Variações Goldberg (de J.S.Bach) - Glenn Gould (1955/1982)
Para muitos, Gould, a quem já chamaram a Maria Callas do piano, tem a interpretação definitiva das variações goldberg de Bach. Ao fim deste tempo todo, ainda não me consegui decidir se prefiro a gravação de 1955 ou a de 1982. Ambas mostram a sua extraordinária exuberância técnica ao serviço de uma leitura individual desta peça que nos consegue transmitir, qual ilusionista, uma correspondência matemática entre os vários andamentos. Se na primeira prevalece o prodígio interpretativo e a técnica quase impossível, na última respira-se melhor e existe uma diversidade maior através dos imensos e excêntricos recursos estilísticos utilizados que vão da lentidão excessiva à rapidez alucinante. Leituras geniais, sem dúvida, de um extraordinário pianista que também tinha uma posição lendária ao piano: debruçava-se e curvava-se de tal modo sobre o instrumento, que, a dada altura, pareciam tão unidos que se tornavam um só corpo.