a dignidade da diferença
01 de Julho de 2012

 

 

Conhecido pelo seu temperamento violento e por ter assassinado a sua prima Maria d’Avalos, com quem casara em 1586, e o amante desta, o duque de Ândria, ao descobri-los em flagrante delito, Carlo Gesualdo, príncipe de Venosa, merece figurar na história sobretudo pelas suas qualidades musicais, onde sobressaem o experimentalismo polifónico, o cromatismo (que, com ele, atingiu o seu zénite) e uma complexidade harmónica que fascinou em pleno século XX, por exemplo, o genial compositor Igor Stravinsky. Possuidor de uma técnica pouco ortodoxa e de uma leitura individualista e avançada para a música da época, Gesualdo, por força das suas excentricidade e instabilidade emocional, trouxe consigo a modernidade para o coração da música italiana, modernidade essa que surge representada por uma ardente expressividade ou pelas suas assombrosas explorações cromáticas, cuja ousadia, ampliada pelos ilimitados e originais recursos estilísticos do seu autor, criou uma música inconformada e fora do comum, antecipando algo da estética musical que o excessivo Richard Wagner mais tarde nos deu a conhecer. O Hilliard Ensemble, na sua rigorosa, límpida e expressiva leitura interpretativa do Quinto Libro di Madrigali, faz inteira justiça à prodigiosa personalidade musical do seu criador. Sublime.

31 de Agosto de 2011

 

 

America über alles! Sorrisos, risinhos. Momentos de silêncio, e depois… o maestro Botstein compromete-se, espontaneamente, a apoiar o «relançamento» de Enescu no mundo. Solicita uma proposta detalhada para a reestruturação e informatização do arquivo, para o relançamento das gravações, para a edição e difusão internacional da obra e para o início de uma biografia monumental sobre o compositor. Uma batuta imaginária eleva, em crescendo, o apelo do maestro. «Se conseguirmos levar toda a obra enesciana para as salas de concerto, então a história da música deste século reservará a Enescu um lugar ao lado de Bartók e Szymanovski. O século está, como sabem, sob a obsessão Schönberg-Stravinski. Bartók marginalizado, por ser húngaro, Enescu, por ser romeno, os americanos, por serem americanos. Esta visão vai mudar. Enescu não vai mais ser visto como um exótico, mas sim como o mestre das sínteses, um criador de originais ideias musicais. A Polónia comunista adoptou Chopin, a República Checa adoptou Smetana, e não Dvorak, os húngaros tiveram problemas com Bartók, até que Kodály interveio em seu favor. Enescu precisa de uma reentrada gloriosa no mundo! É um momento oportuno apressemo-nos.»

Norman Manea, «O Regresso do Hooligan», tradução de Carolina Martins Ferreira

 

 

02 de Janeiro de 2011

 

A quantidade de música escutada durante o ano que findou é absolutamente irrelevante se confrontada com a produção musical do mesmo no panorama internacional. Não podemos, por essa razão, elaborar uma lista dos melhores. Fica então uma pequena amostra dos discos de que mais gostámos. Ficaram de fora, mas podiam perfeitamente ter entrado, Sigh No More, dos Mumford & Sons, I Speak Because I Can, de Laura Marling (talvez o melhor disco folk), Queen Of Denmark, de John Grant, The Wonder Show Of The World, de Bonnie ‘Prince’ Billy, Eleanora Fagan To Billie With Love, de Dee Dee Bridgewater, Broken Record, de Lloyd Cole, e Scratch My Back, de Peter Gabriel. Os Vampire Weekend e The National excederam-se em relação aos álbuns anteriores, Marcos Valle ressuscitou literalmente, foi dos Empirical a melhor homenagem do ano (a Eric Dolphy), e os Efterklang terminaram 2010 em beleza. Fica a lista.

 

    

 

  Laurie Anderson, Homeland

 

 

 

  Dropkick Murphys, Live On Lansdowne Boston MA

 

 

  Efterklang, Magic Chairs

 

 

 Empirical, Out 'n' In

 

  

  Field Music

 

 

 

  Michael Formanek, The Rub And Spare Change

 

 

 

  The Gaslight Anthem, American Slang

 

 

 

  Matthew Herbert, One One

 

 

 

 Keith Jarrett/Charlie Haden, Jasmine

 

 

 

Leoncavallo/Veronesi/Domingo, La Nuit De Mai

 

 

The National, High Violet

 

 

  Arvo Pärt/Esa-Pekka Salonen, Sinfonia n.º 4

 

 

 

Richard Strauss/Haitink, Eine Alpensinfonie

 

 

 

  Stravinsky/Boulez, Pierre Boulez Conducts Stravinsky

 

 

 

  Stravinsky/Revuelta/Dudamel, Rite

 

 

 

  Marcos Valle, Estática

 

 

 

Vampire Weekend, Contra

 

 

The Walkmen, Lisbon

  

 

The Wave Pictures, If You Leave It Alone

  

 

Vários, Pulp Fusion

20 de Junho de 2010

 

Gustavo Dudamel dirige a Jovem Orquestra Simón Bolívar, da Venezuela, numa interpretação exuberante de "A Sagração da Primavera" do genial compositor russo Igor Stravinsky. O título da obra que acaba de sair chama-se "Rite" e a gravação é acompanhada por uma versão de "La Noche de los Mayas" de Silvestre Revueltas. Para escutar atentamente.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:59 link do post
01 de Março de 2010

 

 

 

 

 

 

Uma colecção de seis CD que reúne alguma da mais célebre e admirável música escrita pelo genial compositor russo, aqui filtrada por um olhar minucioso e atento a todos os detalhes da revolucionária partitura de Stravinsky. Uma edição a não perder por nada deste mundo, onde se pode escutar, entre peças menos conhecidas mas não menos essenciais,  A História do Soldado, A Sagração da Primavera, O Pássaro de Fogo, Pétrouchka ou a A Sinfonia dos Salmos.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:11 link do post
03 de Agosto de 2008

 

A sagração da Primavera  (Le sacre du printemps) - Igor Stravinsky/Pierre Boulez/The Cleveland Orchestra (1992)

 

 

Fazendo parte das principais composições da fase inicial da obra do compositor russo Igor Stravinsky – os três bailados encomendados por Diaghilev -, este retrato vivo dos sacrifícios rituais da Rússia pagã introduziu um nível de dissonância e ousadia rítmica que provocou tumultos entre o público que assistiu à sua estreia em Paris, corria o ano de 1913, e marcou toda a história posterior da música do século XX, tornando-se um dos marcos incontornáveis da música de vanguarda.

Se o ritmo, nas suas mais admiráveis formas, constitui o centro da sua obra, é na Sagração da Primavera que atinge a sua pele mais elaborada. É verdade que já foi considerada como o cúmulo do primitivismo (como se isso fosse mau) – Cocteau, por exemplo, chamou-lhe Pastoral do mundo pré-histórico -, mas a obra viria a impor-se pela sofisticação rítmica, pela combinação ambígua de acordes, pelos extraordinários e devastadores efeitos orquestrais e pela imparável força telúrica e dramática de todos estes elementos.

Acrescente-se, ainda, a contribuição dos Ballets Russos de Diaghilev, de Nijinski, Picasso, Bakst, Fokine e outros talentos extraordinários para a sua importância fulcral numa época de oiro, visionária e profundamente revolucionária.

 

 

A escolha da leitura de Pierre Boulez, deve-se ao seu apurado sentido auditivo que lhe permite destacar imensos pormenores que muito raramente foram ouvidos anteriormente. Não se devendo menosprezar, igualmente, o facto de ser um intransigente modernista e esplêndido divulgador da arte musical do século XX.

 

 

 

Le sacre du printemps, parte 1 e 2

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:44 link do post
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