«Revestindo a palavra de sentidos próprios e esvaziando-a de outros, alheios, Emily Dickinson aplicou à sua poesia um processo misto de desvelamento e ocultação do qual não esteve ausente nem o seu sexo nem a sua condição de mulher da classe média, descendente dos primeiros Puritanos, simultaneamente privilegiada pela classe e marginalizada pelo sexo. Na limitação física, Dickinson alargaria o seu olhar poético a excessos de experimentação: tal como a margem seria o centro da sua escrita, a própria ausência seria, paradoxalmente, centro do excesso.»
Posfácio de Ana Luísa Amaral
There is no Frigate like a book / To take us Lands away / Nor any Coursers like a Page / Of prancing Poetry - / This Traverse may the poorest take / Without oppress of Toll - / How frugal is the Chariot / That bears the Human soul.
Não há Fragata como um livro / Para levar-nos Terra afora / Nem há Corcel como uma Página / De volteante Poesia - / Tal travessia pode o mais pobre / Sem submissão a portagem - / Quão frugal é a Caleche / Que leva à alma Humana.
Tradução de Ana Luísa Amaral
