a dignidade da diferença
18 de Agosto de 2015

 

david ackles 2.jpg

 

«A long with Randy Newman, Van Dyke Parks, Harry Nilsson and some others, David Ackles helped widen the definition of contemporary singer-songwriters in the late 1960s. This was a group of performers open to incorporation of many non-rock pop and theatrical influences into their work, and not based in folk-rock, like so many of the other early singer-songwriters were. Nor were they conventional rock or pop singers. Somehow, nonetheless, they recorded albums that were marketed to the rock audience. Of all the names mentioned above, David Ackles is certainly the most obscure, even if his quartet of albums won him a cult audience that included Elton John and Elvis Costello. David Ackles, his self-titled 1968 Elektra debut, was an unusual effort even by the label’s own high standards for introducing original talents. Ackles’ dark, brooding songs and low croon-rumble of a voice delivered cerebral lyrics painting the everyday adventures of misfits and their struggles to find meaning and spirituality. What could have been overblown in other hands was given a stately dignity by the stoicism, vacillating between determination and resignation, of Ackles’ vocals and observations. Far more than any of his subsequent albums, the record’s arrangements were tailored for rock ears, with ethereal psychedelic-tinged guitar and organ that weren’t too unlike those heard on other Elektra LPs of the time, such as Tim Buckley’s early releases.»

Richie Unterberger

 

 

03 de Junho de 2009

 

A gravação já tem dois anos, mas só agora tive oportunidade de escutar a magnífica, assimétrica e lunar poesia musical de Jesca Hoop em Kismet. Após as primeiras audições, parece-me a sequência natural das canções subtilmente experimentais do notável Carbon Glacier de Laura Veirs, ligeiramente modificadas pelo tubo de ensaio de Hanna Hukkelberg. Ou seja, mais um belíssimo conjunto de histórias contadas por quem acha que este não é, definitivamente, o melhor lugar para se viver, dominadas por uma visão musical preciosamente ecléctica – soul, folk-rock, duas ou três ideias de pop-meets-quarteto de cordas, jazz, country servido em cubos de gelo, um ou dois esgares eléctricos e pedaços do Tom Waits boémio (haverá outro?) -  alimentada por pequenas doses de melodias sinuosas e semi-abstractas, mas de contágio imediato. Um grande e solitário disco.

 

Com o álbum de estreia de David Ackles foi amor à primeira vista. Tudo o que tinha lido sobre o compositor norte-americano confirma-se nesta fulgurante montra de ourivesaria musical. O retrato sublime e cinemático da América profunda, que arrastou consigo óbvios e notáveis irmãos gémeos; desde as alucinações de Tim Buckley, passando pela solidão e poesia de Cohen ou pela amargura de Sail Away de Randy Newman, sem esquecer esse paradigma do cantor-contador de histórias que é Nighthawks At The Diner do genial Tom Waits (outra vez este gajo?), ou gerando os mais recentes – e devotos – Tindersticks, Elvis Costello e Divine Comedy.

Se American Gothic  tem a mais-valia dos sublimes arranjos orquestrais, escutar uma e outra vez The Road to Cairo, When Love is Gone, Sonny Come Home, Lotus Man ou Be My Friend, vai-me deixar francamente indeciso na altura em que quiser eleger o Ackles vintage.

Directamente para a lista dos melhores de sempre.

 

David Ackles, The Road to Cairo

 

Jesca Hoop, Money

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:14 link do post
03 de Fevereiro de 2009

 

Engana-se quem julga que a solidão não tem os seus momentos inesquecíveis. Depois da encomenda que recebi hoje, fica já o aviso: não quero saber de vocês enquanto não acabar de ouvir tudo isto.

 

 

 

 

 

Deixo-vos com uma pequena amostra:

 

David Ackles, One night stand

 

The United States Of America, The garden of earthly delights

 

Karen Dalton, Katie cruel

 

Curtis Mayfield, When seasons change

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:02 link do post
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