a dignidade da diferença
27 de Julho de 2008

 

O assunto não é vital para as nossas vidas nem precisamos dele como do pão para a boca, mas depois da triste figura que a revista Visão fez na entrevista com Lou Reed, agora é a vez do semanário Expresso dar um pontapé na música portuguesa.

Na página 16 do primeiro caderno do jornal, no espaço dedicado ao Exame Prévio, surge uma pequena coluna intitulada «De alto a baixo» e que vou transcrever na íntegra:

 

 

Um álbum de Sérgio Godinho

“Um disco verdadeiramente indispensável para ouvir em tempo de férias (ou não)”.Pedro Pyrrait escrevia sobre o segundo álbum de Sérgio Godinho, ‘Os sobreviventes’. (!!!) O primeiro ‘Pré-histórias’, (!!!) “foi retirado da venda pública”. O crítico chamava “a maior atenção para as três mais belas composições deste álbum: “Barnabé”, “Pode alguém ser quem não é” e “A noite passada”, onde a pungente interpretação vocal e a viola dolente transportam as palavras de Sérgio do Douro ao Tejo (‘a noite passada acordei com o teu beijo, descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo’)”. (a isto só posso chamar crítica musical embalsamada!) Nada saiu.

 

 

E ainda bem. Até hoje é consensual dizer-se que Cantigas do Maio de José Afonso, Mudam-se os tempos mudam-se as vontades de José Mário Branco e Os sobreviventes de Sérgio Godinho (todos gravados em 1971, embora o último só tenha saído no ano seguinte) foram os álbuns fundadores de uma nova e exigente forma de abordar a música popular portuguesa, dando tanta importância à qualidade dos textos como à substância musical. Há, até, quem, ainda hoje, persista no equívoco de lhes querer juntar o disco de Adriano Correia de Oliveira Gente de aqui e de agora, mas esse só com muito boa vontade ficará registado no que a música portuguesa nos ofereceu de memorável.

Ficámos agora a saber que, afinal, nos andaram a trocar as voltas todas. Afinal SG já se tinha adiantado aos colegas e assinado, nos seus antípodas, Pré-histórias (em que ano, já agora, terá sido editado?) revelando, mais tarde, uma estranha e bizarra opção pela reedição do disco quase imediatamente a seguir a Os sobreviventes.

Ainda por cima o jornal está cheio de gente competente na área da crítica musical. O que eles devem ter gozado...

De repente, não sei porquê, apeteceu-me ouvir o Barnabé.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:59 link do post

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