a dignidade da diferença
02 de Março de 2014

 

 

«Se há tema comum no extenso conjunto de crises que estudamos neste livro, é o de que a excessiva acumulação de dívida, de dívida pública, dos bancos, das empresas ou dos consumidores, traz frequentemente consigo um risco sistémico maior do que parece durante o boom. É com demasiada frequência que os booms induzidos por dívida fornecem uma falsa abonação das políticas públicas, da capacidade de uma instituição financeira de gerar enormes lucros, ou do nível de vida de um país. A maior parte deles acaba mal.» Com o contributo decisivo do trabalho de investigação dos seus autores, os académicos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, Desta Vez é Diferente oferece-nos uma panorâmica significativa de oito séculos de história financeira, focada essencialmente nos momentos de crise, centrando-se nos efeitos do endividamento excessivo – que os autores consideram atingido quando o rácio da dívida pública excede 90% do PIB, durante um período superior a cinco anos. Auxiliada por uma base de dados compacta, uma vasta documentação e factos precisos, e recorrendo ainda a uma datação sistemática das crises, a investigação de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff abre o caminho para uma reflexão assinalável sobre as crises nas suas múltiplas vertentes – crises de dívida soberana, crises bancárias, cambiais e de aumento da inflação -, e sobre as consequências do aumento do crédito concedido pelo sector bancário às famílias, empresas e Administração Pública. Uma lição bem estudada que denuncia a quase universalidade do incumprimento das dívidas soberanas (sejam ricos ou pobres os países) e procura semelhanças com experiências anteriores para concluir que: «a acumulação excessiva de dívida pelo sector público, pelos bancos, pelas empresas não financeiras e pelas famílias está na raiz da grande maioria das crises.»

10 de Fevereiro de 2013

 

 

«Para esta interpretação em particular, a fé cega na capacidade do Estado para solucionar as contradições do sistema é tão forte como a que encontramos na posição diametralmente oposta: a convicção religiosa da perspetiva neoliberal de que o mercado tudo pode. Ambas cometem erro semelhante, ainda que oposto: o fundamentalismo religioso da crença numa “mão” mágica, todo-poderosa (ou o mercado ou o Estado). Não existe qualquer motivo teórico, nenhuma justificação transcendental ou metafísica suficientes para apoiar qualquer dessas convicções que não seja um sentimento religioso, uma crença, seja ela muito profunda ou nem tanto. Quando nem tanto, em ambos os casos, o sistema possui mecanismos para fazer dos seus patrocinadores porta-vozes loquazes da proposta em causa. O dinheiro tudo compra (ou quase)! Poderíamos mesmo vir a aceitar que a proposta neoliberal possui algo mais que os elementos teóricos para sustentar a sua posição.»

Reinaldo A. Carcanholo, in Quem Paga o Estado Social em Portugal? (coord. Raquel Varela)

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