a dignidade da diferença
04 de Dezembro de 2011

 

 

Este é o ano do centenário do nascimento de Nicholas Ray (falecido em 1979) e a Cinemateca Portuguesa decidiu homenagear o genial cineasta norte-americano exibindo, durante este mês de Dezembro e o próximo mês de Janeiro, a sua obra completa. É uma oportunidade única para avaliarmos como a passagem do tempo tratou o cinema de Ray: a sua inquietude, o seu lirismo, a ambiguidade, a dimensão poética e humana das personagens, a abissal poesia visual ou a prodigiosa arquitectura dos cenários. Nick Ray, o mais secretamente amado, sobretudo pela crítica europeia, dos cineastas de Hollywood, criou uma das obras mais assombrosas e emocionais da história do cinema. Os seus filmes, mesmo quando revelam algumas imperfeições, são, ainda assim, quase sempre admiráveis, provocando fatalmente uma atracção nos espectadores.

 

 

Na sua essência está a sensação de perda e a dor magoada dos seus heróis, o conflito de gerações, as suas relações obsessivas, excessivas, tormentosas, demasiado humanas e sentimentais. Mas não só, também por lá passa, muitas vezes, uma dimensão trágica, cruel ou confessional, o delírio pungente do cinemascope, uma fulgurante visão estética personalizada ou a exploração profunda da vida enquanto experiência humana íntima e irrepetível. Um cineasta que atravessa os mais variados géneros cinematográficos, deixando em todos eles a visão pessoal de um realizador como é timbre do genuíno cinema de autor, cuja relevância estética alguma crítica recente e ignorante procura desvalorizar. Uma carreira que começou com o belíssimo e premonitório They Live By Night, da qual, sem negar a importância relativa que uma lista destas terá, os nossos filmes preferidos talvez sejam In a Lonely Place, On Dangerous Ground, The Lusty Men, Johnny Guitar, Rebel Without a Cause, Bigger Than Life, Bitter Victory ou Party Girl.

 

 
«Havia o teatro (Griffith), a poesia (Murnau), a pintura (Rossellini), a dança (Eisenstein), a música (Renoir). Agora, há o cinema. E o cinema é Nicholas Ray.»
Jean-Luc Godard 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:56 link do post

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