a dignidade da diferença
31 de Dezembro de 2010

 

Para quem frequenta este blogue, com alguma assiduidade, o conceito ínsito à lista dos melhores do ano já não traz qualquer novidade; no mundo contemporâneo torna-se impossível nomear os melhores. O que talvez possamos conseguir é revelar um pequeno nicho de obras que nos marcaram durante o ano que agora finda, as quais gostaríamos de partilhar com quem nos visita e dá o prazer da sua companhia. Da ficção à poesia, do ensaio à filosofia, passando pela crítica literária ou pela divulgação científica, este ano trouxe-nos a edição de muitos e bons livros para ler: os clássicos do século vinte de Knut Hamsun e Nabokov, a idade de oiro da novela russa, a poesia de Emily Dickinson, Cervantes, Kierkegaard, o último e delicioso livre de Peter Carey, que nos devolveu o espírito de Tocqueville, o muito belo romance de Hélia Correia (único destaque português) ou, para terminar, a nobreza do ensaio e da crítica literária transmitida pelos melhores artesãos nessa área: George Steiner e James Wood. Passamos por tempos difíceis e conflituosos, mas, ainda assim, haverá sempre bons motivos para ler.

 

 

Peter Carey, Parrot e Olivier na América

  

 

Knut Hamsun, Pan

 

 

Søren Kierkegaard, Temor e Tremor

 

 

Norman Manea, O Regresso do Hooligan

 

 

Vladimir Nabokov, Desespero

 

 

Saltykov-Shchedrin, A Família Golovliov

 

 

Simon Singh, Big Bang

 

 

George Steiner, The New Yorker

 

 

James Wood, A Mecânica da Ficção

 

 

Dostoievski, Andréev e Tolstoi, Contos Russos

13 de Novembro de 2010

 

 

A propósito da quarta edição do Estoril Film Festival. A decorrer entre os dias 5 e 14 deste mês, por onde passou o magnífico documentário do romeno Andrei Ujica The Autobiography of Nicolae Ceausescu - retrato cru e realista do regime político do ditador, assente na impressionante força narrativa das imagens -, não posso deixar passar a oportunidade para aconselhar o igualmente magnífico livro de Norman Manea O Regresso do Hooligan, publicado no nosso país pelas Edições ASA, do grupo LEYA, em que o regresso do autor ao seu país natal provoca uma descrição torrencial de um caderno de recordações: a infância interrompida pela deportação para um campo de concentração, o entusiasmo pelo comunismo, do qual se foi distanciando, a vida limitada pela ditadura de Ceausescu, a literatura e as dificuldades vividas no meio intelectual e, por fim, a opção final pelo exílio político. Somos então cúmplices do olhar denso e da escrita admirável do escritor sobre um pesadelo vivido num território de sombras, um retrato profundamente humano e com uma carga emocional assinalável, crítica certeira, filosófica e história, ao totalitarismo e aos imensos males que gerou. Uma obra-prima da literatura, testemunho impressionante de quem procurou ser livre num mundo de asfixia.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 12:35 link do post
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