a dignidade da diferença
22 de Agosto de 2013

 

 

«A Economia dos Pobres é, em última análise, acerca daquilo que as vidas e as escolhas dos pobres nos ensinam acerca da forma de lutar contra a pobreza global. Ajuda-nos a compreender, por exemplo, a razão pela qual o microfinanciamento é útil, sem constituir o milagre que alguns esperavam que fosse; porque é que os pobres acabam muitas vezes por ter cuidados de saúde que lhes fazem mais mal do que bem; por que razão os filhos dos pobres, ano após ano, vão à escola e não aprendem nada; porque é que os pobres não querem seguros de saúde. E revela por que razão tantos golpes de magia do passado se transformaram nas ideias falhadas de hoje. Este livro indica também onde reside a esperança: por que razão subsídios simbólicos poderão ter efeitos mais do que simbólicos; como melhorar o mercado dos seguros; como é que menos pode ser mais em educação; porque é que bons empregos são decisivos para o crescimento. Acima de tudo, torna clara a razão por que a esperança seja vital e o conhecimento crítico, para que tenhamos de continuar a tentar, mesmo quando os desafios parecem esmagadores. O sucesso nem sempre está tão longe como parece.»

Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo, A Economia dos Pobres

29 de Dezembro de 2012

 

Tendo em conta a dimensão estratosférica de obras que foram publicadas durante o ano e a impossibilidade física de aceder a um número mínimo exigível que permitisse ficar com uma perceção razoável daquilo que foi acontecendo de relevante no domínio da criação literária, apresentar uma lista dos melhores livros do ano será uma tarefa perfeitamente estúpida, ingrata e inútil. Na melhor das hipóteses, sem cair no ridículo, apenas poderei destacar daquilo que li os poucos livros que me agradaram (doze no total, uma média de um livro por cada mês do ano, incluindo novas edições, reedições ou primeiras edições de livros antigos). É o que farei.

 

A Economia dos Pobres, Abhijit V. Banerjee/Esther Duflo

 

O Legado de Humboldt, Saul Bellow

 

Obra Poética Vol.1, Jorge Luis Borges

 

Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoievski

 

Poeira da Alma, Nicholas Humphrey

 

Os Manuscritos de Aspern, Henry James

 

Sobre a Balsa da Medusa, Anselm Jappe

 

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman

 

Mel, Ian McEwan

 

A Noite dos Proletários, Jacques Rancière

 

Do Natural, W. G. Sebald

 

Steve Sem-Sandberg, O Imperador das Mentiras

 

21 de Setembro de 2012

 

 

O primeiro facto a reter é o ciclo sobre o cinema do brasileiro Glauber Rocha, programado pela Cinemateca Portuguesa para este mês de setembro. Oportunidade para recuperar a urgência, a atualidade e as fascinantes contradições da visão simultaneamente poética, desencantada e  surreal dos ainda hoje magníficos Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe ou António das Mortes, entre outros cuja dinâmica seria um erro menosprezar. E, face aos tempos conturbados por que passamos, o cinema de Glauber Rocha é também uma excelente oportunidade para (re)pensar o modo de viver no mundo contemporâneo.

 

 

O título poderia ser A racionalidade das pessoas pobres. Uma obra onde os seus autores, Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo, professores de economia nos EUA, avançam com um conjunto de ideias diferentes e ousadas sobre o modo como enfrentar o eterno problema da luta contra a pobreza e ultrapassar o dogma do fracasso a que, regra geral, está condenada. Fica desde já um aviso deixado pelos autores, o qual passo a citar: «a maioria dos programas destinados aos pobres em todo o mundo é financiada pelos recursos dos próprios países pobres». Um trabalho honesto e militante.

 

 
O reportório de Beethoven reinterpretado por Andreas Staier. Um trabalho analítico, tenso e elaborado do assombroso cravista alemão, no qual transparence claramente uma releitura profundamente pensada e personalizada que sujeita as abissais Variações Diabelli, de Beethoven - cuja dimensão estética ainda hoje impressiona, sobretudo quando comparada com a obra dos compositores seus contemporâneos -, a prodigiosas e inventivas modificações, permitindo quase milagrosamente uma audição renovada, sem, contudo, descaracterizar o essencial da sua matriz musical original. Um disco raro e esplêndido.
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