem não dispensa em momento algum o ecletismo, o ritmo, o nervo e a verve melódica – e o resultado obtido, o qual nos conduz a uma viagem de enorme riqueza e alcance estético. Directamente para a lista dos melhores do ano.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:26 link do post
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