a dignidade da diferença
19 de Janeiro de 2011

 

 

Uma vez entendida uma solução como uma de muitas soluções igualmente boas para o mesmo problema, podemos apreciá-la como «apenas nossa» e deixamos de ter tendência para moralizar contra os outros. As línguas diferentes têm palavras diferentes para designar coisas diferentes e gramáticas diferentes e diferente colocação das palavras na frase, mas todas servem igualmente bem o propósito de possibilitar a comunicação. Os diferentes costumes, ritos, regras e convenções sociais podem ser vistos como diferentes soluções para os problemas de expressão, coordenação e comunicação públicas. Não temos de os classificar. Em Roma sê romano. Mas suponha que uma sociedade resolve os seus problemas de uma forma que interfere com as nossas preocupações. Suponha que, como fazem os taliban no Afeganistão dos nossos dias, se nega o ensino às mulheres. Ou que o tempo nos tinha legado um sistema de castas que negava a existência de igualdade de tratamento perante a doença, o ensino e mesmo os meios de subsistência a toda uma classe de pessoas, segundo o seu nascimento. Ou mesmo que o tempo nos tinha legado um sistema no qual algumas pessoas pertenciam de corpo e alma a outras. Estes sistemas constituem um tipo de solução para os problemas que se põem sobre como viver. Mas não temos de os ver como igualmente bons («apenas diferentes») ou sequer toleráveis. Podemos considerar com justeza que violam limites que são importantes para nós. Transgridem as fronteiras de preocupação e respeito que pensamos ser imprescindível proteger. Nestas circunstâncias, é natural apelar à linguagem dos «direitos», significando isso não apenas que é bom ou simpático as pessoas manifestarem preocupação ou respeito, mas também que, se não o fizerem, as partes prejudicadas têm direito a sentir-se lesadas e a apelar ao mundo no sentido de rectificar o seu estado.

 

Blackburn, Simon, Think: A Compelling Introduction to Philosophy, traduzido, para a Gradiva, por António Infante, António Paulo da Costa, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Fátima St. Aubyn, Francisco Azevedo e Paulo Ruas 

19 de Setembro de 2010

 

A Gradiva acaba de lançar dois belíssimos livros que nos ajudam a compreender melhor a origem do universo, assim como o caminho percorrido pelos nossos antepassados até hoje. Trata-se, primeiro, de Breve História da Humanidade, de Cyril Aydon, autor, entre outros, de Scientific Curiosities e de uma biografia de Charles Darwin. Neste livro, Cyril Aydon, além de partilhar o seu conhecimento sobre a forma como os nossos antepassados, nas suas mais diversificadas culturas, sobreviveram até ao nosso tempo, reflecte sobre o caminho que a humanidade deverá seguir para não se deixar vencer pelas alterações climáticas e as suas nefastas consequências.

 

 

O segundo exemplo, Big Bang, de Simon Singh, doutorado em física de partículas e autor de várias obras de divulgação matemática e científica, explica aos leitores de uma forma clara, rigorosa e fascinante - como deve ser um bom livro de divulgação científica – a origem do universo. Se continuamos sem saber para onde vai o universo, aprendemos, pelos menos, de onde veio. Ficamos com dois óptimos exemplos de divulgação histórica e científica junto do público em geral que configuram mais uma batalha contra a ignorância.

 

26 de Agosto de 2008

 

Nuno Crato, célebre divulgador científico e matemático, professor de matemática e de estatística no ISEG, pró-reitor da UTL , para além de coordenador científico do centro de investigação Cemapre, foi premiado em 2003 com o primeiro lugar no concurso Public Awareness of Mathematics da Sociedade Europeia de Matemática e, mais recentemente – no último mês de Março – com um European Science Award (uff!). *

Mas o destaque que lhe dou neste espaço é motivado pela publicação pela Gradiva de dois belíssimos livros que assinou em 2007 e 2008, Passeio aleatório e A matemática das coisas, respectivamente.

Numa escrita clara e, ao mesmo tempo, transparente e certeiramente pedagógica, que revela, com marcante nitidez, um dom cada vez mais raro: o da facilidade e clareza de expressão; o autor transporta-nos, em Passeio aleatório, no seu jeito simples e convincente, para um mundo diferente cheio de referências e curiosidades científicas.

 

No livro A matemática das coisas, conta uma série de histórias matemáticas num tom coloquial e extremamente sedutor. Como se estivesse a participar numa conversa entre amigos sobre as coisas mais triviais que se passam no dia-a-dia. E o resultado pretendido é, claramente, conseguido.

Depois de percorridas todas as páginas dos dois livros, ficamos com a certeza de ter atravessado um dos caminhos mais originais e criativos sobre – atrevo-me a citar o autor - «tópicos tão diversos como os raios laser, os espelhos de Arquimedes, as luzes estranhas das discotecas ou a origem do clipe, as obras de Picasso, as transacções bancárias via internet, o número de portas das casas ou o papel A4».

Dois livros que, versando sobre temas complexos, se devoram com a maior das facilidades.

 

* Os dados sobre o autor foram retirados do livro «A matemática das coisas»

14 de Maio de 2008

Porque se chama asssim o meu blog

 

A dignidade da diferença, como evitar o choque das civilizações (editado pela Gradiva em Maio de 2006) - Jonathan Sacks

 

 

 

 

A propósito de uma polémica surgida aqui deixei a promessa de aconselhar o livro onde fui (literalmente) roubar o título para o meu blog.

 

Trata-se de um livro soberbo, cuja matéria de que trata muitos irão considerar demasiado utópica e, por isso, irrealizável, mas que me marcou pessoalmente e, embora não sinta necessidade de acreditar na existência de Deus para dar um sentido à minha vida, ainda hoje, me deixou marcas profundas.

 

Escrito pelo filósofo e teólogo Jonathan Sacks - que é também Rabino-Chefe das Congregações Hebraicas Unidas do Commonwealth, é o exemplo mais esperançoso que encontrei até hoje para a possibilidade de uma vida comum entre diferentes civilizações, principalmente pela resposta que o autor pretende dar ao perigo real para a humanidade que consiste em autênticos actos de terror, motivados, principalmente, pela religião.

 

E para fazer a síntese, nada melhor que utilizar as palavras do autor que surgem na contracapa da edição portuguesa:

 

 

 

 

«O maior antídoto para a violência é o diálogo: deixar falar os nossos medos, escutar os medos dos outros e, nessa partilha de vulnerabilidades, descobrir a génese da esperança.

Será que sabemos ouvir a voz de Deus numa voz, sensibilidade e cultura que não as nossas? Será que sabemos ver a presença de Deus no rosto de um estrangeiro?

A diferença não limita: alarga a esfera das possibilidades humanas... Só quando nos dermos conta do perigo que é desejar que todos sejam iguais - a mesma fé, por um lado, e o mesmo McWorld, por outro - poderemos evitar o choque das civilizações resultante de um sentimento de ameaça e medo. Aprenderemos a viver com a diversidade quando compreendermos que a dignidade da diferença é uma dádiva de Deus que enaltece o mundo.»

 

Dispensando a presença de Deus, acredito que possamos aprender a viver com a diversidade se compreendermos que a dignidade da diferença pode ser uma dádiva dos homens.

 

Mais um guia a seguir para o tempo que ainda me resta viver.

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