a dignidade da diferença
31 de Dezembro de 2010

 

E depois dos livros, os filmes. Este ano não tive oportunidade de ver muitos, face às circunstâncias da vida, isto é, por força dos estudos, os quais me limitaram o tempo disponível para me dedicar a outras coisas. Ainda assim, vi uns quantos que deixaram as suas marcas. Fazem, por essa razão, parte desta pequena lista. E como os que vi nas salas de cinema foram em número reduzido, junto mais uma mão cheia de filmes editados em DVD. Eis, então, a minha lista.

 

 

Luís Buñuel, O Anjo Exterminador (DVD)

  

 

Sylvain Chomet, O Mágico

  

 

John Ford, O Homem Tranquilo (DVD)

 

 

Michael Haneke, O Laço Branco

 

 

Ernst Lubitsch, Uma Mulher Para Dois (DVD)

 

 

Brillante Mendoza, Lola

 

 

Roman Polanski, O Escritor Fantasma

 

 

Martin Scorsese, Shutter Island

 

 

Lee Unkrich, Toy Story 3

 

 

Raoul Walsh, Núpcias Trágicas (DVD)

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:12 link do post
14 de Fevereiro de 2008

Tenente Blueberry, de Giraud e Jean-Michel Charlier

 

 

Mais uma demonstração eloquente da relação directa entre BD e cinema, neste caso, com a criação de uma das mais consistentes e duradouras aventuras passadas no oeste americano.

 

 

 

Blueberry, um herói individualista e um militar rebelde, juntamente com Red Neck, McClure e Chihuahua Pearl, formam, com os índios e mais uns quantos seres solitários, um conjunto de excêntricas e raras personagens - a quem é atribuída uma dignidade fora do comum, como se pode ver, por exemplo, nas pranchas onde aquelas se destacam num fundo branco (ou ausência de cenário) -, apoiadas, quase sempre, num argumento fabuloso, nada habitual nas «histórias aos quadradinhos».

 

 

 

O talento dos autores cria uma obra com a dimensão da mitologia do western americano, seja nos textos e nos diálogos soberbos de Charlier, num estilo que lembra, por vezes, a secura e a crueza do film noir, seja no realismo e rigor gráfico de Giraud, clara e profundamente cinematográfico, caracterizado, como se pode constatar, pela influência do espaço Fordiano (o Monument Valley), pelas paisagens desertas e agrestes do território mexicano, pelo esplendor do cinemascope

 

 

 

e pela violência própria do western-spaghetti.

 

 

 

Com muitos e muitos volumes publicados, uma obra admirável para ser lida e apreciada lentamente, arrumando-se, por fim, junto aos verdadeiros clássicos (do cinema ou da literatura).

publicado por adignidadedadiferenca às 20:40 link do post
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