a dignidade da diferença
14 de Fevereiro de 2008

Tenente Blueberry, de Giraud e Jean-Michel Charlier

 

 

Mais uma demonstração eloquente da relação directa entre BD e cinema, neste caso, com a criação de uma das mais consistentes e duradouras aventuras passadas no oeste americano.

 

 

 

Blueberry, um herói individualista e um militar rebelde, juntamente com Red Neck, McClure e Chihuahua Pearl, formam, com os índios e mais uns quantos seres solitários, um conjunto de excêntricas e raras personagens - a quem é atribuída uma dignidade fora do comum, como se pode ver, por exemplo, nas pranchas onde aquelas se destacam num fundo branco (ou ausência de cenário) -, apoiadas, quase sempre, num argumento fabuloso, nada habitual nas «histórias aos quadradinhos».

 

 

 

O talento dos autores cria uma obra com a dimensão da mitologia do western americano, seja nos textos e nos diálogos soberbos de Charlier, num estilo que lembra, por vezes, a secura e a crueza do film noir, seja no realismo e rigor gráfico de Giraud, clara e profundamente cinematográfico, caracterizado, como se pode constatar, pela influência do espaço Fordiano (o Monument Valley), pelas paisagens desertas e agrestes do território mexicano, pelo esplendor do cinemascope

 

 

 

e pela violência própria do western-spaghetti.

 

 

 

Com muitos e muitos volumes publicados, uma obra admirável para ser lida e apreciada lentamente, arrumando-se, por fim, junto aos verdadeiros clássicos (do cinema ou da literatura).

publicado por adignidadedadiferenca às 20:40 link do post
14 de Fevereiro de 2008

«O tocador de alaúde» (1661) de Hendrick Martensz Sorgh e «Interior holandês I» (1928) de Joan Miró

 

Miró visita Amesterdão e os seus museus. Os postais que leva consigo, aproveita-os para recriar a sua paixão pela pintura do século XVII, como neste exemplo. Se, aparentemente, nada parece ligar os quadros, observa-se, com uma leitura mais atenta, que os motivos da pintura do artista catalão correspondem , um a um, aos da tela original.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:37 link do post
14 de Fevereiro de 2008

The blue moods of spain (1995)

A banda de Josh Haden, filho de Charlie Haden, célebre contrabaixista de jazz, cria uma música vagamente country, embaciada por uma atmosfera nocturna, despida de tudo o que não é essencial. Música de um rigor impressionante, construída à base de movimentos lentíssimos semelhantes, na atitude, à  leitura que Celibidache fez da matéria-prima de Bruckner e Debussy. Nota a nota, passo a passo, as canções parecem hesitar no caminho a seguir, imobilizando-se de forma dolorosa e quase insustentável, mas, ao mesmo tempo, luminosa e profundamente elegante. Ouve-se o eco de Chet Baker, o silêncio dos Cowboy Junkies, algum jazz da idade do gelo e muito «blue mood». Essencial.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:32 link do post
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