a dignidade da diferença
11 de Dezembro de 2011

 

Senso, mítico filme de 1954, foi editado finalmente em DVD (parabéns à Alambique, mais ainda se nos recordarmos que também é a responsável pela edição do singularíssimo The Night of the Hunter, filme único do celebérrimo actor Charles Laughton). A obra-prima absoluta de Luchino Visconti (lugar potencialmente disputado apenas por Il Gattopardo) é um dos mais extraordinários filmes europeus de toda a história do cinema. Nele se retratam os últimos meses da ocupação austríaca do Veneto, filmados em prodigioso registo operático e sob uma cor luminosa (inclassificável fotografia), dando lugar a um magnífico e paradoxal drama musical, uma abissal vertigem de traições políticas e paixões desesperadas, a qual, num percurso paralelo ao do som da enleante Sétima Sinfonia de Bruckner pelas ruas de Veneza, oferece a Alida Valli a sua entrada directa para a mitologia. Um filme admirável, cuja mise en scène se destaca de modo superlativo - como acontece, quase sempre, com o verdadeiro cinema de autor - , e que deve ser visto e revisto muitas vezes.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 03:17 link do post
25 de Maio de 2008

E por falar em Bruckner como esquecer esse filme-ópera por excelência, onde a sua sétima sinfonia assume um papel preponderante na construção dramática da história e na moldura da narrativa? Falo, obviamente de Senso, obra-prima absoluta do romantismo (e não só), da autoria de Luchino Visconti.

 

Se todo o filme é prodigioso e inesquecível - Alida Valli nunca foi tão sublime como aqui -, é, contudo, a partir da cena em que o tenente Mahler (Farley Granger) se oferece para acompanhar  a condessa Serpieri (Alida Valli) pelas ruas de Veneza e se começa a ouvir a música de Bruckner, que eu me apaixono verdadeiramente por esta obra .

 

E, para finalizar, deixo-vos um pouco deste cinema em absoluto estado de graça.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:57 link do post
22 de Maio de 2008

  

As gravações ao vivo das nove sinfonias de Bruckner pela Orquestra Filarmónica de Munique, dirigida pelo maestro Sergiu Celibidache (editadas pela EMI em 1998)

 

É admirável a empatia quase inacreditável que se sente entre os blocos sonoros monumentais que são a matéria das sinfonias de Bruckner e a interpretação, impossivelmente lenta e em tons coloridos, que o maestro romeno, adepto confesso do zen-budismo, imprime aos vários andamentos, reforçando, dessa maneira, a sua visão pessoal sobre o modo como cada intérprete deve intuir o tempo certo. Celibidache, mais do que um esboço, desenha, deste modo,  uma atmosfera densa, servindo-se, de forma inventiva e intencional, de uma pulsação dramática no limite do suportável, atingindo, quase no final de cada sinfonia (ou de cada andamento), um êxtase místico de proporções gigantescas, transformando cada sinfonia numa matéria musical claramente religiosa e com uma dimensão digna de uma catedral. Está, a par da versão de «La mer» de Claude Debussy (comparada a um oceano de cores e sons), para lá da compreensão humana.

 

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