a dignidade da diferença
09 de Abril de 2012

 

 

A elevadíssima percentagem de chumbos no exame da Ordem dos Advogados (quase 60 %), que se realizou no final do estágio de acesso à profissão de advogado, é obviamente preocupante, mas não me surpreende. De facto, sem prejuízo da estratégia de fundo adotada pela Ordem e defendida pelo seu Bastonário - cuja essência assenta na polémica e prematura eliminação do maior número possível de candidatos ao exercício da respetiva profissão, na prossecução de um objetivo que poderá eventualmente estar relacionado com o desejável afastamento de potenciais concorrentes dos seus atuais associados -, parece-me evidente que à menor duração do curso [que passou de cinco para quatro anos e, nalgumas universidades, para três (!!!) anos] terá que corresponder uma menor preparação dos alunos. Se àquela acrescentarmos outras causas como, por exemplo, a eliminação das orais obrigatórias, o menor grau de exigência, o laxismo de alguns professores, a facilidade em copiar nos exames ou a substituição da leitura dos manuais pela leitura de resumos elementares da matéria dada, não será difícil concluir que os resultados obtidos estão dentro das previsões mais realistas. Pergunto, ainda assim, se a Ordem não poderá corrigir, até ao exame final, na medida em que a formação dada no estágio ocorre durante um período de dois anos, alguma impreparação dos seus estagiários e (alguns) futuros associados? E, já agora, atendendo a alguns murmúrios que se escutaram aqui e ali, será que o tipo de exame feito é o mais adequado para se apurar os conhecimentos e a preparação dos examinados com vista à prática futura?

publicado por adignidadedadiferenca às 23:38 link do post
17 de Junho de 2011

 

 

Assusta-nos imenso que futuros magistrados revelem esta absoluta falta de princípios e este tipo de comportamento tão pouco ortodoxo (já nem nos referimos à tamanha demonstração de estupidez) – terá condições para julgar quem não tem a mínima noção do que é viver em sociedade como um ser livre e responsável? Inquieta-nos igualmente que a direcção do CEJ – Centro de Estudos Judiciários não tenha encontrado uma solução melhor do que a tornada pública para penalizar os prevaricadores – enfim, atribuir 10 valores por se considerar - como afirmou Luís Eloy, director-adjunto do CEJ - «a solução mais equilibrada, já que estamos no fim do ano lectivo e já havia outros exames marcados, o que impedia a repetição deste teste», não nos faz mudar a opinião de que, no fundo, o que se procurou foi evitar uma grande maçada. Toda esta trafulhice é decepcionante, mas, infelizmente, já não nos surpreende (como, a propósito, se pode ver aqui). É só mais um caso triste de gente responsável que lida com este tipo de problemas com a mesma sensibilidade do elefante quando entra numa loja de porcelanas. A directora da instituição, por exemplo, veio dizer que «quem nunca prevaricou na faculdade que atire a primeira pedra». É verdade, mas, até hoje, não se tinha pactuado com situações destas e o copianço nunca atingiu esta dimensão. Será que ninguém repara na diferença de preparação entre quem é aprovado por copiar e quem passa porque realmente sabe? Este país e esta sociedade estão a mudar. Não nos convencem de que é para melhor.

publicado por adignidadedadiferenca às 22:12 link do post
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