a dignidade da diferença
24 de Abril de 2016

 

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«No cinema, afirmou-se como estrela em Hollywood nos anos 70, construindo uma personagem grosso modo definida como a de um ícone de presença forte, lacónico em palavras e que, tanto na paisagem do western como na paisagem urbana das histórias policiai, se caracterizou por se colocar sempre não no interior do sistema, não ao seu lado, mas contra ele. Ou, pelo menos, numa posição de desafio sempre que o sentido de justiça lho exigia. Mesmo se logo no início desses anos 70, perseguiu projectos que, como actor, estendessem o seu campo de acção e destruíssem o estereótipo (…) e ainda que fosse quase sempre isso mesmo que tentou nos seus filmes no duplo papel de actor e realizador, o rasto da sua personagem cinematográfica manteve-se durante largo tempo mais poderoso do que os próprios projectos e a própria natureza do trabalho que neles desenvolveu. Se houve, e houve, quem fosse reconhecendo a assinatura de um estilo nos seus filmes como realizador, a consistência da sua abordagem, ainda nessa década, também é certo que lhe foram exigidas provas sobre provas nesse capítulo. (…) Sendo algo de profundamente enraizado na prática cinematográfica de Eastwood, a tradição do cinema clássico nunca é um modelo nos seus filmes. Ele não é o último dos clássicos muito embora a designação seja mais do que apregoada, tentadora. É alguém directamente vindo do cinema clássico, formado no cinema clássico, alguém cujo cinema tem e guarda o lastro do cinema clássico, mas que tem um olhar moderno. Como no princípio, continua a falar do cinema como um meio de contar histórias e é para contar histórias, diz ele ainda, que continua a filmar.»

Maria João Madeira, in Clint Eastwood, Um Homem Com Passado

 

16 de Março de 2016

 

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Conclui-se hoje a retrospectiva integral da obra do cineasta Andrei Tarkovski, a cargo da Leopardo e da Medeia Filmes. A obra do fundamental autor russo ilustra bem a persistência de um cineasta na elaboração e desenvolvimento de um trabalho que procura uma compreensão para o sofrimento e a solidão do ser humano, mergulhando amiúde na questão do artista contra a autoridade, mas sobretudo nos problemas da crença e da falta dela, na espiritualidade e no sagrado – daí a censura progressiva do(s) regime(s) soviético(s), dificultando a exibição dos seus filmes. Os planos longos, a estilização da cor, os invulgares efeitos da luz, o simbolismo ou a intencional imobilidade narrativa configuram-se como características formais únicas e adequadas às obsessões e reflexões temáticas de um autor que nos resgata do peso excessivo do actual e dominador cinema exclusivamente de entretenimento, onde filmes tão memoráveis como Andrei Rubliov, Stalker ou Nostalgia se distinguem da irritante futilidade daquele. Também por esta razão, Tarkovski é indispensável. De tão funda inquietação nasce uma obra mais poética que narrativa, prodígio estético de um autor que sentia o cinema como uma oração.

 

Stalker

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:22 link do post
31 de Dezembro de 2015

 

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Francisco Bethencourt, «Racismos, Das Cruzadas ao Século XX»

 

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Italo Calvino, «Porquê Ler os Clássicos?»

 

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John Darwin, «Ascensão e Queda dos Impérios Globais 1400-2000»

 

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Atul Gawande, «Ser Mortal»

 

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Ivan Gontcharov, «Oblomov»

 

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Javier Marías, «Assim Começa o Mal»

 

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Olivier Rolin, «O Meteorologista»

 

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Carl Schmitt, «O Conceito do Político»

 

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François Truffaut, «Os Filmes da Minha Vida»

 

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Voltaire, «Tratado Sobre a Tolerância»

 

publicado por adignidadedadiferenca às 10:10 link do post
22 de Dezembro de 2015

 

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Paul Thomas Anderson, Vício Intrínseco

 

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Peter Bogdanovich, Ela é Mesmo... o Máximo!

 

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Hou Hsiao-Hsien, A Assassina

 

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Hayao Myiazaki, As Asas do Vento

 

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Nanni Moretti, Minha Mãe

 

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Christian Petzold, Phoenix

 

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Alice Rohrwacher, O País das Maravilhas

 

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Retrospectiva de Roberto Rossellini

 

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Retrospectiva de Jacques Tati

 

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Frederick Wiseman, National Gallery

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:43 link do post
11 de Dezembro de 2015

 

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Para quem se recorda das screwball comedies de Hawks, Sturges, Capra ou Cukor na época de oiro do cinema clássico americano, do seu ritmo extravagante e da velocidade alucinante dos seus diálogos, o estilo do mais recente filme de Peter Bogdanovich (Ela é Mesmo... o Máximo, no título em português) não será propriamente uma novidade, pois nele sobressai um número significativo de referências ao cinema clássico americano. Após uma longuíssima ausência – a sua obra anterior, The Cat's Meow, data já de 2001 – Peter Bogdanovich regressa com uma comédia elegante e deliciosamente libertina, dinâmica, engenhosa, subtil e inteligente, capaz de ombrear com as mais sofisticadas e saudosas comédias de Woody Allen. O filme do cineasta norte-americano é um pequeno tratado sobre encontros e desencontros nas relações humanas, uma divertida coreografia em torno de pessoas que se descobrem frequentemente em circunstâncias equívocas. Classicista até à medula – é bem conhecida a sua veneração pelas velhas glórias de Hollywood, os primitivos Dwan, Lubitsch, Cukor, Hawks, Hitchcock, Ford ou Walsh -, o humor de Bogdanovich não traz nada de novo ao cinema em geral e à comédia em particular; porém, o seu particular talento de coreógrafo permite-lhe desenvolver as mais diversas possibilidades de encenação de uma comédia – a composição dos planos, as figuras, os encadeamentos expressivos – actualizando uma simples história de uma call girl que pretende ser atriz, que gira em torno de uma prostituta, do amante, da sua mulher e do amante desta, sugerindo algo mais significativo do que um mero exercício retro de pura nostalgia.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:28 link do post
29 de Outubro de 2015

 

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Talvez o leitor nunca tenha ouvido falar. Pouco conhecido no ocidente, Mikio Naruse (1905-1969) foi um dos mais férteis e importantes cineastas japoneses do século vinte, assinando um número considerável de filmes (aproximadamente noventa obras). Na realidade, tal como sucedeu com Yasujiro Ozu, o cinema de Naruse acompanhou as transformações da sociedade japonesa do pós-guerra, nas quais a mulher teve um papel fundamental - Naruse, tal como outro mestre japonês, o enorme Kenji Mizoguchi, é um dos grandes cineastas de mulheres. Com efeito, a importância do cineasta japonês mede-se pela invejável mestria com que retratou o conflito entre tradição e modernidade, pelo modo como as suas obras ilustram o clima de tensão que se vivia quase diariamente nas cidades, no seio de cada família. Mikio Naruse trabalhou essa transição cultural no plano do conflito de valores entre gerações e, no centro dos pequenos e íntimos dramas familiares, interessou-se pelos problemas entre homens e mulheres, pelas crises conjugais. A sua visão era acentuadamente sombria e melancólica.

 

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Nos seus filmes as personagens aceitam as coisas tal como elas são, inevitáveis. Os dias, tristes, vão passando lentamente. Contudo, os monólogos desapaixonados desse conjunto de personagens são incapazes, paradoxalmente, de ocultar os pequenos sobressaltos que inquietam o seu (e o nosso) interior. E se já realcei a importância do cinema de Naruse, falta identificar-lhe o estilo. Os alicerces do edifício estético do autor japonês - os contidos movimentos de câmara, os diálogos e cenários minimais, os desempenhos rigorosos – operam numa lógica de contenção realista e encaixam naturalmente na quase imobilidade de um ritmo austero e elementar, no qual prevalece, como acertadamente referiu Pedro Mexia, uma sucessão de acontecimentos microscópicos que, embora não desenvolvam a narrativa, anunciam, numa configuração palpável e vibrante, estados de espírito. Como acontece nos melhores exemplos, já não se trata propriamente de figuras de estilos, mas de um modo genérico de expressão. Um cinema onde predominam seres humanos comuns e imperfeitos, e que representa uma imagem sólida e individualizada do papel fundamental da mulher num mundo em transfiguração.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:06 link do post
29 de Setembro de 2015

 

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 J. M. W. Turner, Dido builbing Carthage (1815)

 

O mais recente documentário de Frederick Wiseman, National Gallery – editado comercialmente em DVD há cerca de duas semanas -, investiga a grande instituição cultural britânica, focando o seu espaço e a realização de todo o tipo de actividades ou tarefas que ali se praticam, onde todos os seus colaboradores são protagonistas e intervenientes num amplo, trabalhoso e dinâmico processo cultural. Wiseman avalia o museu e aborda a sua história como um todo, exibindo as características do museu e a política cultural de quem o administra, bem como os princípios que unem as oficinas de conservação e restauro, as actividades pedagógicas para crianças ou o programa para grupos de invisuais, por exemplo. O seu modus operandi – com uma rara inclinação narrativa e um uso minucioso da luz e da cor - consiste na utilização de planos fixos, rigorosamente iluminados, neles fixando conversas e imagens de quadros, onde se detém para fazer sobressair uma singular visão da história da pintura. Notável será ainda a forma como o cineasta utiliza a profundidade de campo para revelar um museu que é todo salas e janelas dispostas em volta de um espaço circunscrito, criando, como acertadamente escreveu Vasco Baptista Marques, um lugar simultaneamente «aberto e fechado, fisicamente delimitado pelas fronteiras do museu, e esteticamente infinitizado pelas inumeráveis camadas de representação que cada uma das suas galerias e cada um dos seus quadros comporta». Seguindo meticulosamente as enriquecedoras apresentações e elaboradas explicações dos curadores e dos guias do museu sobre as telas de Vermeer, Rubens, Turner, Ticiano, Leonardo ou Caravaggio, por exemplo – atravessando a composição dos elementos, a utilização dramática da luz, a configuração psicológica das personagens ou o uso dos materiais -, Wiseman aproveita as suas magníficas lições de pinturas para os configurar como mui dignos representantes de uma prodigiosa cultura clássica.

 

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Peter Paul Rubens, Samson and Delilah (1609)

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:21 link do post
24 de Junho de 2015

 

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Lágrimas e Suspiros (1973), um dos filmes centrais do cinema moderno, é uma das obras mais complexas do sueco Ingmar Bergman, bem como um dos seus êxitos mais inesperados. François Truffaut citava-o como sumo exemplo do filme que, embora apresentasse todas as características do filme maldito, alcançou um êxito mundial. Na sua génese está a lenta agonia de Agnes, uma mulher moribunda, torturada por um cancro, que, ajudada pelas suas irmãs, Karin e Maria, convive num ambiente mesquinho de ciúme, manipulação e egoísmo. Ou seja, tudo aquilo que o público geralmente recusa ver. O crítico e cineasta francês – como acaba de certificar a recente reedição do clássico Os Filmes da Minha Vida - entendia que, no caso de Lágrimas e Suspiros, «a perfeição formal do filme, e sobretudo a utilização da cor vermelha no cenário da casa, constituíram o elemento exaltante, ouso até dizer o elemento de prazer, graças ao qual o público sentiu imediatamente que estava perante uma obra-prima, decidindo vê-la com uma cumplicidade artística e uma admiração que equilibraram e compensaram o efeito traumático das lágrimas e dos suspiros da agonia de Harriet Andersson». A observação de Truffaut sobre este filme que possui uma capacidade rara para filmar o interior da alma parece-me ainda hoje uma óptima explicação para quem procura no cinema algo mais do que puro entretenimento.

17 de Junho de 2015

 

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Fury (1936), alinhado, juntamente com You Only Live Once e You and Me, na trilogia social de Fritz Lang, produzida nos thirties, descreve a história do linchamento de Joe, injustamente acusado de um rapto. Conseguindo sobreviver ao incêndio da prisão onde se encontrava detido, Joe, obstinado pela sede de vingança, esconde de todos que escapou com vida, organizando em segredo um método para acusar de tentativa de linchamento, e à consequente condenação, os cidadãos responsáveis pelo sucedido. Poder-se-á afirmar que se trata, em suma, do testemunho da democracia no conflito da lei com a força colectiva. Samuel Fuller, experiente cineasta nesta matéria, não gostava muito do filme de Lang. Comparando-o com outro filme (notável) sobre vítimas de linchamento popular - Ox-Bow Incident (1941), de William Wellman, que narra a história do enforcamento de três homens inocentes -, considerava que Fury perdia para o filme de Wellman por não mostrar relações honestas e humanas. Fuller não compreendia que um grupo de pessoas que julgaram ter morto um culpado pudessem chorar, justificar-se e ter medo quando se apercebem que a vítima está viva. Em Ox-Bow Incident, pelo contrário, as relações são bem mais verdadeiras (os carrascos bebem e esquecem os inocentes enforcados). A película de Wellman seria o exemplo de um filme adulto, Fury o filme hollywoodiano por excelência. O segundo canal da RTP exibiu a fita no último sábado, oferecendo uma boa oportunidade de reavaliação. Estarei por conseguinte em condições de afirmar que não consigo concordar com Samuel Fuller e advogo ainda hoje que Fury será um dos mais poderosos e vertiginosos trabalhos sobre o modo como pacíficos e disciplinados cidadãos se transfiguram numa odiosa multidão, detentora de uma obstinada sede de justiça. Esta ideia sai reforçada por essa admirável mise-en-scène que vai deixando sinais bem ilustrativos de uma profunda insanidade, atestada na vertigem dos destinos individuais e colectivos, onde se perde a lucidez e se desafiam os valores morais. Também terá escapado a Fuller que Fury será uma das obras mais sombrias e atormentadas de Lang, pois não existe nada que distinga a vingança cruel de Joe da irracionalidade e da fúria justiceira dos seus linchadores. Apesar de terem sobrevivido à tempestade, Joe e a sua mulher Katherine são, no final da história, pessoas completamente diferentes. Perderam a capacidade de acreditar nos outros. Nesse delírio e nesse destino devastadores, foi-se destruindo a sua fé na justiça das sociedades humanas. Fury, um filme hollywoodiano?

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:23 link do post
03 de Maio de 2015

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Nelly é uma sobrevivente desfigurada dos campos de extermínio nazis. No pós-guerra, após se sujeitar a uma operação de reconstituição facial que a tornou irreconhecível, regressa a Berlim para encontrar o marido, que, crê-se, a terá traído denunciando-a aos nazis. Quando o localiza, este, não a reconhecendo, propõe-lhe que finja quem realmente é para conseguir a sua herança, procurando tirar proveito daquela que, embora não o saiba, é a própria mulher. Resgatando o legado do cinema clássico americano sob a variação do tema da mulher que se transforma no seu duplo (a presença central de Vertigo, de Hitchcock, mas não só), Christian Petzold, num estilo cada vez mais contido, subtil e depurado, constrói um portentoso e amargo edifício estético que abala qualquer crença no mito da reabilitação súbita da Alemanha do período pós-segunda guerra mundial - regeneração que lhe permitiu renascer das cinzas e tornar-se o principal motor da Europa -, configurando um conjunto de personagens que representa uma prolongada anestesia, um vazio moral e um esquecimento mecanicamente acolhidos. Pleno de contenção, comoção e intensidade, Phoenix, há que dizê-lo sem receio, é uma obra-prima do cinema contemporâneo.

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:43 link do post
14 de Março de 2015

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Em 1953, Ray Bradbury escreveu uma surpreendente história sobre um regime totalitário imaginário que proíbe a leitura de livros numa civilização futurista, prendendo os seus possuidores e queimando as suas casas, bem como os respetivos livros. Essa indigníssima tarefa era executada por uma corporação de bombeiros que ateava fogos em vez de apagar incêndios. Fahrenheit 451 - assim se intitula esta engenhosa e concisa construção literária em cenário de ficção científica - denuncia eficazmente um modelo civilizacional inquietante no qual a felicidade e o bem-estar das pessoas são garantidos pela via do comodismo, da apatia, do vazio mental, da crença na futilidade e do conformismo no domínio das ideias e do conhecimento. Porém, para configurar essa sociedade amestrada, a classe dominante necessita de amordaçar e destruir a cultura, conhecida a capacidade desta para motivar a transgressão, abalar convicções, suscitar dúvidas, desenvolver a inteligência e modificar as acções e os comportamentos humanos. Perante o perigo de contágio, uma pequena seita de resistentes, escondidos numa paisagem desolada, reage ao medo e à destruição encarregando cada um dos seus membros de uma empreitada singular: decorar um livro para posterior recitação. Mas como Truffaut tão intensamente demonstrou - na magnífica e complexa adaptação cinematográfica do livro, em 1966 -, esse lugar ocupado por homens-livro, não é, contudo, menos inquietante, porque aquelas pessoas, não obstante a sua liberdade, deixaram de conhecer qualquer outro prazer que não seja o deleite exclusivo da recitação.

 

01 de Março de 2015

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Les Parapluies de Cherbourg (Os Chapéus-de-Chuva de Cherbourg), de Jacques Demy, será a alma gémea cinematográfica de Splendor in the Grass (Esplendor na Relva), de Elia Kazan, não obstante se afastar das obsessões eróticas nem se deixar inundar pela intensidade dramática deste último. Contudo, como mui acertadamente notou João Bénard da Costa, quando a seu tempo escreveu sobre o primeiro, «Geneviève e Guy amaram-se de um amor tão novo e tão carnal como os heróis de Kazan e também não foram capazes de resistir às famílias, às separações e às ausências. O tempo deles passou sem que eles se apercebessem da passagem. Casaram-se trocados, com o “boy next door” ou com a “girl next door”, os que souberam durar mais e persistir mais. E quando, no fim, se reencontram, ela de casaco de peles, ele na estação de gasolina, há a mesma tristeza inenarrável do último encontro de Natalie Wood e Warren Beatty». Não conheço muitos filmes tão iluminados por essa lucidez desencantada, por esse sabor agridoce, como sucedeu no musical cantado e encantado do cineasta francês – ancorado na magnífica música de Michel Legrand – ou invadidos por uma tensão no limite do suportável como acontece no sublime drama - a roçar a tragédia - de Elia Kazan, sobressaindo em ambos uma capacidade rara para utilizar a cor com força expressiva. Revi maravilhado, há dias, o primeiro e fiquei com uma vontade imensa de voltar a pegar no segundo.

 

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publicado por adignidadedadiferenca às 23:54 link do post
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