a dignidade da diferença
21 de Março de 2010

 

Actualmente, em Portugal, o modelo que vigora é o do Estado Social, embora com características próprias do Estado português.

Enquanto, sob o ponto de vista económico, o Estado condiciona, asfixia até, as actividades privadas, sob o ponto de vista político, o cidadão viu reforçadas certas garantias que o protegem do arbítrio Estatal. Um bom exemplo do que se afirmou é a criação de normas que limitam a actuação do Estado ao defenderem direitos e interesses legítimos dos cidadãos contra eventuais comportamentos injustos da Administração Pública.

De forma sucinta, pode-se sublinhar que se passou de um Estado politicamente autoritário para um outro onde se integram muitas características do pensamento liberal, que é precisamente o inverso do que aconteceu em termos económicos. Se a tudo isto se juntar uma mentalidade tipicamente portuguesa - que consiste no facto de acharmos que, assim que nascemos, o Estado já nos deve alguma coisa, aliada ao facto de nos surpreendermos sempre com aquilo que já estamos à espera – não se augura nada de bom. O Estado, por querer intrometer-se em tudo, torna-se ineficaz e acaba por resolver muito pouco.

 

Não será este o paradigma dos receios manifestados, em 1840, por Alexis de Tocqueville, na sua obra Da Democracia na América?

Não é verdade que, com o excessivo protagonismo do Estado, se chegou a um ponto em que o poder soberano, como disse Tocqueville, «estende os seus braços por cima da sociedade inteira; cobre a sua superfície de uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os espíritos mais originais e as almas mais vigorosas não podem despontar sobressaindo da massa; não quebra as vontades, mas amolece-as, verga-as e dirige-as; raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede de nascer, não tiraniza, tolhe, comprime, debilita, extingue, atordoa, e reduz enfim cada nação a não ser mais do que um rebanho de animais tímidos e industriosos, cujo pastor é o governo»?

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:14 link do post
Assim vai dócilmente o nosso pobre Portugal. Muito pobre e perdido. Boa semana.
ionesco a 22 de Março de 2010 às 05:28
Pois é. e é pena. Boa semana também para si. O que aconteceu ao blog?
Um blog necessita de ser bem pensado.
Tenho o mundo inteiro na cabeça.
Então ...fiquei quieta.
E o teatro dá muito trabalho extra.
Venho cá ( ao seu ) ler, ver ... e ouvir.
Aqui vai um site muito bom: http://bitsounds.blogspot.com/
Não " desapareça".
ionesco a 26 de Março de 2010 às 23:29
O Estado capitalista, correia de transmissão dos grandes interesses, usando de todos os meios ao seu dispor <«estende os seus braços por cima da sociedade inteira; cobre a sua superfície de uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os espíritos mais originais e as almas mais vigorosas não podem despontar sobressaindo da massa; não quebra as vontades, mas amolece-as, verga-as e dirige-as; raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede de nascer, não tiraniza, tolhe, comprime, debilita, extingue, atordoa, e reduz enfim cada nação a não ser mais do que um rebanho de animais tímidos e industriosos, cujo pastor é o governo»?
Fulano a 13 de Abril de 2010 às 19:25
Não serão esses os defeitos precisos do capitalismo, mas também tem muitos. não sou contra o Estado social, bem pelo contrário. só crítico o peso excessivo do mesmo no nosso país. Obrigado pela visita.
Gosto do Capitalismo, mais acho que ele deve ser revisto, acho que agoa entre o capitalismos e o socialismo ou seja um meio temo.
Hospedagem a 14 de Abril de 2010 às 02:08
O compromisso entre as várias posições costuma ser, regra geral, a melhor solução. Obrigado pela visita.
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