a dignidade da diferença
03 de Agosto de 2008

 

A sagração da Primavera  (Le sacre du printemps) - Igor Stravinsky/Pierre Boulez/The Cleveland Orchestra (1992)

 

 

Fazendo parte das principais composições da fase inicial da obra do compositor russo Igor Stravinsky – os três bailados encomendados por Diaghilev -, este retrato vivo dos sacrifícios rituais da Rússia pagã introduziu um nível de dissonância e ousadia rítmica que provocou tumultos entre o público que assistiu à sua estreia em Paris, corria o ano de 1913, e marcou toda a história posterior da música do século XX, tornando-se um dos marcos incontornáveis da música de vanguarda.

Se o ritmo, nas suas mais admiráveis formas, constitui o centro da sua obra, é na Sagração da Primavera que atinge a sua pele mais elaborada. É verdade que já foi considerada como o cúmulo do primitivismo (como se isso fosse mau) – Cocteau, por exemplo, chamou-lhe Pastoral do mundo pré-histórico -, mas a obra viria a impor-se pela sofisticação rítmica, pela combinação ambígua de acordes, pelos extraordinários e devastadores efeitos orquestrais e pela imparável força telúrica e dramática de todos estes elementos.

Acrescente-se, ainda, a contribuição dos Ballets Russos de Diaghilev, de Nijinski, Picasso, Bakst, Fokine e outros talentos extraordinários para a sua importância fulcral numa época de oiro, visionária e profundamente revolucionária.

 

 

A escolha da leitura de Pierre Boulez, deve-se ao seu apurado sentido auditivo que lhe permite destacar imensos pormenores que muito raramente foram ouvidos anteriormente. Não se devendo menosprezar, igualmente, o facto de ser um intransigente modernista e esplêndido divulgador da arte musical do século XX.

 

 

 

Le sacre du printemps, parte 1 e 2

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:44 link do post
03 de Agosto de 2008

Na volta que dei ontem à tarde pela Fnac do Chiado e depois de ter decidido aquilo que iria comprar, reparei, quando me deslocava para as caixas de pagamento, num dos expositores da loja onde se encontrava cerca de uma dúzia (para mais e nunca para menos) de exemplares da estreia dos Hugo Largo - mítica banda dos anos 80 cujo som se construiu essencialmente com  a voz de Mimi Goese, dois baixos, violino e, muito ocasionalmente, guitarra  -, ou seja, o magnífico (e isto é dizer o mínimo) «Drum» a um preço imbatível: EUR 2,99 (!!!).

 

Não comprei porque já tenho, mas no regresso a casa lembrei-me do Tom Waits ter afirmado (vou citar de memória, porque não tenho à mão o livro onde li essa história) que  lhe agradava a ideia de um disco seu acabar abandonado numa linha férrea (ou algo do género, não tenho a certeza) e a derreter ao sol. Descontando o exagero da comparação, não sei se gostei de ver o «Drum» acabar os seus dias daquela maneira - no fundo, para estar àquele preço é porque já ninguém o quer comprar.

Mas para os distraídos ou para quem não tinha idade na altura para se aperceber da excelência do álbum, o melhor é aproveitar a fartura enquanto dura.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:02 link do post
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