a dignidade da diferença
17 de Maio de 2015

 

LOGICOMIX.JPG

 

A pretexto do combate que filósofos e matemáticos travaram, durante a primeira metade do século XX, em busca do fundamento lógico de toda a matemática, Logicomix , cujos conceito e história são da autoria de Apostolos Doxiadis e Christos H. Papadimitriou, ficciona fielmente a vida e o cruzamento de Bertrand Russell com uma série de intelectuais e pensadores que debateram semelhantes questões filosóficas, numa intrincada, fascinante, dinâmica e admirável estrutura narrativa - composta por diversos níveis de construção que, como referiu Jorge Buescu, entrelaçam subtilmente entre si e as ideias que procuram transmitir -, expondo, de forma rigorosa, desenvolta e surpreendentemente acessível no seu conteúdo, os elementos básicos de grandes formulações teóricas da matemática e da filosofia moderna, tais como os algoritmos, os axiomas, o cálculo de predicados, os fundamentos da matemática, a lógica, o paradoxo de Russell, a teoria da incompletude ou a teoria dos conjuntos, entre outras, configurando um exemplo superior de um género específico de banda desenhada: a novela gráfica, concebida, neste caso, como uma inesgotável fonte de conhecimento.

 

15 de Fevereiro de 2015

jorge buescu.png

 

«A matemática é, das áreas de expressão humana, uma das que melhor passam o teste da duração. Há afirmações matemáticas que provadas há vinte e cinco séculos que são tão verdadeiras hoje como eram quando foram estabelecidas. (…) O facto de as afirmações matemáticas terem prazos de validade superiores aos da maioria das outras, em particular as urgentes notícias do dia e crónicas da semana, precisa de uma explicação, que tem que ver com a própria natureza desta área do conhecimento. A matemática (…) não é a ciência das contas complicadas nem das figuras esquisitas. A matemática é a ciência das conclusões necessárias, das afirmações que se provam, com rigor lógico, a partir de outras anteriores. (…) A busca dessas afirmações, necessariamente anterior à prova, envolve muitas componentes, como a consideração de problemas em aberto, a intuição, as heurísticas, a indução a partir de casos particulares, o impulso abstractizante, a observação física, a simulação estatística ou computacional, a procura de padrões, a formulação de conjecturas. Tudo isto é parte importante da actividade matemática. Mas só depois do raciocínio lógico conclusivo há afirmações verdadeiramente matemáticas. O que distingue a matemática não é, então, o seu objecto, mas sim a metodologia de validação dos seus resultados. (…) A perenidade da matemática é um dos factores que tornam os textos de Jorge Buescu fascinantes. Ele conta-nos histórias surpreendentes, por vezes a partir de observações do mundo quotidiano, o que de resto ilustra mais uma vez a presença da matemática na vida.(…) Um divulgador é um “intermediário” entre o mundo da matemática e o grande público (…) Jorge Buescu é um tal intermediário. Mas é-o de um tipo especial, primeiro porque é um matemático a sério, e sabe do que fala, e depois porque não tem medo de abordar temas difíceis, o que faz de modo a não afugentar os leitores dispostos a não desistir ao fim da primeira página.»

João Filipe Queiró, Prefácio do livro de Jorge Buescu

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