a dignidade da diferença
12 de Abril de 2015

 

Sem abdicar da matriz folk e maioritariamente acústica, eis um belo exemplo da mais recente (e óptima) Laura Marling eléctrica. Do novíssimo Short Movie... Depois do anterior e extraordinário Once I Was An Eagle, Marling lança um disco diferente, prosseguindo uma carreira muito consistente na qual o seu talento precoce permanece (praticamente) imaculado...

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:33 link do post
04 de Julho de 2013

 

 

A juventude de Marling ou a veterania de Parks. A instrumentação quase elementar da primeira ou o requinte orquestral e a maestria dos arranjos do segundo. A folk intensa e concisa de Laura Marling ou as sinfonias de bolso de Van Dyke Parks. Se a ideia parece consistir no confronto entre estes dois estilos de música aparentemente tão antagónicos, esse raciocínio está, porém, bem longe da verdade. Entre o percurso musical com origens na tradição folk, o crescimento precoce, a concisão, a clareza, a economia de meios, as emoções que jorram da matéria ficcional, o brio e a expressividade vocal de Laura Marling ou a sabedoria e a visão panorâmica, cinematográfica, majestosamente orquestral - na qual todas as peças se encaixam brilhantemente numa estrutura musical ilusoriamente fragmentada - do magnífico e injustamente pouco celebrado Van Dyke Parks, não é necessário optar: o melhor é escolher os dois. Escutem então (sem pausas) as suas mais recentes e meritórias gravações; o depuradíssimo e intenso Once I Was An Eagle de Laura Marling e o versátil e colorido Songs Cycle de Van Dyke Parks.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 22:59 link do post
13 de Novembro de 2011

 

 

Laura Marling é, com apenas 21 anos de idade, uma das mais expressivas e talentosas songwriters da actualidade. Umbilicalmente ligada à cena nu-folk londrina – seja lá o que isso for –, Laura Marling possui, desde já, um domínio perfeito da estética folk, cuja formação musical se desenvolveu, segundo a própria, através da escuta persistente das colecções de discos que os pais detinham. Herdeira da melhor tradição folk dos anos 60 e 70 do século passado e sobretudo do génio emocional transcendental de Judde Sill e de Leonard Cohen, filtrado por micro-explosões eléctricas que, em regime de usufruto simultâneo, coabitam com suaves melodias de feição acústica esventradas pelo cinismo e pela mordacidade dos seus (quase todos) magníficos textos, Laura Marling confirma, depois do anterior e igualmente notável I Speak Because I Can, um talento precoce que constrói um dos mais pessoais, emocionais, inventivos e intensos percursos musicais da actualidade, assente no entendimento correcto do uso que deve dar à sua voz como elemento adaptável às necessidades básicas da canção, acompanhado pelas enxutas, certeiras, maleáveis, tensas e sujas orquestrações instrumentais que dedicam uma especial atenção ao espaço, ao volume e à tonalidade. Um talento precoce que contribui para a consagração merecida daquele que, como vimos sublinhando há vários meses, deverá consagrar-se como o ano musical das mulheres, na medida em que ainda temos para acrescentar o regresso de St. Vincent, a dose dupla de June Tabor (desta vez com a Oyster Band, num registo folk-rock que perdeu o acento tónico que Freedom and Rain pôs no punk mas é igualmente brilhante) e o novo trabalho da magnífica Shara Worden (My Brightest Diamond).

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:50 link do post
25 de Setembro de 2011

 

 

Como consequência natural da reunião ao vivo concretizada em 2010 no Noise Pop Festival (de S. Francisco), Thao Nguyen e Mirah gravaram esta obra belíssima, simplesmente intitulada Thao & Mirah, co-produzida por Merrill Garbus, autora, nos tUnE-yArDs, do notabilíssimo e primitivo Whokill. Thao & Mirah surpreende pela convivência algo inesperada duma folk minimal, enxuta e alternativa, com a aspereza, a pulsação rítmica e o silêncio dos Young Marble Giants, a secura artesanal da novíssima e excelente Laura Marling, ou, aqui e ali, uma piscadela de olho à pop molecular dos Stereolab - não por acaso, digníssimos descendentes das admiráveis miniaturas sonoras dos Young Marble Giants. Dito de outra forma: uma magnífica tela musical superiormente organizada em tons outonais, fruto de uma pessoalíssima e singular matéria musical em forma de rascunho, constituída por desenhos melódicos oblíquos e criativos, textos telegráficos, pequenas arritmias no uso dos materiais sonoros ou cativantes sussurros vocais, do género small is beautiful e sem deixar de fora uma militante opção pela independência musical. Música rara e emotiva como poderão confirmar na excelente actuação que tiveram no Kexp Studio e que aqui mostramos.

 

 

 

 

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