a dignidade da diferença
12 de Maio de 2012

 

Madre Superiora (1939)

 

Tamara de Lempicka (1898-1980), natural de Varsóvia, criou uma obra caracterizada por uma significativa liberdade e ambiguidade estética. O seu trabalho marcou uma época, influenciou a pintura moderna e, desdobrando-se numa série de estilos mais ou menos próximos entre si, evoluiu naturalmente duma ingenuidade inicial – um começo aparentemente vanguardista, promissor, mas ainda algo tímido e inseguro – para formas arquitetónicas mais oblíquas, cuja matriz revela um traço seguramente mais complexo, transgressor, detalhado e sombrio. Ficam aqui alguns exemplos dessa evolução estética personalizada e perversamente contagiante. Elegantes e geométricas variações quase sempre muito conseguidas de Art Déco, do cubismo, pós-cubismo, surrealismo, expressionismo ou abstracionismo. Um percurso artístico dominado por um espírito ousado e transgressor que se confundiu amiúde com a sua própria vida, tão abastada quanto exposta em demasia.

 

A Bela Rafaela (1927)

 

Mulher Adormecida (1935)

 

Retrato do Príncipe Eristoff (1925)

 

publicado por adignidadedadiferenca às 14:27 link do post
28 de Agosto de 2011

 

Círculo de Cor II, August Macke

 

August Macke nasceu a 3 de Janeiro de 1887 e, após ser chamado para o serviço militar, morreu em combate a 26 de Setembro de 1914. Influenciado inicialmente pelo impressionismo – sobretudo a poesia de Manet, os pastéis de Degas e a representação da sociedade parisiense de Toulouse-Lautrec -, Macke, sempre atento às inovações estéticas, foi amadurecendo e desenvolvendo o seu estilo, fortemente inspirado, a partir de 1905, nos fauvistas. Mas foi por volta de 1913 que a arte pictórica de Macke atinge o seu cume. Após mais uma reviravolta estética, a sua pintura volta-se agora para a abstracção, liberta-se dos espartilhos formais, entende-se com o cubismo e o futurismo numa busca permanente por novas formas, nova dinâmica e novos temas. É na sua fase futurista que Macke se deixa impressionar pelo trabalho de Delaunay, cuja aproximação é particularmente visível no Círculo de Cor II (de 1913), inspirado conscientemente pelas Formas Circulares e Sóis de Delaunay (do mesmo ano). A pintura de Macke transcende-se e ganha maior complexidade em comparação com o estilo demasiado bonito e acessório de Delaunay, mas aqueles quadros, como acertadamente refere Anna Meseure, «exercem um efeito tão abstracto como ilustrações científicas sobre a origem e a composição das cores e tão poético como o relato dramático do nascimento das cores da pureza alva da luz».

 

Formas circulares, Delaunay 

27 de Junho de 2008

Hoje chamo a atenção para o nascimento oficial do cubismo, com Pablo Picasso e Georges Braque, servindo como exemplo «Les Demoiselles d’Avignon» (1907), do primeiro, e «Maisons à L’Estaque» (1908)  de Braque.

 

E, como não podia deixar de ser, realce, inevitável, para um dos principais precursores do cubismo:  Paul Cézanne. São demasiado evidentes em «Baigneuses» (1875-1877) e «A cabana de Jourdan» (1906) as formas que vão inspirar os dois autores cubistas, merecendo destaque especial a semelhança surpreendente entre vários motivos de «Baigneuses» e «Les Demoiselles d’Avignon», como o pano pendurado no tronco de árvore do quadro de Cézanne que surge na pintura de Picasso como um tecido de fundo, e, mais notória ainda, a pose adoptada por duas banhistas em «Baigneuses» que é transcrita da mesma maneira em duas das figuras da obra do pintor espanhol (a que está em pé do lado esquerdo e a de cócoras).

 

Na pintura de Braque, existem naturais contactos com as representações de paisagens de Cézanne.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:07 link do post
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