a dignidade da diferença
05 de Março de 2013

 

Intencionalmente despidas da força significativa das palavras e superiormente interpretadas pela Liberation Music Orchestra – fundada em 1969 por Charlie Haden, um dos melhores contrabaixistas da história do jazz -, as canções revolucionárias que preenchem maioritariamente este magnífico The Ballad of the Fallen, de 1983, (onde está a «nossa» Grândola Vila Morena) adquirem, por outro lado, uma dimensão estética assinalável e particularmente inesperada para aqueles ouvidos mais fechados que, regra geral, se preocupam excessivamente com a vertente política e contestatária das canções - cuja importância (e peso histórico) não deve ser, obviamente, afastada - e esquecem a substância musical adjacente. A inesgotável diversidade e a subtileza estilística, o rigor da escrita, o imaginário poético, a singular articulação de diversos registos - cuja aptidão unificadora consegue combinar naturalmente climas tensos criados pela dissonância dos acordes com momentos do mais profundo lirismo -, a capacidade de improviso, o ritmo e a cadência musical, conduzem um conjunto sobejamente conhecido de «canções da rua» rumo a uma nobreza expressiva que lhes acrescenta anos de vida e cuja marca mais distintiva consiste na formidável substituição da eloquente linguagem verbal pela explosiva e complexa gramática musical, ampliando as qualidades musicais que estas canções já possuiam na sua matriz original.

 

14 de Fevereiro de 2008

The blue moods of spain (1995)

A banda de Josh Haden, filho de Charlie Haden, célebre contrabaixista de jazz, cria uma música vagamente country, embaciada por uma atmosfera nocturna, despida de tudo o que não é essencial. Música de um rigor impressionante, construída à base de movimentos lentíssimos semelhantes, na atitude, à  leitura que Celibidache fez da matéria-prima de Bruckner e Debussy. Nota a nota, passo a passo, as canções parecem hesitar no caminho a seguir, imobilizando-se de forma dolorosa e quase insustentável, mas, ao mesmo tempo, luminosa e profundamente elegante. Ouve-se o eco de Chet Baker, o silêncio dos Cowboy Junkies, algum jazz da idade do gelo e muito «blue mood». Essencial.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:32 link do post
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