a dignidade da diferença
08 de Fevereiro de 2008

Elementos de filosofia moral - James Rachels

 

Eis um autêntico manual que ajuda a compreender a vida, sob o prisma das grandes questões morais que se vão colocando no caminho que pisamos todos os dias, escrito numa linguagem acessível que permite o acesso a um discurso exigente.

De forma minuciosa, mas clara, o autor discute os problemas, as teorias e os argumentos mais importantes que têm sido usados ao longo da história da filosofia moral, explicando o porquê de, em todos eles, existirem aspectos positivos e aspectos negativos, aproveitando uns e rejeitando os outros.

As teorias de Kant, Anscombe, Hume, Mill, Hobbes, Aristóteles e não só, são-nos apresentadas e explicadas, de forma mais que fascinante, com casos concretos e exemplos do dia a dia, o que facilita imenso a nossa compreensão da pertinência de todas elas.

publicado por adignidadedadiferenca às 21:46 link do post
08 de Fevereiro de 2008

                           Pause - Four Tet (2001)

 

 

 

Caixas de música chinesas, esculpidas em filigranas electrónicas, que encaixam na perfeição em pequenas abstracções acústicas, caminham lado a lado com mosaicos de world music à deriva, apanhados no meio do trânsito caótico em cenário de fim de século, reflectidos num espantoso e delicado ambientalismo sonoro concretizado por um músico/pintor que utiliza, simultaneamente, as telas coloridas de Seurat, de Renoir e de Turner, e os sons do jazz, da folk e do trip-hop, para nos dar a sua visão pictórica do mundo, que abraça o romantismo, o paisagismo e o impressionismo.

publicado por adignidadedadiferenca às 00:54 link do post
08 de Fevereiro de 2008

O comentário, hoje, vem a propósito da libertação do escocês Kenny Richey, 21 anos após ter sido condenado à morte nos Estados Unidos por fogo posto e homicídio de uma criança com dois anos. Sei que qualquer reflexão mais ou menos aprofundada sobre a pena de morte, as suas causas e consequências, será sempre motivo para acesas discussões e muita polémica. Não é esse o meu objectivo. Aqui, pretendo tão só questionar se fará algum sentido, no mundo em que vivemos e em constante evolução (estava quase tentado a escrever ebulição), defender a pena máxima. Claro que existem argumentos favoráveis à pena de morte e não são propriamente tolos. Merecem ser respeitados e discutidos. Naturalmente, um criminoso é uma ameaça para a sociedade e verifica-se que, na maior parte das vezes, não é recuperável. Também aceito que o indivíduo deve ser responsabilizado pelos actos que pratica, mais ainda quando resultam de um comportamento intencional e consciente. Até um génio como Kant, na sua época, era defensor da pena capital ao afirmar que é importante punir o criminoso de forma proporcional à seriedade do seu crime e que a forma e a medida da punição que a justiça pública deve tomar como padrão é o princípio da igualdade: quem difama outra pessoa, difama-se a si mesmo, quem ataca outra pessoa, ataca-se a si mesmo, quem mata outra pessoa, mata-se a si mesmo. Só este princípio pode estabelecer a qualidade de uma pena justa.

 

Pode ser. Mas, ao tomar conhecimento da notícia da libertação de Kenny Richey e ao aperceber-me dos contornos nebulosos que envolveram toda esta história - desde a possibilidade de terem sido prestadas falsas acusações, até à omissão de factos que absolveriam, com toda a certeza, o acusado -, não posso deixar de perguntar que justiça existe na condenação de um inocente, condicionada, além disso, pela impossibilidade material de corrigir um erro que o acusado pagou com a própria vida?

Mesmo quando comprovadamente culpadas (e que certezas existem no mundo actual?), será correcto tratar assim as pessoas? Neste caso concreto, se o presumível inocente tivesse sido condenado, não seria o seu executor um assassino, na óptica dos defensores da pena capital, que deveria, também ele, ser condenado à morte? E como fazer para restituir a vida a um morto?

A pena de morte é o assassinio a sangue frio de um ser humano (mesmo criminoso), é um castigo cruel, desumano e degradante. É um acto de uma violência irreversível e irreparável (e sabe-se que não têm sido assim tão poucos, os erros praticados no julgamento desses condenados). Não se justifica como auto-defesa, porque não se consegue provar que tenha um efeito dissuasor superior ao da prisão perpétua (que eu, em situações limite e sem solução, defendo).

Não me esqueço que a pena de morte levanta imensas questões de ordem social, jurídica e cultural, sobre as quais haverá imensa gente com mais capacidade para se pronunciar, mas, concretizando o meu pensamento, devo dizer que acredito ser a existência de cada um de nós uma trajectória pelo tempo e pelo espaço que cabe no conceito dinâmico do desenvolvimento (defendido pelo académico Steven Rose). Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos, e - pelo facto de possuirmos cérebro e organização social – temos a capacidade de compreender o que nos espera, o que nos dá a liberdade de actuar ou de construir o nosso futuro (e o da humanidade). Não creio que a pena de morte favoreça essa evolução. Faz, para mim, muito mais sentido uma vida que aceita e investe na reabilitação de um indivíduo, mesmo que os resultados práticos sejam mínimos, do que na sua condenação brutal e, por vezes, arbitrária.

Um mal não se remedeia com outro e, parafraseando a viúva de Martin Luther King: A justiça nada progride tirando a vida a um ser humano.
publicado por adignidadedadiferenca às 00:43 link do post
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