a dignidade da diferença
30 de Julho de 2014

 

 

Para o escritor russo Vladimir Nabokov, o exílio forçado pela Revolução Bolchevique de Outubro de 1917 nunca significou um ajuste de contas com o regime comunista, o passado e os acontecimentos que a ele se encontram ligados. Como bem o demonstra este pequeno excerto de Fala, Memória (Speak, Memory, na língua original), a magnífica autobiografia revisitada: «Esta passagem não é dirigida ao leitor vulgar, mas ao idiota muito especial que me compreende, julga ele, por ter perdido a fortuna num desastre. O meu velho desentendimento com a ditadura soviética (desde 1917) nada tem que ver com problemas de propriedade. Sinto o maior desrespeito pelo émigré que “odeia os vermelhos” porque lhe “roubaram” dinheiro e terras. A nostalgia que tenho alimentado todos estes anos é sensação hipertrofiada de uma infância perdida, sem nada de lamento pelas contas bancárias que perdi.»

20 de Abril de 2014

 

 

Aníbal Fernandes apresenta modelarmente Henry James como alguém que «escreveu ao contrário dos êxitos literários do seu tempo. Numa época de leitores a preferirem histórias com surpresas de percurso, pôs um grande talento de escritor ao serviço de uma corrente calma, discreta e a espalhar-se num extenso número de páginas, entravada por análises psicológicas de personagens distanciadas, na cultura e nos confortos, do homem mais comum nesse final do século XIX». Contudo, através da editora Sistema Solar, prefere, entre outras obras do celebrado escritor, publicar e traduzir magníficas ficções curtas tais como Os Manuscritos de Aspern, O Mentiroso e O Aperto do Parafuso. Se na verdade o autor não se estende nestas pequenas obras por um extenso número de páginas, também não perde nenhuma das suas principais características literárias. Sobrepondo sempre à história uma detalhada construção psicológica das personagens, Henry James acrescenta ainda uma esmerada elaboração coreográfica dos diversos conflitos, desenvolve o ritmo e a justa medida das frases, domina a elipse na perfeição, valoriza a substância e o sentido da prosa, descreve magnificamente os locais e revela, por fim, uma capacidade única para adaptar o espaço às necessidades de evolução dramática. Exemplar.

 

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