a dignidade da diferença
14 de Agosto de 2014

  

 

Ricardo Rocha queixa-se de uma série de obstáculos técnicos da guitarra portuguesa, por ser «um instrumento extremamente limitado e cheio de falhas do ponto de vista técnico e dos sons que supostamente se querem ouvir mas que na prática não se conseguem ouvir porque não se conseguem fazer» (Público, de 20 de Julho). Não obstante, socorrendo-se da figura da heteronímia, cara a Fernando Pessoa, cria com notável engenho virtuosístico um quarteto de guitarras imaginário – segundo o autor, de impossível concretização prática imediata – que lhe permite aliviar as suas frustrações e superar as dificuldades levantadas pela execução do instrumento. Recuperando um conjunto de peças que tinha atirado para o fundo de uma gaveta, Ricardo Rocha contraria os seus justificados receios e grava Resplandecente, uma obra muito conseguida, de uma unidade espantosa, conciliando uma diversidade de estilos e idiomas musicais, atravessando os territórios do impressionismo, do romantismo e do minimalismo, onde sobressai o silêncio como elemento preponderante ou ponte de ligação entre sobreposições de escala e de padrões rítmicos e harmónicos, repetições à Steve Reich, escorreitos e tensos exercícios de convergência de «sonhos, cores, imagens e sensações» e minuciosas miniaturas de inegável valor expressivo.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:48 link do post
06 de Novembro de 2011

Carlos Paredes: Verdes Anos

 

 

Na sua exigente demonstração de virtuosismo ao serviço da substância musical, Carlos Paredes identificou, na profundidade das cordas de aço da sua guitarra portuguesa, o dramatismo, a distância e a alma do nosso pequeno país. As variações, dedilhadas num diálogo portentoso com o cúmplice Fernando Alvim – autor surpreendente do recente e notável Os Fados e as Canções do Alvim -, revelam os magníficos desenhos melódicos perfeitamente encaixados nas densas e originais estruturas harmónicas. Deixamos aqui este Verdes Anos, peça fundamental que integra o arco de preciosas improvisações que dão corpo ao sublime Guitarra Portuguesa, cujas gravações datam de 1967. Raros tiveram esta capacidade transcendente para deslocar musicalmente o eixo de Portugal e colocá-lo, por uma vez, bem no centro do universo.

 

 

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