«A procura espontânea de uma solução intuitiva por vezes falha – nem uma solução de especialista nem uma resposta heurística surgem na mente. Em tais casos, descobrimo-nos a mudar para uma mais lenta, mais deliberada e mais esforçada forma de pensar. É o pensar devagar do título. Pensar depressa inclui as duas variantes do pensamento intuitivo – a de especialista e a heurística -, bem como as atividades mentais inteiramente automáticas da perceção e da memória, operações essas que nos permitem saber que está um candeeiro sobre a mesa, ou relembrar o nome da capital da Rússia. A distinção entre pensar depressa e pensar devagar foi explorada por muitos psicólogos durante os últimos vinte anos. Por razões que explicarei mais detalhadamente no próximo capítulo, descrevo a vida mental através da metáfora de dois agentes, chamados Sistema 1 e Sistema 2, que produzem respetivamente o pensar depressa e o pensar devagar. Falo das características do pensamento intuitivo e do deliberado como se fossem traços e disposições de duas personagens na nossa mente. Na imagem que emerge da investigação recente, o intuitivo Sistema 1 é mais influente do que aquilo que a nossa experiência nos diz e é o autor secreto de muitas escolhas e juízos que fazemos. A maior parte deste livro é acerca do funcionamento do Sistema 1 e das influências mútuas entre ele e o Sistema 2.»
Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman (tradução de Pedro Vidal).