a dignidade da diferença
07 de Dezembro de 2021

 

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«Este livro pretende relacionar e coser as dimensões estéticas, artísticas, filosóficas e pessoais da vida de Nadir, de modo a tentar fechar o círculo que as une. Quer destapar os porquês e descobrir o homem nessas interrogações. Para este projecto interessou, pois, encontrar os caminhos de Nadir Afonso Rodrigues, o homem, que o levaram até Nadir Afonso, o artista, o pensador – trilhos nos quais surgem, necessariamente, as suas obras plástica e ensaística, as quais decidi meramente reflectir e contextualizar, como o rosto ténue de alguém que se observa em águas calmas, a partir das palavras do próprio Nadir, de especialistas na sua obra ou dos seus familiares directos, os que o conhecem mais perfeitamente, e nunca a partir das minhas interpretações ou opiniões: o biógrafo é um espelho e não pode ambicionar a mais.» Guilherme Pires in «O Homem Infinito, Vida e Obra de Nadir Afonso»; biografia essencial que faz justiça ao pintor, arquitecto e pensador, bem como à criação de uma vasta e importante obra plástica (em que cabe, entre outros, o modernismo, o surrealismo, o expressionismo, o abstraccionismo e o realismo geométrico) - mal conhecida e insuficientemente divulgada -, cujos pioneirismo e originalidade das soluções estéticas e teóricas foram o fruto de um aturado e firme trabalho de reflexão rumo à essência da arte. Um «esboço interminável», nas palavras do biógrafo, que sobressai no contexto artístico contemporâneo.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:17 link do post
15 de Novembro de 2021

 

 

O curioso contraste entre o optimismo inicial de Gilberto Gil «Pela Internet» - Eu quero entrar na rede/Promover um debate/Juntar via Internet/Um grupo de tietes de Connecticut - há cerca de 25 anos, e o canto fúnebre que ilustra os efeitos da passagem do tempo após a experimentação, em «Anjos Tronchos», de Caetano Veloso, uma das canções do recente e magnífico «Meu Coco», exemplo maior da raridade de uma música que continua a atravessar gerações e territórios, prova inequívoca e veemente da vitalidade, necessidade e actualidade do tropicalismo na afirmação da pluralidade brasileira.

publicado por adignidadedadiferenca às 00:05 link do post
14 de Novembro de 2021

 

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Em 2011, no aclamado «Pensar, Depressa e Devagar», o psicólogo Daniel Kahneman descrevia a vida mental através da metáfora de dois agentes, chamados Sistema 1 e Sistema 2, que produzem respetivamente o pensar depressa e o pensar devagar, referindo-se às características do pensamento intuitivo e do deliberado como se fossem traços e disposições de duas personagens na nossa mente, afirmando que da investigação recente se chega à imagem de um intuitivo Sistema 1 mais influente do que aquilo que a nossa experiência nos diz, autor oculto de muitas escolhas e juízos que construímos. A maior parte desse livro examinava o funcionamento do Sistema 1 e as mútuas influências entre os dois sistemas. Em co-autoria com outros dois académicos, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein, Kahneman regressa com «Ruído», cujo tópico é o erro humano, em que o enviesamento (desvio sistemático) e o ruído (dispersão aleatória) são componentes diferentes do erro. Nesta obra os autores explicam o que pode correr mal no juízo humano, no domínio das diferentes decisões que as pessoas tomam em nome de organizações, concluindo que muitas organizações são «afectadas por juízos enviesados e ruidosos». Dividido em seis partes, o livro observa a diferença entre ruído e enviesamento, pesquisa a natureza do juízo humano e explora a forma de determinar as margens de erro e precisão, afirma a vantagem de regras, fórmulas e algoritmos para fazer previsões, explica as causas determinantes do ruído, questiona como podemos melhorar os juízos, observa o que nos pode beneficiar e prejudicar no momento de tomar decisões e trata, por fim, da questão quanto ao nível adequado de ruído, preocupando-se em auxiliar os leitores a ultrapassar o ruído e o enviesamento tendo como finalidade melhorar a qualidade das suas decisões cujo impacto (e custo) supera o que estes imaginam.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 22:58 link do post
21 de Julho de 2020

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«Poesia Ilustrada», esculpida nos intervalos do silêncio, encontrava na justa medida de uma frase, no murmúrio de um verso, a silhueta do seu perfil melancólico, refugiado entre gestos de ternura e movimentos de uma serena amargura, perdurando uma fortíssima relação com a natureza, fixando, nas paisagens agridoces que habitam a gramática dos poemas, as emoções, os desejos e as confissões sussurradas pela autora, compilados num esboço rejuvenescido do seu universo real de memórias, cores e pequenas sombras. A poesia de Maria Sousa prossegue com «Não Abras a Porta a Estranhos» - estojo de poemas curtos encaixados uns nos outros ou albergue de um poema contínuo - evoluindo de uma silhueta melancólica para um perfil mais hipnótico. A forma apurou-se, os poemas têm um compasso próprio e tornaram-se mais coesos e concisos. A solidão que já se sentia anteriormente num vislumbre conta-se agora a partir de casa, a casa que a autora evoca através do seu passado e das suas memórias, mas não só; a ausência, o silêncio e o vazio sentem-se no contacto físico com portas, janelas, armários, corredores ou quartos. Na força e nos múltiplos significados do (s) poema (s) pressente-se a escuridão e o abandono que nos aperta, mas esse pesar é equilibrado e estende-se amiúde pelo calor e apego dos cigarros, o contacto do telefone, a leitura das cartas, o badalar do relógio ou o reflexo dos espelhos. Vive-se naquela casa e a solidão que a ocupa fere-nos, mas também nos prende pela força deste belíssimo livro de poesia.

 
publicado por adignidadedadiferenca às 19:24 link do post
04 de Maio de 2019

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«Para criar uma economia mais justa, onde a prosperidade seja mais amplamente partilhada e, por conseguinte, mais sustentável, precisamos de atribuir uma nova energia a uma discussão séria sobre a natureza e origem do valor. Temos de repensar as histórias que estamos a contar sobre quem são os criadores de valor e o que isso nos diz sobre como definimos atividades enquanto produtivas e improdutivas economicamente. Não podemos limitar a política progressista à tributação da riqueza, mas sim exigir uma nova compreensão da criação de riqueza e um debate sobre ela de modo a que seja contestada mais incisiva e abertamente. As palavras são importantes: precisamos de um novo vocabulário para a elaboração de políticas. A política não tem que ver apenas com “intervir”. Tem que ver com moldar um futuro diferente: participar na criação de mercados e valor e não se limitar a “consertar” mercados ou redistribuir valor. (…) Podemos criar uma economia melhor mediante a compreensão de que os mercados são resultado de decisões tomadas – nas empresas, nas organizações públicas e na sociedade civil.» Debatendo com clareza o conceito de valor, criticando a hipotética produtividade de actividades que se limitam a extrair ou transferir valor em vez de o gerar, acusando um sistema financeiro parasitário alicerçado no lucro a curto prazo ao mesmo tempo que defende convictamente politicas públicas para o corrigir, Mariana Mazzucato, com invejável sentido pedagógico e apurado rigor analítico, desintegra habilmente uma série de teorias económicas mais recentemente urdidas como inevitáveis.

publicado por adignidadedadiferenca às 00:20 link do post
03 de Novembro de 2018

Impressionismos, abstracções sonoras, cânticos que desafiam a lei da gravidade, lamentos arrepiantes da natureza, vestígios de um mundo apocalíptico e aproximações (sobretudo) ao universo estético de Laurie Anderson, Meredith Monk e Annette Peacock, moldam a mais recente e personalizada gravação de estúdio de Julia Holter, que sucede à do belíssimo "Have You In My Wilderness" (de 2015), exibindo aquele género muito particular de música que apetece esconder do resto do mundo e manter como um segredo bem guardado. Um álbum (Aviary) inclassificável, progressivamente viciante, extraordinário e de fulgurante variedade expressiva. O futuro é já ali...

 

 

20 de Setembro de 2018

 

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Algo esquecido nas retrospectivas oficiais do cinema italiano, Valerio Zurlini, pertencendo à mesma família estética de Jacques Becker e Nicholas Ray - autores que, como deles já se escreveu um dia, da câmara quiseram fazer música de câmara -, merece, contudo, figurar entre os maiores (Visconti, Rossellini, Fellini, Antonioni, Pasolini). Embora a sua escassa obra (oito filmes) pouco ajude, não se compreende ainda assim como terá escapado a tantos cinéfilos a importância e a excelência de filmes tão sublimes quanto "Estate Violenta" (1959), "La Ragazza Con La Valigia" (1961), "Cronaca Familiare" (1962), o derradeiro "Il Deserto Dei Tartari" (1976) - feliz adaptação do romance homónimo de Dino Buzzati - e, sobretudo, "La Prima Notte Di Quiete" (1972). Com efeito, raros foram os cineastas que conseguiram filmar planos tão belos e despojados, utilizando simultaneamente tão intensa e tocante carpintaria dramática para partilhar a cumplicidade dos pequenos gestos de amizade ou as relações, a emotividade e a desesperada poesia da solidão extrema de um par de protagonistas inadaptados, à procura de encontrar o seu lugar enquanto são arrastados - ou se deixam atrair - para o isolamento.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 18:10 link do post
04 de Setembro de 2018

 

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Há um bom par de anos que venho consolidando a ideia segundo a qual a qualidade média das gravações de música escrita e interpretada pelas mulheres é significativamente superior à dos seus pares masculinos. As provas mais convincentes vão-se semeando por aí, ano após ano, destacando-se os nomes de Annie Clarke/St.Vincent, Shara Worden/My Brightest Diamond, Regina Spektor, Neko Case, Alela Diane, Björk, PJ Harvey, Julia Holter, Laura Marling, Sharon Van Etten, Anna Meredith, Anna Calvi, Jesca Hoop, Nina Nastasia e as Goat Girl. Não sendo fácil, por seu turno, encontrar uma explicação para o sucedido, julgo que ela não andará muito longe da circunstância de as mulheres necessitarem de uma maior afirmação para se conseguirem impor num universo musical pop/rock predominantemente masculino, aparecendo apenas quando sentem que têm algo importante para dizer. O mais recente testemunho surge agora na voz de Anna Calvi. Corajoso manifesto feminista e queer, “Hunter”, num gesto mais urgente e imediato, liberta-se um pouco do universo cinemático mais elaborado dos discos anteriores, mantém a sedução da voz operática da cantora e explora o panorama sombrio das visões de David Lynch, pela via musical de Angelo Badalamenti, bem como a ambiguidade musical/sexual reconhecida em David Bowie. Tenso, eléctrico e linear, mas também elegante e intimista, “Hunter” é um magnífico objecto de desejo, belo e selvagem, representando um conjunto expressivo de ideias em vez de uma mera sucessão mais ou menos articulada de acordes, conforme pretendia justamente a sua autora.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:38 link do post
29 de Agosto de 2018

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Evitando, para já, correr o risco de considerá-lo eventual e exageradamente um acontecimento, julgo que “O Centro do Mundo”, estreia no romance de Ana Cristina Leonardo - com os seus dois protagonistas primordiais: Boris Skossyreff e Olhão - será, no mínimo, uma obra que trouxe algo de novo à nossa ficção. Incorporando a História da Europa do século XX nas pequenas histórias que se passam em Olhão (o centro do mundo) e combinando habilidosamente realidade e ficção, a autora afasta-se da estrutura convencional do romance, cultiva engenhosamente a ironia e a farsa, enquanto a prosa, rica e pícara, escrita num estilo vivo em que sobressai uma portentosa agilidade e concisão, progride num ritmo do expedito ao acelerado, exibindo deliciosamente a assinalável cultura de quem a escreveu. Falta-me o conhecimento enciclopédico da literatura para conseguir dissecar a fundo as prováveis influências da escritora (ainda assim, não me escaparam o poder de concisão de um Dinis Machado ou a visão trágico-cómica do Pirandello de “Um, Ninguém e Cem Mil”); escrevesse eu sobre cinema e sempre seria mais fácil. Com efeito, observei durante a leitura um certo distanciamento crítico próprio de um Mizoguchi – nem faço ideia se a Ana Cristina Leonardo o aprecia – e essa raríssima capacidade, impressa num Jean Renoir, por exemplo, para, apontando os defeitos das personagens, tratá-las simultaneamente com imensa ternura – não há uma única personagem que a autora despreze - que é evidente sobretudo nos depoimentos finais que conferem uma imensa dignidade aos seus protagonistas. Se “O Centro do Mundo”, enquanto criação, oferece realmente algo de novo e inspirador – poderia estar aqui horas a fio a indicar as singulares perspectivas da Ana Cristina Leonardo e a sua peculiar capacidade para sintetizar ideias e pensamentos - não deixa de ser surpreendente verificar que essa novidade seja notavelmente alcançada pelo reconhecimento das características especificas da sua autora, bem vincadas (e entretanto apuradas) nas suas crónicas e nos seus pequenos livros anteriores; marca essa que já permite afirmar que se este livro não foi escrito pela Ana Cristina Leonardo, então só pode ter sido o diabo por ela… Um grande livro que se lê com um entusiasmo renovado a cada novo capítulo.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:13 link do post
30 de Junho de 2017

 

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«If the pulse of now felt weaker with each passing year, that’s because in the 2000s the pop present became ever more crowded out by the past , whether in the form of archived memories of yesteryear or retro-rock leeching off ancient styles. Instead of being about itself, the 2000s has been about every other previous decade happening again all at once: a simultaneity of pop time that abolishes history while nibbling away at the present’s own sense of itself as an era with a distinct identity and feel. Instead of being the threshold to the future, the first ten years of the twenty-first century turned out to be the “Re” Decade. The 2000s were dominated by the “re-“ prefix: revivals, reissues, remakes, re-enactments».

Simon Reynolds, in Retromania, Pop Culture's Addiction to Its Own Past

publicado por adignidadedadiferenca às 00:25 link do post
18 de Junho de 2017

 

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Do ciclo dedicado a Kenji Mizoguchi que, desde Abril, tem decorrido no Espaço Nimas, O Conto dos Crisântemos Tardios, de 1939, é a excepção ao conjunto de filmes situados na derradeira fase da sua obra e, excluindo A Senhora Oyu, após a sua consagração no ocidente, quando se impôs definitivamente com A Vida de O´Haru. História do amor trágico de uma mulher por um actor de teatro por quem tudo sacrifica, o qual, para vencer o lado opressivo do pai, tem de abandonar a sua classe social e encontrar outra mãe, a jovem criada que o ama e acompanha, O Conto dos Crisântemos Tardios celebra como nenhum outro o plano-sequência. Se uma das características essenciais da arte de Mizoguchi, a utilização da elipse figurativa, já fora superiormente ilustrada no magnífico embora pouco valorizado Oyuki, A Virgem, de 1935, é nos Crisântemos que o plano-sequência emerge e assume uma importância capital na arte do cineasta japonês. Esta técnica, que Mizoguchi - acreditando no seu próprio testemunho - terá iniciado em 1936, consiste na manutenção do mesmo enquadramento durante toda uma sequência, permanecendo a câmara a uma certa distância, evitando que o autor se envolva excessivamente nos dramas dos protagonistas. Para cada cena, um plano (one scene one cut). Entenda-se, Mizoguchi não utilizou este recurso estilístico como mero exercício ou figura de estilo, antes chegando a ele por necessidade de exprimir com mais precisão os momentos de maior intensidade ou tensão psicológica, desvalorizando o método clássico da utilização de grandes planos gratuitos ou de efeito unicamente estético. Com efeito, essa opção pelo plano-sequência resulta da necessidade de superar os dois principais problemas criados por Shotaro Hanayagi, o actor escolhido para o papel do protagonista. Por um lado, tornar credível a representação do papel de um jovem por um actor próximo dos 50 anos e, por outro, superar as evidentes dificuldades advindas da sua inexperiência de cinema, perdendo-se em takes curtos, interrompendo o texto com frequência. Num filme sobre o teatro, essa opção pelo plano-sequência não resulta de uma preocupação com o realismo, mas antes com um acentuado efeito de representação próprio da teatralidade que se pretende exibir. E se o plano-sequência sobressai como marca indelével do autor, existem neste filme, no entanto, outros predicados igualmente admiráveis, entre os quais se destacam a construção e divisão dos espaços como meio de manifestar visualmente a separação social das personagens e uma relação socialmente condenada, bem como o contraponto entre a agonia da personagem feminina e o desfile triunfal do actor. Da conjugação destas características, da configuração do espaço e da distância certa (ou emocionalmente justa) da câmara, pode concluir-se que opera no filme uma discreta sensualidade, onde cada personagem tem o seu lugar bem definido no espaço, clarificando exemplarmente a sua relação psicológica e social com as restantes.

publicado por adignidadedadiferenca às 13:05 link do post
07 de Junho de 2017

 

baltasar garzón.JPG

 

«Ao longo destes anos ouviram-me falar muitas vezes de terrorismo e das formas de o combater. Nem todos os terrorismos são iguais nem devem ser enfrentados da mesma maneira, mesmo se os seus efeitos são semelhantes. O que acontece é que, na sua génese, os movimentos ideológicos que dão lugar às distintas classes de terrorismo são diferentes (…). Pode-se afirmar que no mundo coexistem três tipos de organizações terroristas. As ocidentais que por sua vez se desdobram em três grupos: as de reivindicação nacionalista (…), as internacionalistas ideológicas (...) e as de extrema-direita (...). Um outro bloco é compostos pelas organizações terroristas árabes que podem ser de tendência nacionalista, internacionalista ou islamista. E por último, as organizações internacionais islamistas actuais (…). Entre estes três grandes blocos não existiram relações orgânicas ou de cooperação estável. Quer dizer, não existiu uma Internacional do terror, ainda que, pontual ou conjunturalmente, tenham podido existir apoios, ajudas, fornecimento de infra-estruturas, armas e campos de treino. Este tipo de relações também existiu entre as diferentes organizações mafiosas, que além de prestarem ajuda financeira umas às outras, dividiram territórios e âmbitos de actuação ao longo da sua existência. Todavia, ainda que tenham histórias separadas, trajectórias distintas e objectivos diferentes, há uma coisa que as une: a sua ilegalidade, o uso do terror e a clandestinidade (…). A lição mais clara é que contra o terrorismo não há atalhos. Não pode haver porque ainda que a curto prazo se consigam resultados, a longo prazo prejudicam o sistema democrático (…). A maioria das organizações terroristas apresenta uma deformação da realidade que converte aquelas em grupos sectários com uma clara incapacidade para se acomodarem ao debate político. As suas posições radicais impedem-nos, salvo contados casos, de reagir perante as mudanças políticas e sociais que lhes oferecem a possibilidade de abandonar as suas propostas violentas e de se incorporarem no sistema democrático. Além do mais, antes ou depois, atacam os interesses dos povos que dizem defender e recorrem a qualquer argumento para responder contra o Estado de direito com o único fim de se manterem na sua espiral de violência.»

Baltasar Garzón, Un Mundo Sin Miedo 

publicado por adignidadedadiferenca às 12:02 link do post
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