a dignidade da diferença
09 de Novembro de 2008

 

Arturo Benedetti Michelangeli plays Debussy (Images, Children's Corner 1971 / Préludes I 1978 / Préludes II 1988)

 

 

 

O casamento perfeito entre a música impressionista do compositor francês Claude Debussy (1862-1918) - evocativa de um determinado estado de espírito ou atmosfera, rebuscando, não raras vezes, memórias de sons naturais e ritmos de dança, passagens melódicas contemplativas ou de sabor oriental que definem, grosso modo, as principais características da música revolucionária que o compositor francês criou na viragem do século XIX para o século XX  - e a sobriedade expressiva do assombroso pianista Arturo Benedetti Michelangeli (1920-1995), cujas lendárias ausências, retiradas e silêncios lhe conferiram uma aura mítica semelhante à de outro soberbo pianista do século XX: Glenn Gould.

O mais importante e o que nos fica na memória é o gesto livre e natural que sobressai desta interpretação magnífica do pianista italiano, capaz de oferecer, numa bandeja de oiro puro, doses deslumbrantes de música transparente e, por vezes, quase invísivel, reproduzindo um prodigioso ambiente sonoro nocturno com ecos de uma subtil fantasia poética.

 

Nunca, como neste disco, as peças musicais de Debussy - que constituem o mais importante contributo do início do século XX para o reportório do piano enquanto instrumento solista -, estiveram em tão boas mãos. Um estilo arrojado e profundamente lírico, numa busca permanente pela pureza e perfeição da música, deixa-nos como legado uma gravação histórica, radicalmente poética e portadora de uma sensibilidade primorosa, elegante e transgressora.

 

Uma obra, a todos os títulos, admirável.

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:29 link do post
Interpretação soberba !
E permita-me uma nota pessoal : quando há tantos , tantos, anos comecei a estudar piano, o meu compositor preferido era Debussy (mais tarde vim a apreciar mais outros, mas os amores juvenis não se esquecem...).
E, já agora, permita-me também uma outra observação : fico sempre espantado com a elegância das suas apresentações e com a profundidade de conhecimentos que revelam.
Um abraço
Transdisciplinar a 10 de Novembro de 2008 às 01:49
Só tenho que agradecer a simpatia das suas palavras. Mas, sinceramente, acho um exagero. Quanto ao Debussy, é óptimo e do Michelangeli nem vale a pena falar. Um abraço e obrigado.
Tenho uma caixa de 8 cds dele. Também é a única caixa de música clássica que tenho...Comprei-a por um preço bastante reduzido aqui em Viana.
Manuel a 10 de Novembro de 2008 às 05:08
Foi aí que descobriste que já não gostavas dos Scorpions (eh eh eh)...
sim, sim e sim! completamente de acordo.
sem-se-ver a 12 de Novembro de 2008 às 00:31
e ainda (só li depois), com isto:
«fico sempre espantado com a elegância das suas apresentações e com a profundidade de conhecimentos que revelam.»

subscrevo por inteiro.
sem-se-ver a 12 de Novembro de 2008 às 00:33
Obrigado. Estragam-me com mimos.
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