a dignidade da diferença
21 de Setembro de 2013

 

 

How to Lie with Statistics, escrito por Darrell Huff - publicado recentemente no nosso país pela Gradiva, integrado na coleção Ciência Aberta, intitulado Como Mentir Com a Estatística e traduzido por Rui Filipe Graça, ficando, por sua vez, a revisão científica a cargo de Carlos Fiolhais -, tornou-se um hiperclássico com mais de meio século de existência. Concebido essencialmente com o objetivo de preparar as pessoas contra quem as procura enganar através do (ab)uso da estatística – cujas médias, correlações, tendências e gráficos, como refere Huff, nem sempre são aquilo que parecem -, e construído numa linguagem bastante acessível, simples e clara, sem esquecer contudo o necessário rigor científico, este livro tem ainda hoje a capacidade para ensinar e divertir os seus leitores, explicando como se deve encarar e enfrentar uma estatística falsa (certificando-se, por exemplo, se esta faz algum sentido). Retirados da sua pequena introdução à obra, ficam aqui referidos alguns dos propósitos iniciais do seu autor:

 

 

«A linguagem secreta da estatística, tão atraente no quadro de uma cultura baseada em factos, é usada para causar sensacionalismo, para amplificar, para confundir e para simplificar o mais possível. Os métodos e termos estatísticos são necessários para comunicar um grande volume de dados sobre tendências socioeconómicas, condições de mercados, pesquisas de opinião e recenseamentos. Todavia, sem autores que usem as palavras com honestidade e sentido e sem leitores que saibam o que elas querem dizer, o resultado só poderá ser um completo disparate semântico. Na escrita popular sobre assuntos científicos, os abusos estatísticos quase nunca aparecem associados ao lugar-comum do herói de bata branca que trabalha horas a fio num laboratório mal iluminado, sem direito a pagamento de horas extraordinárias. Como se fossem uns pozinhos de perlimpimpim, as estatísticas fazem muitos factos importantes parecerem aquilo que, de facto, não são. Uma estatística bem embrulhada é melhor do que a “grande mentira” da propaganda hitleriana – engana, mas não revela a origem do engano. Este livro é uma espécie de introdução às várias formas de usar a estatística para enganar alguém. Pode parecer um manual para vigaristas. Talvez eu possa justificá-lo com a imagem do ladrão aposentado cujo livro de memórias equivale a uma licenciatura em arrombar fechaduras e andar com pezinhos de lã: os bandidos já conhecem esses truques, mas as pessoas honestas devem aprendê-los para sua própria defesa.»

Maio 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Que bom é procurar sempre. ...
É falso que o fenómeno tenha ocorrido no preciso m...
Acho que você é quem deveria pensar pela sua cabeç...
Experimente ler "Fátima, Milagre ou Construção?, u...
Não consigo vislumbrar uma ligação directa entre a...
Parece-me que existe uma grande crise de valores e...
Não me parece que a crise de valores ou os valores...
Muito bem! Embora nos dias de hoje e na sociedade ...
Certo; tudo bem que existissem questões políticas ...
Já tive o livro, de facto. Contudo, foi mais ou me...
CaroEstou a procura do livro fatima nunca mais mas...
Não deixa de ser um belo aforismo...
blogs SAPO