a dignidade da diferença
14 de Abril de 2012

 

 

«A outra perversidade está associada a uma propositada amnésia da História, das Histórias coletivas e das histórias particulares. Tal propósito resulta na ostracização de todo o universo da administração pública e dos serviços públicos que são diabolizados por este discurso – o que, para além de ser política e socialmente injusto, revela, da parte dos atuais governantes, uma enorme ingratidão. Não foram a maioria deles nascidos e cuidados nos hospitais públicos, educados nas escolas e universidades públicas, não lhes foi possível empregarem-se na administração pública? Imagino o primeiro-ministro e o ministro-adjunto a entreterem-se com a sua própria formação musical assistindo a programas televisivos como o Passeio dos Alegres, do Júlio Isidro, nos Verãos das suas adolescências. Porquê agora esta obsessão, sem uma razão, para já, convincente, sem um argumento sólido, de privatizar parte da RTP? Contrariamente ao economismo e à sua arrogância, uma perspetiva cultural de abordagem à atualidade não abdica de insistir na necessidade da justiça e da existência de homens justos que, seguindo a ética aristotélica da justiça e do bem maior dos imperativos éticos kantianos, reclamam que a finalidade da ação é o homem e o seu bem em si, e não o privilégio de alguns, do qual se desculpam por via do assistencialismo, a forma mais discriminatória de distinguir os incluídos dos excluídos.»

António Pinto Ribeiro, Ípsilon, suplemento do Público de 13 de abril de 2012.

23 de Fevereiro de 2011

No Jornal de Notícias de 21 de Fevereiro de 2011. «O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta segunda-feira, que o primeiro lugar de Portugal no 'ranking' da Comissão Europeia são mérito dos funcionários da Administração Pública e considerou que "o país está farto da maledicência" relativamente a esta classe. "Em apenas cinco anos nós mudámos a face da Administração Pública, em termos electrónicos passámos de um modesto lugar, abaixo das médias europeias, para a liderança do Governo electrónico em termos de disponibilização dos serviços públicos 'online' e de sofisticação dos serviços, qualquer que seja o ângulo pelo qual se analise o ranking, não há dúvida que em Portugal obtivemos uma liderança absolutamente incontestável", disse. O chefe do Governo falava durante a apresentação do relatório europeu sobre serviços públicos electrónicos, que coloca Portugal em primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo. Na sua intervenção, que se seguiu às do ministro da Justiça e da Presidência, José Sócrates referiu-se aos que falam em reformas "sem ter feito nenhuma reforma" e defendeu que "aquilo que o país exige não é tanto o discurso retórico sobre reformas, mas é de quem as faça". "Eu venho aqui para homenagear todos os funcionários públicos portugueses, porque foram eles que deram o contributo para esta mudança, este primeiro lugar que obtivemos é da Administração Pública, dos funcionários públicos", afirmou Sócrates, considerando que o trabalho desta classe precisa "de ser mostrado e enaltecido". "O país está farto da maledicência sobre a Administração Pública e daquilo que significa o apoucamento dos funcionários públicos, a verdade é que em muitos domínios, Portugal está na linha da frente de uma Administração Pública eficaz, moderna e que presta bons serviços aos cidadãos e à economia”, referiu.»

 

 

Deve ser por estas razões – e jamais para manter os tachos dos boys do partido socialista e, obviamente, dos amigalhaços – que o seu governo decidiu cortar nos salários da Administração Pública. Mesmo considerando a medida inevitável, face às exigências cada vez maiores dos nossos credores, por força de uma péssima governação que fragilizou o país e o pôs mesmo a jeito - embora sejamos da opinião que muitas outras medidas deveriam ter sido tomadas antes do ataque aos salários dos funcionários públicos -, dificilmente deixaremos de admirar o descaramento do nosso (?) primeiro-ministro. Enfim, tanta hipocrisia de quem se julga impune - até quando? - não será razão para a sentir como mais um sintoma de que se aproxima perigosamente o fim da III República, mas que o povo começa a ficar farto, começa… 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:33 link do post
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