a dignidade da diferença
15 de Fevereiro de 2015

jorge buescu.png

 

«A matemática é, das áreas de expressão humana, uma das que melhor passam o teste da duração. Há afirmações matemáticas que provadas há vinte e cinco séculos que são tão verdadeiras hoje como eram quando foram estabelecidas. (…) O facto de as afirmações matemáticas terem prazos de validade superiores aos da maioria das outras, em particular as urgentes notícias do dia e crónicas da semana, precisa de uma explicação, que tem que ver com a própria natureza desta área do conhecimento. A matemática (…) não é a ciência das contas complicadas nem das figuras esquisitas. A matemática é a ciência das conclusões necessárias, das afirmações que se provam, com rigor lógico, a partir de outras anteriores. (…) A busca dessas afirmações, necessariamente anterior à prova, envolve muitas componentes, como a consideração de problemas em aberto, a intuição, as heurísticas, a indução a partir de casos particulares, o impulso abstractizante, a observação física, a simulação estatística ou computacional, a procura de padrões, a formulação de conjecturas. Tudo isto é parte importante da actividade matemática. Mas só depois do raciocínio lógico conclusivo há afirmações verdadeiramente matemáticas. O que distingue a matemática não é, então, o seu objecto, mas sim a metodologia de validação dos seus resultados. (…) A perenidade da matemática é um dos factores que tornam os textos de Jorge Buescu fascinantes. Ele conta-nos histórias surpreendentes, por vezes a partir de observações do mundo quotidiano, o que de resto ilustra mais uma vez a presença da matemática na vida.(…) Um divulgador é um “intermediário” entre o mundo da matemática e o grande público (…) Jorge Buescu é um tal intermediário. Mas é-o de um tipo especial, primeiro porque é um matemático a sério, e sabe do que fala, e depois porque não tem medo de abordar temas difíceis, o que faz de modo a não afugentar os leitores dispostos a não desistir ao fim da primeira página.»

João Filipe Queiró, Prefácio do livro de Jorge Buescu

07 de Agosto de 2010

 

«É sabido que só há uma maneira mais eficaz do que abrir um livro para evitar uma conversa numa sala de espera, que é abrir um livro de matemática. A simples menção da palavra «matemática» infunde calafrios, terror, e pode reconduzir o adulto mais seguro aos tremores de uma divisão com fracções e a outros pesadelos numéricos da infância. E apesar de o pensamento matemático ter deixado nas chamadas Humanidades as suas impressões digitais por todo o lado, dos pitagóricos ao Círculo de Viena, da aposta teológica de Pascal à ética segundo a ordem geométrica de Espinosa, dos primeiros princípios de Descartes ao teorema de Gödel, e apesar de a matemática ter provado ser ao longo da história uma ciência inacreditavelmente mutável e proteiforme, tudo parece ter sido em vão, e a imensa maioria continua a confundi-la com esse fragmento bastante enfadonho que se ensinava (ensina?) nos estabelecimentos do ensino secundário».

 

Martínez, Guillermo, Borges e a Matemática, 1.ª Ed., 2006, Âmbar, Trad. De Miguel Serras Pereira

 

publicado por adignidadedadiferenca às 15:58 link do post
26 de Agosto de 2008

 

Nuno Crato, célebre divulgador científico e matemático, professor de matemática e de estatística no ISEG, pró-reitor da UTL , para além de coordenador científico do centro de investigação Cemapre, foi premiado em 2003 com o primeiro lugar no concurso Public Awareness of Mathematics da Sociedade Europeia de Matemática e, mais recentemente – no último mês de Março – com um European Science Award (uff!). *

Mas o destaque que lhe dou neste espaço é motivado pela publicação pela Gradiva de dois belíssimos livros que assinou em 2007 e 2008, Passeio aleatório e A matemática das coisas, respectivamente.

Numa escrita clara e, ao mesmo tempo, transparente e certeiramente pedagógica, que revela, com marcante nitidez, um dom cada vez mais raro: o da facilidade e clareza de expressão; o autor transporta-nos, em Passeio aleatório, no seu jeito simples e convincente, para um mundo diferente cheio de referências e curiosidades científicas.

 

No livro A matemática das coisas, conta uma série de histórias matemáticas num tom coloquial e extremamente sedutor. Como se estivesse a participar numa conversa entre amigos sobre as coisas mais triviais que se passam no dia-a-dia. E o resultado pretendido é, claramente, conseguido.

Depois de percorridas todas as páginas dos dois livros, ficamos com a certeza de ter atravessado um dos caminhos mais originais e criativos sobre – atrevo-me a citar o autor - «tópicos tão diversos como os raios laser, os espelhos de Arquimedes, as luzes estranhas das discotecas ou a origem do clipe, as obras de Picasso, as transacções bancárias via internet, o número de portas das casas ou o papel A4».

Dois livros que, versando sobre temas complexos, se devoram com a maior das facilidades.

 

* Os dados sobre o autor foram retirados do livro «A matemática das coisas»

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