a dignidade da diferença
31 de Dezembro de 2012

 

Mantém-se o princípio que orientou a apresentação da lista dos meus livros preferidos, lidos durante o ano de 2012. E, dada a escassez de obras realmente interessantes, volto a conjugar filmes estreados nas salas de cinema com filmes editados no mercado de DVD, seguindo uma ordem alfabética. Não quero deixar de destacar, porém, o grande salto em frente que Miguel Gomes deu com o belíssimo Tabu, a notável edição a cargo da Midas Filmes da obra mais emblemática do húngaro Béla Tarr, ou a recordação do documentário de Marcel Ophuls Tristeza e Compaixão, admirável retrato de uma cidade francesa sob ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Por último, vale a pena recordar os prodigiosos filmes de Hitchcock e de Dreyer, cujos brilho, complexidade e intensidade demonstram ainda hoje que dificilmente serão meras peças de museu.

 

Moonrise Kingdom, Wes Anderson

 

Apollonide - Memórias de um Bordel, Bertrand Bonello

 

Cosmopolis, David Cronenberg

 

A Paixão de Joana D'Arc, Carl Th. Dreyer (DVD)

 

Tabu, Miguel Gomes

 

A Gruta dos Sonhos Perdidos, Werner Herzog

 

Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes, Alfred Hitchcock

 

O Gebo e a Sombra, Manoel de Oliveira

 

Tristeza e Compaixão, Marcel Ophuls (DVD)

 

5 Filmes de Glauber Rocha (DVD)

 

O Cavalo de Turim, Béla Tarr

 

Volume I, 4 Filmes de Béla Tarr (DVD)

 

17 de Dezembro de 2010

 

 

Acompanhando a sua louvável exibição nas salas de cinema, a Lusomundo acabou de editar, em DVD, as melhores obras, e estou a medir bem as palavras, do cinema português da primeira metade do século XX. Trata-se de Douro, Faina Fluvial (de 1931) e de Aniki Bóbó (de 1942), ambos realizados por Manoel de Oliveira. Se o cinema português, com as honrosas excepções de João César Monteiro e de Pedro Costa, raramente ultrapassou a mediania ou teve relevância estética suficiente para transcender o rotineiro fado nacional, a verdade é que, naquele tempo, com Manoel de Oliveira, não foi assim. O cinema português, ou melhor, este cinema português, estava sintonizado esteticamente com o que se fazia lá fora, respirava o ar da aventura e da modernidade. Dinâmico, vibrante, aprofundando a técnica da montagem e desenvolvendo o conceito de sinfonia da cidade, Douro, Faina Fluvial, na sua modernidade mostrava já tanto em curtos vinte minutos. Aniki Bóbó era diferente mas igualmente magnífico, verdadeira assombração num mundo poético de crianças, com histórias de medos e de desejos para adultos. Um realismo poético que não deixou descendência mas dele ficou o cunho da originalidade, da laboriosa mise-en-scène e do talento emergente de um cineasta que, no futuro, assinaria uma obra desigual e incompreendida, iluminada, porém, aqui e ali, por chispas de génio.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:36 link do post
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