a dignidade da diferença
01 de Janeiro de 2009

 

Decisão difícil esta de escolher os doze livros – à razão de um por mês - que mais me entusiasmaram durante o ano de 2008, mas, embora fique com a certeza de ter cometido algumas injustiças que me irão martirizar mais cedo ou mais tarde, a escolha está feita.

Intocáveis na minha lista serão, obviamente, os dois livros mais revolucionários que se publicaram durante o ano passado: O homem sem qualidades e Rayuela, este último, ainda assim, francamente penalizado por uma péssima revisão que, felizmente, não chegou para apagar o imenso fôlego do romance.

Também não podia deixar de fora o assombroso O céu é dos violentos e aquele que considero o melhor livro de contos traduzido em 2008, o magnífico Histórias de amor de Robert Walser.

Quanto aos restantes livros, uma nota pessoal para um dos clássicos do modernismo, o genial A educação sentimental de Flaubert e, nos géneros não ficcionais, realce para os indispensáveis Sermões de Santo António do Padre António Vieira e para o Tratado da República de Cícero.

2008 ofereceu-nos também o mais desconcertante dos livros sobre cinema, o insólito e fascinante Lacrimae rerum e duas ou três obras importantes de autores portugueses, com Herberto Hélder e o livro dedicado pela Cinemateca Portuguesa a Manoel de Oliveira à cabeça.

De fora ficaram quatro obras que, provavelmente, seriam incluídas nas minhas escolhas literárias, o que não acontece porque, embora já as tenha adquirido, ainda não tive oportunidade de as ler: O romance de Genji de Shikibu, O primeiro amor de Ivan Turguénev, Musicofilia de Oliver Sacks e Mão direita do diabo de Dennis McShade (ou seja, Dinis Machado).

Feita a análise, aqui vos deixo as duas listas, a dos autores estrangeiros e a da realidade portuguesa.

 

 

AUTORES ESTRANGEIROS (E UM PORTUGUÊS UNIVERSAL)

 

12. Lacrimae rerum, Slavoj Žižek

11. A origem das espécies de Charles Darwin, Janet Browne

10. Neve, Orhan Pamuk

  9. Tratado da República, Cícero

  8. Casais trocados, John Updike

  7. Sermões de Santo António, Padre António Vieira

  6. Da democracia na América, Alexis de Tocqueville

  5. Rayuela, Julio Cortázar

  4. A educação sentimental, Gustave Flaubert

  3. Histórias de amor, Robert Walser

  2. O céu é dos violentos, Flannery O’Connor

  1. O homem sem qualidades, Robert Musil

 

 

 

 

 

AUTORES PORTUGUESES

 

  6. Lavagante, José Cardoso Pires

  5. Engenho luso e outras crónicas, Carlos Fiolhais

  4. A viagem do elefante, José Saramago

  3. Myra, Maria Velho da Costa

  2. Manoel de Oliveira cem anos, Cinemateca Portuguesa

  1. A faca não corta o fogo, Herberto Hélder

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:45 link do post
Estou a ler"Myra". É um texto tão belo!
Não direi mais palavras.
BOM ANO ( e todos os anos ).
ionesco a 2 de Janeiro de 2009 às 19:54
É um livro belíssimo. E eu até conhecia mal a Maria Velho da Costa! Bom(ns) ano(s) também para si.
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