a dignidade da diferença
10 de Fevereiro de 2008

Variações Goldberg (de J.S.Bach) - Glenn Gould (1955/1982)

 

 

 

Para muitos, Gould, a quem já chamaram a Maria Callas do piano, tem a interpretação definitiva das variações goldberg de Bach. Ao fim deste tempo todo, ainda não me consegui decidir se prefiro a gravação de 1955 ou a de 1982. Ambas mostram a sua extraordinária exuberância técnica ao serviço de uma leitura individual desta peça que nos consegue transmitir, qual ilusionista, uma correspondência matemática entre os vários andamentos. Se na primeira prevalece o prodígio interpretativo e a técnica quase impossível, na última respira-se melhor e existe uma diversidade maior através dos imensos e excêntricos recursos estilísticos utilizados que vão da lentidão excessiva à rapidez alucinante. Leituras geniais, sem dúvida, de um extraordinário pianista que também tinha uma posição lendária ao piano: debruçava-se e curvava-se de tal modo sobre o instrumento, que, a dada altura, pareciam tão unidos que se tornavam um só corpo.

publicado por adignidadedadiferenca às 15:34 link do post
Queria ouvir um tema destas variações.Isto porque li uma entrevista do falecido José Luis Pacheco a um jornal.Sendo ele um homem muito controverso fiquei curiosa quando disse que goatava muito das variações de Goldberg, de Bach.
Gostei muito do que ouvi. Talvez compre mais tarde o CD.
Obrigada pela sua ajuda.
ionesco a 30 de Março de 2008 às 11:30
Eu é que agradeço a consulta ao blog e o seu comentário. E se quiser adquirir o cd original, vi-o, uns destes dias, na Fnac a rondar os 7 euros.
A propósito de Bach...
Comprei o CD e estou a ouvi-lo.
Como é um melómano penso que deverá conhecer " O concerto para piano nº 3 "de Sergei Rachmaninoff.
Há um pianista que gosto particularmente- Lang, Lang.
Gostaria de ouvir a sua opinião.

Nos seus gostos pessoais refere o cinema.E porque não o teatro?A bela arte. A exposição total perante o público. Sem câmaras. É tão intenso o trabalho de actor teatral!
Vamos apresentar "A cantora Careca ", de Ionesco, muito brevemente, dentro de 4 dias.
Espero que goste de Lang.Se o conhece, continue a ouvi-lo.
ionesco a 31 de Março de 2008 às 14:57
Sobre Rachmaninov(off) a opinião é muito simples. É evidente que gosto, mas naquele período (princípios do séc. XX) existe música muito mais avassaladora (assim, de repente, lembro-me de Bartók, Prokofiev, Berg, Schoenberg, Hindemith e o maior de todos: Stravinsky). Trata-se do último grande representante da tradição romântica russa, para além de ter sido um grande pianista. Sei que, de facto, os concertos para piano (e orquestra) serão das suas obras mais apreciadas, mas, sinceramente, não tenho grandes recordações do n.º 3. Aqui, acabo por ceder um pouco ao gosto comum e prefiro o segundo que possuo interpretado por Rubinstein e o extraordinário Richter. Do compositor, gosto muito mais da «Ilha dos mortos» e das sinfonias. Sobre Lang, Lang (será mesmo assim?), confesso o meu total desconhecimento. Pela qualidade da intérprete, aconselho-a, se calhar, a ouvir a leitura que Martha Argerich fez do concerto para piano n.º 3, com orquestra dirigida por Riccardo Chailly, em 1982.
Quanto à questão do teatro, é evidente que aprecio, mas na nossa vivência vamos seguindo um rumo que foi, muitas vezes, influenciado por amigos, familiares ou por gente que com o seu extraordinário talento para escrever conquistou, sobremaneira, a nossa atenção para outras manifestações artísticas e estéticas. Ensinaram-me, assim, a apreciar, principalmente, o resultado final da obra, seja ela manipulada de diversas formas ou vivendo do contacto autêntico e directo com o espectador/ouvinte. E o gosto fugiu-me mais para a literatura, música (de todo o género) e cinema (essencialmente estes). Mas recordo com prazer algumas peças que vi na TV: O inimigo do povo (Ibsen), O tio Vânia e as Três irmâs (Tchekov), Penthesilea (Syberberg e Edith Clever), Oresteia (Ésquilo), Os abençoados (Ingmar Bergman, que, por acaso, é ainda mais genial como cineasta) e A casa de Bernarda Alba (Lorca). E depois, no momento em que expressei o meu gosto preferencial, obviamente que não me lembrei de tudo. Faltou a paixão pela fotografia, banda desenhada e arquitectura.
Infelizmente, não me consigo explicar melhor. Mas não crie muitas expectativas a meu respeito, sou um amante de quase todas as formas de expressão artística, mas não um entendido.
P.s. Felicidades para a peça.
Não me esqueçendo da sua ajuda envio-lhe alguns pequenos pormenores:

Lang Lang (esteve na Casa da Música)- Rachmaninov(off)- piano concerto nº 2, orquesta do teatro Mariinsky. Tinha mencionado o nº 2, não foi?
Nikolai Lugansky- Chopin Etudes

E um blog de teatro- Todo o mundo é um palco.
ionesco a 2 de Abril de 2008 às 20:02
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