a dignidade da diferença
14 de Julho de 2008

 

Nos blogs onde sinto mais afinidades musicais a coisa parece estar a passar um pouco despercebida, de modo que, ao que parece, cabe-me a mim avançar. Pois bem, Aimee Mann regressou com um novo e excelente disco. Se à primeira vista arriscamos dizer que tudo parece do género «mais do mesmo», pouco a pouco vamos reparando e descobrindo, na singularidade e subtileza dos arranjos, coisas novas e inesperadas que tornam a música, uma vez mais, um pouco diferente da que Aimee Mann já tinha criado.

Nota-se, aqui e ali, uma base musical mais acústica a servir de suporte às canções, uma secção de cordas e de metais mais presente do que é habitual e, no resto, reaparece tudo aquilo que já conhecemos da autora, mas apetece sempre voltar a ouvir: melodias memoráveis e intemporais - inexplicavelmente arredadas do gosto da maior parte dos potenciais ouvintes -, roubadas, essencialmente, à matriz Beatles/XTC/Costello com mais uns pozinhos da inevitável Suzanne Vega (letras angustiantes/melodias contagiantes), personagens destinadas a sofrer as agruras da vida e, por fim, a confirmação da incapacidade congénita que Aimee Mann possui (motivo para lhe prestarmos a nossa eterna gratidão) para compor canções felizes que, a acreditar no que ela diz, não servem para nada. Num ano onde as mulheres têm mostrado muito do seu talento, mais um disco de cabeceira.

No conjunto da sua discografia, será apenas superado pela obra-prima «Lost in space», pela BSO de «Magnolia» (banda sonora que tem o motivo extra de, ainda por cima, reduzir a música dos Supertramp à sua miserável e real expressão, por comparação directa com as magníficas e clássicas canções de Aimee) e por «Bachelor n.º 2»

 

Freeway

31 today

Phoenix

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:08 link do post
e outra que me torci toda por não ter podido ver... julho do ano passado. obg pela dica, realmente não sabia da existência deste seu último disco.
sem-se-ver a 21 de Julho de 2008 às 10:40
Só para a deixar mais descansada, o concerto não foi propriamente memorável. A Aimee Mann estava muita simpática, muito feliz, fartou-se de agradecer e gostou muito da cidade e do público. Não é isso que se espera de quem acha que as canções felizes não servem para nada. Claro que, fazendo o papel de fã fervoroso, já ia preparado para gostar e embora as canções tenham sido interpretadas um pouco ao jeito «piloto automático», são tão perfeitas que me tocam sempre onde não estou à espera. Fazendo o venerável papel de crítico, de 1 a 5 mereceu 3 e meio (mas fazendo um pouco de batota).
nao pude deixar de me rir.

mas, ao mesmo tempo: e quem acha que as cançoes felizes nao servem para nada não tem direito a ser simpática e a ter adorado a cidade etc? :-)

Claro. Mas isso é o mesmo que estar à espera de ver o Jerónimo de Sousa um dia a votar no cds-pp..
nada de tão surpreendente assim se pensarmos na camarada zita... hélas!
Essa, coitada. Nem tem respeito por ela própria. Mas fica combinado. Próxima vez que a Aimee Mann vier cá tocar (se houver próxima) tem de assistir. E vai concordar comigo quando acho que ela é muito mais interessante quando se serve da ironia, sarcasmo e veneno em doses certas para tormento das nossas alminhas. A nossa vida é bem mais preenchida dessa forma. Todos felizes, amigos, adoráveis e sem uma única voz discordante faz-me lembrar aqueles programas de entretenimento das nossas televisões, apresentados pelas Catarinas, pelas Bárbaras, etc, etc. São todos muito bons, muito amigos, com um coração de oiro, os concorrentes levam todos (quase) a mesma nota e o país lá vai andando, estupidamente, entre risos e aplausos...
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