a dignidade da diferença
20 de Abril de 2014

 

 

Aníbal Fernandes apresenta modelarmente Henry James como alguém que «escreveu ao contrário dos êxitos literários do seu tempo. Numa época de leitores a preferirem histórias com surpresas de percurso, pôs um grande talento de escritor ao serviço de uma corrente calma, discreta e a espalhar-se num extenso número de páginas, entravada por análises psicológicas de personagens distanciadas, na cultura e nos confortos, do homem mais comum nesse final do século XIX». Contudo, através da editora Sistema Solar, prefere, entre outras obras do celebrado escritor, publicar e traduzir magníficas ficções curtas tais como Os Manuscritos de Aspern, O Mentiroso e O Aperto do Parafuso. Se na verdade o autor não se estende nestas pequenas obras por um extenso número de páginas, também não perde nenhuma das suas principais características literárias. Sobrepondo sempre à história uma detalhada construção psicológica das personagens, Henry James acrescenta ainda uma esmerada elaboração coreográfica dos diversos conflitos, desenvolve o ritmo e a justa medida das frases, domina a elipse na perfeição, valoriza a substância e o sentido da prosa, descreve magnificamente os locais e revela, por fim, uma capacidade única para adaptar o espaço às necessidades de evolução dramática. Exemplar.

 

29 de Dezembro de 2012

 

Tendo em conta a dimensão estratosférica de obras que foram publicadas durante o ano e a impossibilidade física de aceder a um número mínimo exigível que permitisse ficar com uma perceção razoável daquilo que foi acontecendo de relevante no domínio da criação literária, apresentar uma lista dos melhores livros do ano será uma tarefa perfeitamente estúpida, ingrata e inútil. Na melhor das hipóteses, sem cair no ridículo, apenas poderei destacar daquilo que li os poucos livros que me agradaram (doze no total, uma média de um livro por cada mês do ano, incluindo novas edições, reedições ou primeiras edições de livros antigos). É o que farei.

 

A Economia dos Pobres, Abhijit V. Banerjee/Esther Duflo

 

O Legado de Humboldt, Saul Bellow

 

Obra Poética Vol.1, Jorge Luis Borges

 

Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoievski

 

Poeira da Alma, Nicholas Humphrey

 

Os Manuscritos de Aspern, Henry James

 

Sobre a Balsa da Medusa, Anselm Jappe

 

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman

 

Mel, Ian McEwan

 

A Noite dos Proletários, Jacques Rancière

 

Do Natural, W. G. Sebald

 

Steve Sem-Sandberg, O Imperador das Mentiras

 

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