a dignidade da diferença
03 de Setembro de 2008

 

Agora que já devorei o livro apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian e escrito por João Bénard da Costa, é hora de regressar a «Como o cinema era (é) belo».

No livro, fui, deliciado, percorrendo uma história cinematográfica sob um ponto de vista geográfico, recordando lenta e introspectivamente os belíssimos filmes que já tinha visto. Filmes italianos, franceses, do leste europeu, norte-americanos (a grande fatia), suecos, indianos, japoneses, árabes, dinamarqueses, ingleses e de outros pontos do planeta que seria exaustivo mencionar.

Vieram-me à memória realizadores de filmes mal-amados, filmes mudos, filmes a preto e branco, filmes de sempre e filmes esquecidos. Com os cineastas chegaram-me os actores e as actrizes. Bogart, Cary Grant, James Stewart, Wayne, Fonda, Welles, Warren Beatty, Tcherkassov, Michel Simon, Guru Dutt, Maureen O’Hara, Kim Novak, Dietrich, Jean Seberg, Gene Tierney, Natalie Wood, Elena Kuzmina, Ingrid Bergman, Alida Valli e mais um número infindável de nomes inesquecíveis.

De todos eles se falou neste livro. Como também se «mostraram» cinquenta filmes imensos que, no meu caso, serão guardados – uns mais do que outros, naturalmente – num cantinho qualquer da memória. De dois, principalmente, já quase me tinha esquecido, tão rara e difícil é a sua visão: do hiper-romântico e trágico Flores de papel do indiano Guru Dutt (de 1959) e do poético e milagroso À beira do mar azul do soviético - na altura - Boris Barnet (de 1936).

 

Vou, a partir daqui, seguir a mesma sequência lógica a que me propus no «post» inicial. Serão lembrados filmes do livro e filmes que aí não são referidos. O importante é (aproveitando a oportunidade) falar de como o cinema era, e ainda é, (muito) belo.

 

E, apenas porque o revi ontem, até vou começar por um filme estranho ao ciclo: Rumble fish de Francis Ford Coppola. Uma pérola intensa, cerebral, cheia de sombras e de nevoeiro, uma espécie de jóia negra com um Matt Dillon muito próximo, fisicamente e no tipo de atitude, daquilo que poderia ter sido um Jeff Buckley actor em vez de músico, um Mickey Rourke que nunca mais voltou a ser tão bom a fazer o papel de um tipo meio louco meio herói, sem esquecer uma BSO magnífica e experimental assinada por Stewart Copeland, perfeitamente enquadrada no ritmo das palavras e das imagens e suficientemente autónoma e personalizada para sobreviver sem essa âncora, que deixava a milhas de distância toda a discografia dos Police. Tal como Rumble fish estava a anos-luz do inocente e açucarado The Outsiders.

 

 

05 de Agosto de 2008

Aproveitando o magnífico catálogo apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian - Serviço de Belas-Artes, com o apoio da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, escrito e elaborado por João Bénard da Costa a propósito do ciclo que passou entre Novembro de 2006 e Fevereiro de 2007 no Grande Auditório da Fundação, que recebeu o título «Como o cinema era belo» vou recordar alguns dos meus filmes favoritos de sempre. Alguns coincidem com a escolha feita pelo autor do catálogo e responsável pelo ciclo, outros são apenas preferências minhas.

Vou-me limitar a reproduzir fotografias desses belíssimos filmes, sem o apoio de qualquer texto ou opinião pessoal. Apenas uma singela homenagem ao cinema. De ontem e de hoje.

 

Sanshô Dayú (O intendente Sansho) - Kenji Mizoguchi

Citizen Kane - Orson Welles

Jean Seberg nas filmagens de Lilith - Robert Rossen

The searchers (A desaparecida) - John ford

Chikamatsu Monogatari (Os amantes crucificados) - Kenji Mizoguchi

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