a dignidade da diferença
30 de Junho de 2017

 

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«If the pulse of now felt weaker with each passing year, that’s because in the 2000s the pop present became ever more crowded out by the past , whether in the form of archived memories of yesteryear or retro-rock leeching off ancient styles. Instead of being about itself, the 2000s has been about every other previous decade happening again all at once: a simultaneity of pop time that abolishes history while nibbling away at the present’s own sense of itself as an era with a distinct identity and feel. Instead of being the threshold to the future, the first ten years of the twenty-first century turned out to be the “Re” Decade. The 2000s were dominated by the “re-“ prefix: revivals, reissues, remakes, re-enactments».

Simon Reynolds, in Retromania, Pop Culture's Addiction to Its Own Past

publicado por adignidadedadiferenca às 00:25 link do post
01 de Maio de 2017

 

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O que impede o mais recente álbum dos Dirty Projectors – regresso da banda nova-iorquina após os notáveis “Bitte Orca” e “Swing Lo Magellan” – de cair no pântano do banalizado e algo esgotado território das “torch songs” é a curiosidade e o elevado grau de insatisfação dos seus autores. Com efeito, essas curiosidade e insatisfação confere-lhes uma ampla capacidade para traduzir a linguagem nova que desponta num corpo autónomo, alimentado por fragmentos sonoros extraídos de uma enciclopédia musical, constituídos por melodias, textos, arranjos e instrumentação, daquele género muito particular que “primeiro estranha-se e depois entranha-se”: estruturalmente esquelético e dissonante, habitado, átomo a átomo, por pequenas assombrações e confissões, perspectivas oblíquas e melodias contagiosas. Tudo isso e uma singular aptidão de recriação estética que, sem desviar o olhar do presente ou do passado até, permite antever o futuro a quem os escuta…

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 17:27 link do post
01 de Janeiro de 2015

E, por fim, aqui fica registada a escolha dos álbuns mais relevantes de 2014 em função dos seus traços de personalidade que escapam ao modelo copista que infecta a quase totalidade da produção universal. Contudo, esta lista poderia ser substituída sem significativa desvalorização patrimonial pelas mais recentes publicações de Clifford Brown, Anna Calvi, Capicua, Pablo Heras-Casado, Leonidas Kavakos & Yuja Wang, Hamilton Leithauser, Paco de Lucia, The Phantom Band, Real Combo Lisbonense, Marc Ribot Trio, Tune Yards ou Suzanne Vega. E ainda conseguiria acrescentar um ou dois que ficarão, no entanto, injustamente esquecidos.

 

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Ambrose Akinmusire

 

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Tony Allen

 

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Cecilia Bartoli, Muhai Tang

 

 

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The Delines

 

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Bob Dylan and The Band

 

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FKA twigs

 

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Jerusalem Quartet

 

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Amélia Muge

 

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Ricardo Rocha

 

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St. Vincent

 

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Tre Voci

 

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Mark Turner Quartet

publicado por adignidadedadiferenca às 12:07 link do post
10 de Julho de 2014

 

 

A estreia de Suzanne Vega, com o álbum homónimo de 1985, consiste numa combinação peculiar da estrutura elementar de uma folk nua e minimalista com a geometria, a clareza e a precisão microscópica das suas short stories, nas quais sobressai uma análise simultaneamente detalhada e concentrada da realidade. Solitude Standing e Days of Open Hand trazem a dinâmica e a energia pop para o corpo das canções. Em 1992, com o portentoso 99.9 F°- um dos raros álbuns verdadeiramente essenciais da música popular contemporânea -, Suzanne Vega, auxiliada pela produção cirúrgica de Mitchell Froom, enriquece a paleta sonora e amplia os seus horizontes musicais, coabitando no seu interior, entre outros, o universo estético de Leonard Cohen, Lou Reed, Laurie Anderson e Tom Waits. A matéria das canções estende-se e adquire uma maior nitidez e expressividade. Nine Objects of Desire evolui nesse sentido e dedica a mesma atenção ao vocabulário da canção. Songs in Red and Gray (de 2001) equilibra de forma notável a aparente contradição entre a crueza dos textos e melodias sedutoras. Em 2007, porém, a autora norte-americana dá um primeiro passo em falso com o pouco inspirado Beauty and Crime. Por sua vez, o recente e vibrante Tales From the Realm of the Queen of Pentacles recupera a vontade de experimentar textos e decompor intrincadas texturas melódicas e harmónicas, eliminando os infundados receios de esgotamento criativo determinados pelo álbum anterior. Esse último trabalho e uma actuação cheia de garra na noite fria do EDP Cool Jazz, em Oeiras - cuja tensão eléctrica encaixou naturalmente nas óptimas e concisas canções da autora norte-americana - vieram provar que ainda não escoou o seu prazo de validade.

30 de Março de 2014

 

 

O regresso da singer-songwriter Annie Clark (St. Vincent) – após a feliz colaboração com David Byrne – confirma aquilo que já suspeitávamos há bastante tempo: actualmente, ninguém melhor do que ela consegue, sem perder a unidade no espaço próprio de uma canção, conjugar superiormente a acessibilidade do imediatismo pop com arrojados devaneios experimentalistas, aptos a empurrar um pouco mais para lá as previamente definidas fronteiras tradicionais da música popular contemporânea. Simultaneamente luminoso, romântico e suavemente esquizofrénico, a excelência de St. Vincent resulta do amadurecimento natural de uma artista de excepção, cuja personalidade e domínio autoral lhe permite devorar as suas múltiplas e, por vezes, inesperadas influências – do metal à erudição clássica, pisando o funk, o glam ou a world music -, organizando, dispondo e construindo a matéria musical sob uma elástica e vibrante arquitectura sonora, filtrada por uma cultura digital, capaz de, nos momentos de maior inspiração, decifrar e resolver enigmas ou vencer labirintos formais aparentemente sem solução à vista, enriquecendo e ampliando um universo narrativo convencional, preenchido com memórias, conversas e histórias comuns. Directamente para a lista dos melhores do ano.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:49 link do post
15 de Setembro de 2013

 

 

Confesso que a música dos Everly Brothers nunca me agradou especialmente. Demasiado agarrada ao espírito da época, consistia numa preocupação excessiva com as harmonias vocais, amparadas em bonitas mas algo inócuas melodias e demasiado presas a um conceito estético despropositadamente pueril e juvenil, inconsistente e por desenvolver. Bonnie ‘Prince’ Billy e Dawn McCarthy – que criou, com Nils Frykdahl, os excelentes e praticamente desconhecidos Faun Fables –, recolhendo os ensinamentos da pop/folk profunda e clássica dos anos sessenta e setenta; a dos Jefferson Airplane, dos Steeleye Span e, especialmente, da trupe dos Fairport Convention (com Sandy Denny e Richard Thompson à cabeça), pegaram nas canções menos conhecidas que os Brothers criaram ou apenas interpretaram, e releram-nas sob uma nova perspetiva. Descobriram e associaram-lhe novos elementos sonoros, modificaram-lhe as arestas, pesaram e ampliaram-lhe o volume e desenvolveram a sua carga dramática, transformando quase milagrosamente as características exageradamente açucaradas da matriz original – indicada para duplas do género Simon & Garfunkel, uns anos antes de mudarem o curso da história da música pop, com as magníficos Bookends e Bridge Over Troubled Water –, num conjunto soberbo de peças musicais densas, elétricas, inesperadamente livres e amadurecidas. Ao disco chamaram-lhe apropriadamente What the Brothers Sang.

 

 

04 de Julho de 2013

 

 

A juventude de Marling ou a veterania de Parks. A instrumentação quase elementar da primeira ou o requinte orquestral e a maestria dos arranjos do segundo. A folk intensa e concisa de Laura Marling ou as sinfonias de bolso de Van Dyke Parks. Se a ideia parece consistir no confronto entre estes dois estilos de música aparentemente tão antagónicos, esse raciocínio está, porém, bem longe da verdade. Entre o percurso musical com origens na tradição folk, o crescimento precoce, a concisão, a clareza, a economia de meios, as emoções que jorram da matéria ficcional, o brio e a expressividade vocal de Laura Marling ou a sabedoria e a visão panorâmica, cinematográfica, majestosamente orquestral - na qual todas as peças se encaixam brilhantemente numa estrutura musical ilusoriamente fragmentada - do magnífico e injustamente pouco celebrado Van Dyke Parks, não é necessário optar: o melhor é escolher os dois. Escutem então (sem pausas) as suas mais recentes e meritórias gravações; o depuradíssimo e intenso Once I Was An Eagle de Laura Marling e o versátil e colorido Songs Cycle de Van Dyke Parks.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 22:59 link do post
02 de Janeiro de 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 18:28 link do post
01 de Janeiro de 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:33 link do post
12 de Dezembro de 2010

 

 

Magic Chairs, dos dinamarqueses Efterklang, é, neste final de ano, o mais belo e guardado segredo da música pop contemporânea, onde convivem naturalmente sensibilidade e concisão pop, textura dramática, espelhos de repetição, uma rigorosa mise-en-scène clássica, complexidade melódica e instrumental. Tudo superiormente coordenado por uma subtil mas essencial experimentação que o transforma num dos mais superlativos discos do ano.

 

Modern Drift

publicado por adignidadedadiferenca às 12:55 link do post
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